capitulo 14

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Reparei que toda a praça observava atentamente estas três pessoas e então fiz o mesmo....

- Ora bem… Boa noite senhoras e senhores!! Está na altura de dar o prémio à camponesa e ao camponês da noite… - uma ansiedade aterrorizante instaurou-se na praça. Os sussurros, burburinhos e o barulho dos vestidos a roçarem uns nos outros aumentavam tal era o nervosismo.

Os apresentadores pararam de falar durante segundos dando lugar a mais ansiedade “Típico!”. Leves e geladas rajadas de vento levantavam a renda bordada do meu vestido ameaçando congelar-me os músculos.

- Começaremos por nomear a camponesa desta noite!! – foi o homem magro que falou. Estava a abrir um envelope que tinha numa das mãos. A sua boca abriu-se e inspirou para começar a falar – O prémio vai para… Sophia Owen!

Congelei. Os meus músculos pararam por completo e o meu coração saltou-me do peito como se uma bomba explodisse no meu interior. “Estarei a sonhar?”. As pessoas começaram a afastar-se de mim enquanto me olhavam de olhos arregalados e furiosos. O frio cortava-me a respiração e um fervor enorme crescia dentro de mim. Dei um pequeno passo com algum esforço.

- Sophia? Pode vir ao palco? – a voz soava impaciente e rude. Eu caminhei lentamente com medo de cair devido ao tremor das minhas pernas. Sentia as bochechas a arder cada vez mais à medida que caminhava. Todos me olhavam desconfiados. “Algo não está certo…” – mas continuei o meu caminho pelo meio da multidão. Subi umas estreitas e velhas escadas e finalmente cheguei ao cimo do palco. As luzes encadeavam-me os olhos e cegavam-me. Sentia todos os olhos da praça postos em mim e um silêncio insuportável, constrangedor instaurou-se como uma bomba atómica.

- Vem cá querida! – era a mulher corcunda que me estendia a mão com um sorriso amoroso.

Aproximei-me receosa e um mau pressentimento fez-me parar e olhar para o público esforçando-me para ver para além das luzes incandescentes.

- NÃO! – o grito tinha saído da minha boca, não consegui controlar. Era Josh!! Estava no meio da multidão e olhava para mim com um sorriso aberto e um olhar a transbordar de orgulho. Eu abanei a cabeça calmamente, o que eu queria era gritar para ele fugir dali, onde estariam por volta de dez polícias ou mais, mas não podia pois isso iria expô-lo. Tentei agir normalmente recompondo-me.

Apercebi-me que estava com a boca aberta e rapidamente fechei-a fingindo estar a bocejar. Os rostos das pessoas estavam perplexos enquanto me olhavam.

- Peço desculpa… - apercebi-me que a minha voz se tinha ouvido em toda a praça “Devem ter-me colocado um microfone incorporado no vestido quando fiz a minha inscrição…”. Aproximei-me da senhora e ela deu-me a mão.

- Apresento-vos a vossa camponesa de 2012! – levantou-me a mão e aplausos preencheram o silêncio que tão pouco desejava. As pessoas saltavam e sorriam enquanto me contemplavam.

Ouviam-se “Tão linda!!” ou “Quero conhecê-la!” ou “Podia ser melhor!”. Um sorriso invadiu-me o rosto de orgulho e felicidade ao perceber que ninguém reparava no pequeno Josh que também saltava com a multidão. O homem de nariz empinado entregou-me um envelope e informou-me sussurrando que era o cheque de 5 mil euros. “Dará para desenrascar…”.

- Tão linda que ela é hem? Uma relíquia! – a mulher pôs-se em bicos de pés e beijou-me a minha bochecha corada.

- Relíquias são as jóias… e tenho uma leve impressão que não sou isso! – as palavras saíram-me de rompante “Oh não!”. Pensei que iam levar a mal o que eu disse mas rapidamente a praça explodiu em gargalhadas estridentes e fortes aplausos.

- Não é hilariante? – o homem magro ria-se com uma mão na barriga enquanto tentava abrir outro envelope igual ao anterior. – Agora o camponês… Zayn Malik!!

