Capítulo 38 - Doriam

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            A chuva torrencial continua por toda Gardia, contudo na floresta do ser sombrio é um clima que sempre prevalece, chego ao reino das trevas a noite completamente molhado e confuso.

- Senhor... – A semi soberana da lerdeza diz. – Sua esposa recebeu visita esta manhã.

- Quem veio? – Pergunto nervoso, um de nossos supremos poderia ter vindo? Teria sentido os poderes de Terna? Droga, tudo iria ruir antes mesmo de conquistar meus objetivos, mas eles não poderiam me condenar, nem Terna sabe o que tenho feito. A semi soberana a minha frente pisca seus olhos sonolentos. –Diga quem veio, criatura diminuta.

Ela dá de ombros, sem se importar com minha ofensa.

- A Soberana da Esperança. –Fala Lerdeza. Relaxo e meu coração bate forte com aquela informação. Teria Ivy vindo ver Terna ou a mim? Sei que ela sente minha falta, demonstrou isso durante o jantar, e agora que Ravi irá para longe é minha chance de conquista-la.

- Agradeço por me avisar lerdeza. – Digo agradecendo a lealdade de meus semi soberanos, apesar de dividir minhas funções com Terna, aqueles semi soberanos são totalmente leais a mim.

Vou para o quarto e quando atravesso a porta meu coração para, o cheiro dela está por todo o lugar, embriagando meus sentidos. Por todas as divindades, Ivy me enlouquece. Minha esposa está adormecida, tiro as roupas e deito ao seu lado, em meu travesseiro o cheiro da soberana que me pertence está ainda mais forte, inspiro o aroma de Ivy sorrindo, imaginando-a deitada em meus lençóis, adormeço sonhando com esperança.

Acordo com o barulho da chuva, com meus sentidos entorpecidos, percebo que Terna ainda dorme. Levanto devagar para não acorda-la, vou direto tomar banho e vestir roupas limpas, ansioso para ver minha bela soberana no supremo reino. Encontro Zun aguardando na porta.

- Zun, leve Terna tomar café com os outros semi soberanos. – Ordeno me sentindo um pouco culpado. – Depois mostre a ela as torres onde os semi soberanos desobedientes estão cumprindo castigos.

- Sim meu soberano. – Ele torce as mãos, levanto uma sobrancelha e aguardo Zun dizer o que o incomoda. – Sem querer desrespeita-lo senhor, mas tem certeza que é prudente leva-la até lá? Aquele lugar é o mais sombrio de seu reino.

- Minha esposa precisa conhecer o reino, afinal ela é a soberana daqui. – Respondo como se fosse óbvio, no entanto, mandar Terna para lá significa apenas que ela ficará perturbada, aquelas torres são realmente sombrias e as coisas que acontecem por lá, são terríveis. Pelo menos ela não reclamará de ficar aqui sozinha sem visitar o supremo reino.

- Sim senhor. – Zun assente.

- Vou sair Zun, vou a Gardia visitar os templos, avise minha esposa que virei jantar. – Digo para aplacar a culpa, afinal Terna não tem culpa de me amar, mas ela me afastou de meu verdadeiro amor.

Vou direto ao supremo reino, sem meu irmão Ivy estará à minha espera. Encontro-a na mesa do café da manhã comendo com voracidade um pedaço de bolo de chocolate, esperança sempre teve preferência por doces, enquanto Terna faz as refeições como uma verdadeira dama, Ivy faz caretas de prazer, quando uma Pousa traz um novo pedaço para ela.

- Doriam. – Ela sorri quando me nota. – Vai ficar só olhando? Venha se juntar a mim, acordei cedo para me despedir de Ravi, mas o sono me fez dormir e então voltei a acordar agora, enfim, tarde, e papai e mamãe não me esperaram para o café. – Ivy revira os olhos frustrada. Ela enfia outro pedaço de bolo na boca e fala. –como "fe" não "foubessem" que eu estaria "fistre for causa de Fari." –Então ela engole. –Ele saiu tão cedo...

