Capítulo 41 - Terna

14 5 2

Doriam entra em nossos aposentos com uma fúria que jamais vi. Deposito minha xícara de chá em cima da escrivaninha, ao mesmo tempo que fecho o livro que estava lendo, uso como marcador uma fita de cetim azul com uma joia verde em ambas as pontas. Ele bate as portas, e passa as mãos sobre o cabelo, esta resmungando coisas sem sentindo, e então como se finalmente me percebe ele se vira na minha direção e me fita, com o que parece ser raiva. Torço meus dedos, um tanto preocupada com seu comportamento eufórico.

-Não tem outro jeito Terna. –Ele diz.

-O que quer dizer? –Falo sem entender.

-Como assim, Terna? Tenho lhe falado de nosso plano, de traze-la para cá. –Ele passa os dedos sobre os cabelos raspados, seus olhos antes vinho, estão rosa. –Ivy se recusa a compreender...

Parece que levei um soco em meu estomago, ele se embrulha, e sinto um pouco de meu mundo desmoronar. Enfim as fofocas deste reino começam a ser relembradas em minha mente, fazendo cada vez mais sentindo, ele tem resmungado o nome dela nestes últimos dias, também não tem me procurado mais na cama. Dizem por aqui, que Doriam dava a entender que seria esposo de Ivy, mas não acreditei. Agora acredito, pois ali está meu marido a se debater e resmungar coisas sem sentindo sobre minha Irmã esperança.

-Nosso plano? Você tem agido estranho, está resmungando pelos cantos, não me procura mais, sem falar que vive fora de casa... Doriam, você está me escutando? –Falo com autoridade. Ele me olha confuso como se surpreendesse novamente com minha presença, tem feito muito isto também. Meu coração bate forte em meu peito. –Se acalme, me diga o que está acontecendo, estou preocupada com você.

Ele se aproxima e aperta meus braços. Dói mas não digo isso a ele, ele me chacoalha. Meus cabelos vermelhos balançam a medida que ele não me solta. Céus, este não é Doriam, o soberano gentil de sorriso fácil que me lembro. Quando olho naqueles olhos rosa noto o quanto ele está descontrolado, pois eles estão arregalados, e é como se meu marido não dormisse a dias, as olheiras em baixo de olhos são escuras.

-Como você é burra Terna! já expliquei tudo, ela quer ficar comigo, mas esta receosa por causa de meu irmão, pode ser que tenha medo dele, ou que tenha medo de magoar sua maldita irmã Depravação. –Grita ele. –Isto é culpa sua. Sua, e do seu dom devasso.

Não consigo segurar as lagrimas, elas riscam meu rosto, me cortando como cada palavra afiada de Doriam. Então ele me larga, respira profundamente, mas seus olhos notam as marcam arroxeadas que já estão se curando em minha pele, e surpreso ele recua assustado.

-Divindades. –Fala de olhos arregalados. Ele me olha e dá um passo em minha direção, eu recuo sem falar nada, Doriam passa os dedos por seu rosto, segurando na frente da face suas mãos ele respirando fundo. –No que estou me tornando? Terna, você precisa me ajudar, este ser sombrio está dominando minha mente, mas como sou determinação, eu consigo ter breves momentos...

Ele cai no chão e convulsiona, eu grito e corro até ele. Seus olhos estão abertos, e a cor dele se torna um castanho claro, sem brilho, é como se dentro de meu marido algo estivesse, apagando sua alma.

-SOCORRO! –Grito desesperada. Doriam começa a ficar pálido e sua respiração mingua a de um doente. –Não Divindades, por favor, ele não.

Me abraço a Doriam, quando Zun irrompe pelo quarto. Ele olha chocado para a cena, então o fito e digo com autoridade.

-Chame papai, é uma emergen... –Minha voz é tapada e sou empurrada para longe. Doriam está desperto, e me olha com desprezo. Pisco assustada e aliviada. Ele se senta, e com um gesto dispensa Zun.

-Jamais! –Ele fala, se aproximando e pegando em meu rosto, então o aperta. –Chame. O. Supremo... Estamos entendidos?

Confusa, concordo com um pouco de esforço devido sua mão. Aqueles olhos não são de meu marido, aquele soberano não é o ser pelo qual me apaixonei. Mesmo suas feições parem ter mudado. Ele levanta me deixando de joelhos. Eu sugo o ar para meus pulmões, não percebi que estava prendendo a respiração.

-Quero que chame Ivy, para este reino, diga que... diga que precisa de ajuda.

-Não posso ajudá-lo? –Pergunto. Ele se volta rápido para mim. –Doriam, Ivy tem que se poupar, ela... olhe é um segredo, mas ela está gravida e....

O mundo escurece quando sua mão atinge meu rosto. O mundo está girando quando abro os olhos, Doriam me fita sério, e neste momento tenho certeza que o que ele fez foi imperdoável, jamais poderei olha-lo da mesma forma depois disto, é abominável está agressão. Toco meu rosto e levanto com calma e serenidade, pelo menos é o que quero demonstrar.

-Com que direito? –Pergunto e ele sorri, um sorriso cruel. Escuto passos apressados vindo pelo corredor, e pela porta irrompe Ivy. Divindades, por quanto tempo apaguei? Uma hora? Duas? Ela corre até mim e me abraça.

-Irmã. –Ela me abraça tremendo. –Recebemos o chamado de Doriam, o que aconteceu? Está passando mal?

Como isto foi acontecer? Me volto para Doriam. Ele está de olhos fechados, concentrado. Então sinto, por que agora, também sou a soberana das trevas, ele está trancando as passagens de entrada e saída deste reino. É Tarde demais para alertar Ivy, mas Doriam esqueceu um fato.

Sim ele pode prender quem quiser neste reino, exceto a mim, e eu posso dê chavear estas mesmas portas. Quando ele abre os olhos, eles pousam sobre Ivy, que assim que enxerga aqueles olhos se aproxima de mim e coloca a mão sobre o ventre.

-Terna, o que aconteceu com... –Começa ela. E seguro sua mão brevemente, dando um pequeno aperto e soltando.

-Cale-se. Chegou o momento. –Diz Doriam com uma voz glacial. –Ou você fica neste reino comigo de boa vontade, e posso perdoar o fato de ter a cria de outro, ou lhe entrego a criatura que tem me ajudado.

Diz apontando para seus olhos. Exatamente como eu suspeitava, como fui tola em não alertar Fairy e Drakon. Então tem uma criatura influenciando sua mente e devorando sua alma.

-Nós, vamos garantir para que não fuja. Não é mesmo, minha querida? –Ele fala me incluindo e Ivy me olha com acusação. Eu ergo meu queixo me afastando um pouco de Ivy, como se concordasse com ele, para que assim ele não perceba meu plano.

I

Os Soberanos de GardiaLeia esta história GRATUITAMENTE!