O meu coração parou. O Zayn?? Seria mesmo ele?? Então ele ter-me-ia seguido até ali. Um rapaz de cabelo escuro e olhos castanhos vinha em direção a mim pelo meio da multidão. Era ele. Mas não me olhou nem um segundo. Subiu as escadas e passou por mim como se não me conhecesse. Eu olhava-o perplexa “Controla-te… disfarça!” uma lágrima ameaçava cair mas eu cerrei os punhos e respirei fundo. Olhei para Josh que rapidamente me lançou um sorriso reconfortante. Ele já sabia de Zayn, eu tinha-lhe contado tudo e agora lançava-me um olhar intenso para me manter forte no entanto o meu corpo ameaçava desfalecer-se. Olhei para o lado e vi Zayn a receber um envelope e a apertar a mão dos apresentadores com um sorriso aberto, sincero. O meu peito explodiu de fúria e frustração, apetecia-me ir lá e abaná-lo ou chama-lo à atenção, dizer-lhe que estou aqui mas não… fui eu que fugi e estaria a ser injusta se o fizesse.

- Bom… o baile do camponês acabou! Esperamos-vos no ano que vem! – as luzes iam apagar-se mas antes que alguma coisa acontecesse ouviu-se um grito estridente.

- PAREM ESSA LADRA!!! ESSE VESTIDO FOI ROUBADO!!! – era a lojista a quem roubei o vestido.

Provavelmente reconheceu o vestido e agora avançava aos tropeções pela multidão indignada. O meu coração estava aos saltos e pela primeira vez vejo Zayn a olhar para mim com um olhar perplexo, o pânico via-se no seu rosto.

- Ladra?! O que é que temos aqui? – era a mulher corcunda que falava olhando-me de alto a baixo. “Oh não!”. Olhei automaticamente para Josh, o medo emanava à sua volta. As lágrimas de desespero cresceram-me nos olhos.

- Sai daqui!! – fechei os olhos para as pessoas não perceberem com quem estava a falar. Abri-os e respirei de alívio quando vi Josh a correr em direção ao bosque.

A mulher tinha subido ao palco e avançava desvairada na minha direção. Não tive tempo de reagir pois ela já me tinha atirado ao chão. Começou a puxar-me o vestido e a rasga-lo violentamente.

Senti o frio a invadir-me enquanto ela rasgava pedaços de tecido. A minha trança estava desfeita e o vestido desfigurado. A vergonha invadia-me e senti o meu corpo desfalecer, não tinha forças para me levantar e cada vez estava mais nua.

Ela foi atirada para o chão e vi que Zayn se tinha posto à minha frente de braços abertos. As lágrimas escorriam-me pelas bochechas e agarrei-me ao envelope, a minha única esperança.

- Não te atrevas a tocar-lhe! Nem mais uma vez! – a voz de Zayn era fria. Ele estava mais magro mas ainda conseguia sentir o seu calor, o seu cheiro ao pé de mim. Fechei os olhos e memórias invadiram-me a mente. Ainda o amava, depois de tudo. “Porquê? Será assim tão difícil esquecê-lo?”.

- Ela é uma ladra! Não a protejas!!! - a mulher tinha os olhos abertos de fúria, quase podia-a ver espumar da boca tal era a sua grotesca figura.

A sirene da polícia ouviu-se em todo o lado. Vinham para me buscar.

- Zayn? Foge… por favor.

- Tu cala-te!! Não te vou deixar… - Zayn olhou-me por instantes mas rapidamente voltou a olhar para a mulher. Os polícias corriam por entre a multidão. Já tinham subido o palco e vinham na minha direção mas o Zayn pôs-se novamente à frente para me proteger “é agora… acabou”

- Saia da frente! Está a proteger uma criminosa!

- Não saio! Eu amo-a… - percebi que também ele tinha começado a chorar. Seria de desespero? De medo de me perder?

Os polícias afastaram-no do caminho atirando-o para o chão no qual ficou inconsciente. Eu soltei um guincho e levei a mão à boca. As minhas lágrimas pararam pois o choque invadia o meu corpo como uma corrente elétrica. Senti umas mãos a levantarem-me do chão.

- É bom que não tente resistir… será pior para si! – era uma voz fria e dura. Puxou as minhas mãos para trás das costas e ouvi o som de algemas a tilintar. Só conseguia pensar no bem de Josh que agora estaria sozinho no bosque com um sorriso esperançoso à minha espera. “Perdoa-me Josh…”. Fechei os olhos e…

- NÃO!! PAREM!! Fui eu… roubei-o! – abri os olhos e olhei para a multidão. Esforcei a vista para abstrair as luzes que me cegavam. E finalmente vi-a.

- Mãe?!

Enough of Happy Endings, This is Reality...(Zayn Malik)Leia esta história GRATUITAMENTE!