Capítulo 1

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Marshland – verão de 1346

Rosslyn ergueu os olhos e os fechou logo em seguida, quando um raio de sol forte se chocou contra eles. Piscou repetidas vezes até que clarão branco desaparecesse de sua visão e ela pudesse voltar a fitar o belo e vasto campo onde estava. A grama baixa, levemente áspera ao toque, com cheiro suave e familiar, em meio as mais variadas ervas e flores das mais diversas tonalidades e tipos, estendia-se além da linha do horizonte até uma colina ao norte. Era fim de tarde e o sol alaranjado que se punha vagarosamente tocava a pele num abraço terno.

Ajoelhada, a jovem colheu uma tulipa azul e a levou até o nariz afim de sentir o doce aroma da flor, assim como suas pétalas aveludadas. Perdeu-se alguns segundos, inebriada. Ah, é tão bom apreciar a beleza das coisas delicadas. Em um movimento gracioso ela colocou a flor no cesto que carregava em um dos ombros, param em seguida colher alguns ramos de alecrim.

Caminhar para colher flores e ervas era um dos passatempos prediletos de Rosslyn, a trazia paz e enchia seu coração com uma felicidade digna de poucos momentos. Ela poderia passar a tarde toda apenas sentindo com a ponta dos dedos a maciez das flores, ou ouvindo o som do vento que assobiava ao passar por entre elas. O vento... Apenas o simples toque da brisa em sua pele a fazia se sentir tão energizada, tão viva.

Rosslyn...

Um coelho branco saltou do meio das flores e com a patinhas pequenas se aconchegou no colo da dama.

Ela levou a mão às orelhinhas e acariciou-o entre elas. O pelo macio e suave era gostoso de tocar e o animalzinho se encolhia com a carícia.

Cuidado, Rosslyn!

O coelho saltou do colo dela e saiu correndo.

Um grito alto a fez virar a cabeça para o sul. O trotar do cavalo esmagando às flores e ervas pelo caminho quase fez Rosslyn se contorcer de dor. Colocou-se de pé, a fim de parar aquele bárbaro. Ajeitou o volumoso vestido pesado devido a armação e estendeu a mão para frente. Entretanto, antes que pudesse gritar e ordenar a parada do monstro, o cavalo branco continuou vindo em sua direção, galopando rápido como uma fera sem controle, esmagando as tudo por onde suas patas pisavam. O animal só parou diante da moça, erguendo-se sobre as patas traseiras, golpeou-a no peito, fazendo com que voasse contra o chão com uma força que a deixou sem ar. O relinchar do cavalo ecoou por toda a campina enquanto Rosslyn sentia a pior dor de sua vida. Caída sobre o chão, com os cabelos negros se misturando às flores e folhas sob seu corpo, estava imóvel, com os olhos semiabertos não conseguia mover nem mesmo os dedos dos pés ou das mãos. Ela tossia, numa ânsia por recuperar o ar que fora roubado de seus pulmões pelo golpe forte. Cada parte do seu corpo latejava e doía como se seu peito estivesse sendo prensado numa intensidade que Rosslyn julgava ser incapaz de suportar. A dor latejava se irradiando para todas as suas extremidades.

Observando a silhueta embaçada e disforme do homem que desceu do cavalo, sem nem mesmo a força necessária para manter os olhos abertos, Rosslyn pensou que aquela não era a forma que imaginara morrer. Todavia a dor era tão forte ela não suportou por mais alguns muitos...

A moça piscou os olhos uma centena de vezes antes de abri-los. Embora seu corpo ainda estivesse dolorido, era grata por ao menos poder respirar.

- Oh, graças a Deus! Está viva.

Rosslyn viu um homem caminhar em sua direção, no momento em que se deu conta que estava deitada sobre uma grade e confortável cama, sobre lençóis macios e finos. Ele tinha os olhos azuis arregalados e emoldurados por enormes cílios negros. O rosto jovem de pele clara de quem tomava pouco sol, estava coberto por marcas de preocupação. Ele era alto, com cabelos negros até a altura dos ombros lagos, que pareciam tão sedosos que Rosslyn desejou poder tocá-los. Ainda que jamais o tivesse visto, foi como se o conhecesse há muito tempo, e as roupas bordadas à mão e cobertas por joias já diziam muito: Era O lorde Hian, o príncipe.

A misteriosa Lady Rosslyn (Degustação)Leia esta história GRATUITAMENTE!