- Nossos supremos têm muitas funções. – Repreendo-a gentilmente e sento-me ao seu lado. – Mas, jamais a deixaria sozinha.

A mesa está repleta de pães, bolos e sanduiches, o cheiro é delicioso, sinto falta de morar no supremo reino e tento me lembrar por que não voltamos ainda. Minha mente se confunde e uma dor aguda afunda atrás de meus olhos.

" Você voltará quando Ivy for sua companheira. "

A voz invade meus pensamentos, então me recordo que estou aqui para conquistar Ivy.

- Não gosto de comer sozinha. – Ivy comenta. – Estou feliz que está aqui.

- Também estou feliz de poder acompanha-la. – Digo galanteador enquanto encho uma taça de vinho. – O que pretende fazer hoje bela soberana?

- Vou treinar os soldados. – Diz Ivy sorrindo. – Sem Ravi eles vão achar que estão de folga, mas eles não me conhecem. – Ela ri e bate no peito, então tosse um pedacinho de bolo. – Opa, desculpe os modos. Enfim, quer me acompanhar?

Sorrio assentindo, Ivy realmente me ama e quer minha companhia.

- Soube que foi me visitar ontem. – Provoco-a, o sorriso que ela dirige a mim é deslumbrante. – Uma pena que nos desencontramos.

Ela toca meu ombro de leve, e volta sua atenção para uma jarra de suco, enchendo seu cálice.

- Claro, está difícil encontra-lo, você e Terna estão demorando muito nesta lua de mel, está na hora de voltarem para casa. – Fala ela revirando os olhos. Sorrio com aquele comentário, Ivy está demonstrando ciúme, minha bela é possessiva, não quer que eu fique sozinho com Terna.

-Tentarei me manter mais perto, para seu grado. –Ela pisca e da de ombros.

-Então obrigada. –Diz ela. Ivy me fita e se aproxima, seu rosto a poucos centímetros do meu. Sorrio e quando vou me aproximar ela interrompe. –Seus olhos estão vermelhos, digo, vermelho fraco, quase rosa...

Fico embaraçado, não entendo o porquê deles ficarem cada dia mais claro. Presumo que aquele ser sombrio tenha algo a ver com isto, no entanto não consigo lembrar de uma razão para este fato me deixar preocupado.

-Isto é normal. –Digo e então me aproximo mais dela. –não gosta?

-Não cabe a mim gostar. –Diz ela com naturalidade. –Talvez seja bom você ir ver Vikram, ele conhece umas infusões, sei que não ficamos doentes, mas pode ser um efeito colateral da união sua e da Terna.

Ivy pega meu braço conforma nos dirigimos ao centro de treinamento, ela chama atenção por onde passa por sua beleza e alegria, os semi soberanos sempre a cumprimentam com um sorriso, alguns param para conversar.

- Vocês pensaram que iam descansar né? – Brinca Ivy com os semi soberanos sentados conversando. – Vamos treinar, depois podemos relaxar e conversar, e também vamos almoçar juntos.

Avisa ela. Então lança para mim uma piscadela, e finalmente percebo, conforme os semi soberanos vão se organizando para treinar, que Ivy quer almoçar comigo, e está sem jeito de pedir. Ela é uma guerreira nata, aprendeu movimentos novos e os ensina, arrumando um ou outro semi soberano que não tenha intendido.

-Ousada, você não pode acertar dois semi soberanos que estavam lutando justamente, só por que seu par não aprendeu o movimento com rapidez, vamos lá Queixoso, ela não bateu tão forte assim. –Diz ela revirando os olhos.

Fico no supremo reino até o fim da tarde, aproveitando meu tempo com Ivy, os semi soberanos e ela foram a Gardia rezar em todos os templos e precisei bloquear com força as preces para Terna, mesmo sem vontade nenhuma me despeço de esperança com um beijo em sua bochecha, prometi que ia jantar com Terna afinal, e ela não deve estar se sentindo bem devido a visita nas torres e o fato de eu bloquear as preces dos gardianos

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