Eu não podia acreditar que ele tinha me beijado. Não podia, não dava! Eu estava estático demais. Aquilo não podia ser o que parecia ser. Alexander não gostava de mim como eu gostava dele. Gabe tinha razão. Ele estava me enganando, Lex era casado agora, e não iria querer nada comigo. Ai, como sou idiota. Por que deixei que ele me beijasse? Por que retribui aquele maldito beijo? Porque o eu amo. Por isso!

Passei a mão em meus cabelos, ainda parado no estacionamento, sozinho. Eu deixei que ele fosse embora! Eu deixei! Não! Não podia ter deixado! Lex disse que voltaria, mas não vai, sei que não vai! Não voltaria como das outras vezes. O que eu iria fazer agora?

Entrei dentro do que carro e fui para minha antiga casa. Parei meu Jaguar na frente da garagem e sai dele. Fui andando pelo lado de fora, dando a volta na casa, e indo para a sacada que dava de frente para a praia. Tirei meus sapatos e minha blusa, tirei as coisas do meu bolso e caminhei até o mar. Entrando nele e dando um mergulho.

Água salgada sempre me acalmava, na verdade o mar tinha esse poder sobre mim. Trazia uma paz enorme.

Fiquei ali a manhã toda, até que sai e me sentei na areia, deixando o sol secar minha calça e cabelos. Estava cansado de pensar em Lex, não aguentava mais aquela incerteza, me sentia exausto.

Levantei e voltei para a casa. Peguei minhas coisas e destranquei a porta de vidro da sacada, e entrei, tirando o resto da minha roupa, indo para o banheiro do meu antigo quarto. Joguei minhas tralhas em cima da mesa de cabeceira e entrei no banheiro.

Tomei um banho tirando a areia do meu corpo, passei mais uma hora embaixo da água quente, e por fim sai, enrolado na toalha e me joguei na cama. Dormindo logo em seguida. E como sempre meus sonhos foram invadidos por Lex. Nem quando dormia conseguia parar de pensar nele.

Abri meus olhos e encarei a escuridão. Já tinha anoitecido, e agora eu sentia frio. Me virei na cama e olhei o relógio digital, marcava nove da noite. Vi que meu iPhone piscava o led, peguei ele e vi várias notificações de pessoas aleatórias. A minha bateria estava quase acabando. O aparelho caiu contra meu peito quando começou a tocar, mostrando a foto de Lex. Merda. Peguei e atendi.

– Oi. – Falei ao atender, e minha voz saiu péssima. Ele tinha me ligado, Lex tinha tido coragem o suficiente para isso.

– Oi. – Ao ouvir sua voz soltei o ar aliviado, embora seu tom tivesse um leve medo e fosse incerto. – Você não me parece bem. – Soltou depois de um silêncio enorme no qual eu não sabia como quebrar.

– Deduziu isso pelo meu "oi"? – Perguntei tentando parecer um pouco menos deprimido.

– Não, foi pelo silêncio. – Fechei os olhos ao ouvir aquilo, ele sempre me conhecendo tão bem.

– Hm. – Murmurei respirando fundo.

– Aonde você está? – Ao fundo podia ver que ele estava andando pela rua, o barulho de carros passando era bem audível.

– Estou na minha casa. – Respondi, mas logo me lembrei que não era a mesma que deveria estar. – A da praia.

– Ué, o que está fazendo ai? – Parecia que ele tentava me animar.

– Não sei, acho que senti falta daqui. – Na verdade esse lugar me fazia sentir mais perto dele, já que passamos tantas coisas nessa casa.

– Entendi. – Falou e depois ficou calado. – Vou desligar.

– Está bem. – Respondi querendo pedir para que não fizesse isso. – Tchau.

– Até logo. – Encerrou a ligação.

Coloquei o celular de volta na mesa de cabeceira e me virei para o lado oposto naquela minha cama enorme. Levantei procurei por uma calça de flanela xadrez vermelha na qual tinha deixado ali, junto com umas roupas de inverno. A vesti e depois peguei a toalha molhada que estava sobre a cama, e coloquei pendurada no banheiro para que secasse. Escovei meus dentes para tirar o gosto ruim da minha boca e voltei a me deitar, agora embaixo do edredom, abraçando o travesseiro e olhando para a janela de vidro, que tinha as cortinas abertas. Estava frio para uma noite de verão, embora de manhã tenha dado sol, o tempo se fechou, e agora o céu estava nublado e a temperatura tinha caído.

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