Não sei se posso dizer que Michael entrou em negação, ou qual foi o real motivo de sua mudança. Acho mais que foi um surto para tentar mudar tudo e esquecer Lex de vez. Pois depois daquele dia, ele disse que ia mudar, literalmente. Na mesma semana comprou uma casa do outro lado da cidade, bem longe do mar, no qual sempre jurei que Mike adorava, e deixou a dele com tudo dentro. Exatamente isso! Só levou algumas roupas e a comida que estava lá, e a trancou. Quando perguntei o motivo daquilo, apenas tive a seguinte resposta; "Estou trancando meu passado aqui.". Não sabia se estava se referindo a sua família morta, se era ao Lex, ou se eram ambos, mas sabia que ele estava determinado dessa vez, pelo menos era isso que me mostrava. Já que de repente Mike ficou bem distante emocionalmente, as vezes passava horas trancado dentro de casa alegando que estava escrevendo músicas, as mesmas nas quais nunca ouvi. Não se importava mais com as coisas, e começou a frequentar festas bem pesadas, na qual só fui uma vez e fiz questão de não ir em mais nenhuma. Era muita bebida, drogas, gente estranha e sexo para todos os lados, o ar do lugar era sufocante demais para mim. Além de odiar vê-lo com outros caras, não porque queria seu corpo, bem longe disso, mas sabia muito bem o que Mike estava fazendo para tentar tapar o buraco que tinha em seu peito, e ficando com todo mundo não era a solução.

– Para com isso. – Falei pela milésima vez enquanto ele flertava com um cara no celular. – Michael, você está me ouvindo? – Fui ignorando, então tirei o iPhone de sua mão. – Você está parecendo uma vadia! Pare! – Estava de pé na sua frente, enquanto ele estava jogado no sofá vestido com a mesma roupa há três dias.

– Me deixa ser uma vadia! – Tentou pegar o aparelho de minha mão, mas levantei o braço, ele nunca alcançaria. – Gabe, me deixa marcar uma foda! – Reclamou ficando de pé no sofá e dando um pulinho para tentar pegar seu celular.

– Ninguém vai querer te comer desse jeito. – O afastei de leve. – Vai tomar um banho e vamos sair para ir em um lugar descente, não aguento mais te ver desse jeito. – Me afastei e ele me olhou com uma cara ensossa. – Vou te esperar na varanda, não demora. – Guardei seu iPhone em meu bolso e sai da casa, que se comparada com a outra era minúscula.

Me sentei nos degraus de madeira que tinha ali na frente e fiquei esperando, enquanto olhava os carros passando na rua. Senti o celular dele vibrar em meu bolso, e aquela porcaria não nos daria sossego, então o joguei nos arbustos que tinham ao meu lado, Mike tinha dinheiro para comprar outro, e também assim, quem sabe ele perdia alguns contatos...

Não sei se Mike fez de propósito, só sei me deixou esperando por uma hora ali fora. Mas quando saiu também, nossa, ele estava lindo. Dei um sorriso e levantei, descendo o pequeno lance de degraus.

– Agora me devolve meu celular. – Pediu e eu uni as sobrancelhas.

– Celular? Que celular? – Dei uma de sonso.

– Ah, Gabe, pelo amor de Deus! – Falou meio nervoso, mas o ignorei. – Eu não vou sem meu celular. – Parou e cruzou os braços.

– Pelo amor de Deus, digo eu! – Segurei em seus antebraço e o puxei, mas ele abriu os braços e não me deixou arrastá-lo. – Eu quebrei, você não precisa daquilo.

– Você fez o que?! – Soltou alto, então revirei meus olhos.

– Quebrei! – O puxei novamente. – Anda!

– Eu não vou andando! Sou fumante sedentário. – Ele estava fazendo pirraça feito criança, e isso estava me deixando puto.

– Não é longe daqui! Agora vem! – Então finalmente ele se deu por vencido e começou a andar.

Sua cara irritada me fez rir no final das contas. Fomos caminhando em silêncio pelos primeiros cinco minutos, então resolvi quebrar aquele clima chato, e empurrei de leve seu ombro. Mike já me olhou segurando o riso, e só para ver sua risada, fiz uma careta qualquer. Assim quando o vi sorriso, segurei sua mão e o puxei para perto, lhe dando um abraço de lado, passando meu braço pelos seus ombros, e ele enlaçou a minha cintura.

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