Surpreender a Todos Nós

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O tempo passa rapidamente quando se para para analisar.

Philip graduou-se no Colégio King. Ele já está com 19 anos. Lembro-me que foi com esta mesma idade que Alex conheceu a mim e aos rapazes. Apesar do caso com a sra. Reynolds e todo o mais, Philip ainda conseguia admirar o pai de uma forma descomunal. E é justamente isso o que me preocupa.

"Philip, o que há de errado?" pergunto, quando vejo que ele está andando de um lado para o outro, com o cenho franzido.

"Um homem discursou no 4 de julho!" ele responde, com os punhos cerrados "Ao invés de ser um discurso homenageando a pátria, falando da coragem dos nossos soldados durante a guerra, qualquer coisa!, ele atacou o meu pai!"

"Philip... entenda: Alexander realmente fez uma coisa errada. Eu tentei impedir, mas não consegui. Eu..."

"Então agora você está do lado do Eacker!?"

"Hamilton Júnior, eu estou falando sério! Eu não estou justificando Eacker, mas também não estou justificando seu pai. Ambos cometeram seus erros, como qualquer ser humano. Philip, não cometa uma besteira. Pelo amor de seu próprio pai... de sua mãe! Você acabou de perder uma tia!"

Peggy havia morrido há alguns meses. Eliza ainda está sofrendo com a perda, e isso mais o caso do marido... Philip não poderia cometer um erro tão grande, ou ela poderia morrer pelas várias emoções. Isso sem contar que ela está grávida... novamente.

"Eu não posso deixar as coisas assim, Jack!" retorque Philip, de maneira áspera. "Meu pai pode ter pisado na bola, mas isso não é motivo para que...!"

"Philip, você está muito nervoso. Nunca tome decisões quando estiver nervoso, ou prometa algo quando estiver muito triste; nunca acaba bem."

Ele para de discutir comigo, porém sei que ele ainda está planejando um jeito de ensinar a Eacker uma lição. Philip não é do tipo de pessoa que se irrita facilmente, ou que fica emburrado por muito tempo; o assunto é delicado demais para ele. Ele nunca havia retrucado daquele jeito para algum conselho meu. Eu sei o que é ser imprudente demais e sofrer as consequências disso. Não quero que ele tenha que passar pelo mesmo.

Esse assunto fica enterrado durante alguns meses, e sinto que consegui deixar tudo sob controle.

Eu nunca estive tão errado.

Certo dia, Philip sai da casa, com a desculpa de que irá ver uma peça. Desconfiado, acompanho-o de perto. Sei que ele pode me ver, por isso estou escondendo-me dele. Ele encontra com um amigo, Richard Price, e ambos vão até o local em que a peça está acontecendo.

Apresso-me e chego no local antes deles.

Eu já havia visto George Eacker nos papéis do jornal, já que seu discurso acabou por ser imprimido ali. Ele está no teatro, e, caso fosse possível, eu diria que vê-lo deixou-me enjoado. Sinto vontade de fazer alguma besteira, como possuir algum telespectador e atacá-lo, porém descarto essa ideia, justamente por conta de Philip.

Philip e Price chegam alguns minutos depois. Philip primeiramente vê Eacker, e ele logo vê que eu também estou ali. Ele franze mais o cenho quando me olha. Ele encara Eacker como se uma de suas intenções fosse provocar-me, e isso pesa em mim.

"Philip, não se atreva--"

"George!" ele grita, aproximando-se do camarote onde Eacker está "GEORGE!"

"SHH! Eu quero assistir ao show!" ele retruca.

"Philip, não faça isso!"

"Você deveria ter prendido a língua antes de falar do meu pai, sabia!?"

Eacker levanta-se de sua cadeira e agacha-se para poder olhar diretamente para Philip e Price. "Eu não disse nada que não era verdade. Seu pai é um canalha, e parece que você também é."

"O que você disse?!" Price pronuncia-se. "O real canalha aqui é você! Ele está certo! Era um 4 de julho, e não o 'Dia das Opiniões Que Não Interessam para Ninguém', seu Democrático-Republicano filho da puta, apoiador do Thomas Jefferson, desgraçado!"

"Parece que um patife atrai o outro." Eacker provoca, sério.

"Então é assim?!" Philip pergunta, quase que espumando.

"É, eu não sou de brincadeiras. Não sou seus amiguinhos da escola."

"Bem, te vejo na área de duelos!"

Oh, Céus!

"Isto é, a não ser que queria ir até lá agora!"

"Eu já sei aonde te encontrar, garoto. Dê o fora e pare de me amolar! Eu estou ocupado assistindo à peça agora."

Philip e Price viram-se e dão o fora dali, ambos tão raivosos que poderiam socar quem encontrassem.

"Philip! Eu te disse para--" começo.

"Você não tem o controle sobre a minha vida, Laurens!" ele retorque, afastando-se.

"Philip! Philip, você tem noção do que um duelo é?! É perigoso! Philip, não me ignore; eu sei que você pode me ouvir! Philip!"

N/A: Shit'll go down

Tomorow There'll be More of UsLeia esta história GRATUITAMENTE!