Capítulo 37 - Ravi

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            Caminho rapidamente pelos corredores do reino com um papel na mão, é o chamado urgente de Drakon que Rex trouxe para mim. Sinto os poderes de Ivy com muita força dentro de mim e percebo que minha esposa usa meus poderes de coragem para se manter tranquila no reino das trevas, amaldiçoo todas as obrigações, queria estar com ela, protegendo-a das trevas que sugam os poderes de minha amada. Ivy tem me preocupado um pouco, ela tem dormido muito mais que o normal, será que está cansada devido aos cem anos que esteve sobrecarregada?

Bato na porta e entro na sala do Supremo Soberano, a lareira crepitando e meu pai sentado atrás da grande mesa de mogno, há uma grande mesa de bebidas com tudo que ele mais gosta e várias taças de cristal, o sol entra pelas janelas deixando o ambiente muito iluminado apesar dos móveis escuros, vejo somente um tapete branco próximo aos sofás escuros que possui uma cor clara naquele ambiente, tapete este colocado por Ivy quando ela reclamou com Drakon que a sala dele não tinha nenhuma cor mais clara.

- Ah Ravi. – Meu pai levanta os olhos e aponta para a cadeira em frente à mesa, sento-me nervoso diante de tal atitude, mas a esperança de que não seja nada demais é tranquilizante, o reino está cinzento, sinal de que o supremo soberano está aborrecido. –Sim, sente-se.

Drakon vai até a mesa de bebidas e serve duas taças de vinhos, voltando a se sentar, ele me entrega uma. Bebo um gole devagar, o vinho que ele guarda na sala dele é o melhor do reino.

- Recebi seu recado pai. – A ansiedade toma conta de minha voz. – E vim imediatamente.

- Fez bem meu filho. – Drakon suspira. – Mas o que tenho para dizer não é uma coisa boa, preciso de você, eu não pediria se não precisasse.

Drakon passa as mãos pelos cabelos raspados, acho estranho que parecemos não ter uma grande diferença de idade, já que o supremo é meu pai, contudo Soberanos são assim, eternos.

- O que há de errado? – Pergunto. Ainda com um fiapo de esperança que não seja nada demais. Divindades que não seja uma luta que me afaste de Ivy, ou qualquer outro problema que possa me levar para longe dela e estes dias perfeitos.

- Há um mundo chamado Colosso. –Drakon me encara pesadamente por um segundo. –Filho, é um mundo repleto de deuses, contudo eles não conseguem se livrar de uma ameaça sombria, somente um ser completamente de luz poderia derrotar tal criatura, por um momento pensei que talvez, fosse o monstro de Ivy. – Franzo o cenho preocupado com tal constatação e controlo a língua para não protestar. – Contudo, sinto que a hora ainda não chegou.

Relaxo na cadeira.

- Então se não é o monstro dela e precisam de um ser de luz... Você quer que eu vá? – Pergunto. Um nó se formando em peito, como falar isto para minha esposa?

- Veja bem, a relação que temos com esses deuses é muito produtiva, não consigo negar ajuda sem ofendê-los, eles têm poderosas habilidades de cura e nos ajudaram quando você e Doriam enfrentaram seus monstros tornando sua cura mais rápida e menos dolorosa. – Drakon está num estado de extrema reflexão, como se lembrasse de cada momento deste tempo. – Então, sim, meu filho, preciso que vá e derrote a criatura.

- Entendo, mas e Ivy? – Não consigo deixar de me preocupar com minha soberana.

- Ivy será protegida meu filho, vamos cuidar dela. – O supremo soberano suspira. – Vou contar o que sei sobre o monstro dela para que você não fique tão aflito e se concentre na batalha que virá...Está perto, mas ainda não é a hora.

- E quando vai ser? – Pergunto nervoso, estremeço só de pensar em Ivy enfrentando seja lá qual for o desafio, minha pequena delicada, linda e jovem, em frente a um desafio que pode faze-la sofrer, que pode machuca-la. Preciso protege-la.

- Só posso dizer que sinto o momento mais perto, será em breve, mas creio que dará tempo de ir e voltar Ravi. – As palavras de meu pai me acalmam um pouco.

- Então... Quando preciso partir? – A palavra partir me deixa tenso, não quero me afastar de Ivy, não posso deixa-la, mas, como posso negar um pedido do Supremo Soberano de Gardia? Os olhos do supremo ficam escuros de preocupação.

- Era para ser imediatamente, mas consegui que fosse no próximo amanhecer, sei que vai querer se despedir e ficar com Ivy. – Drakon sorri e concordo, sinto quando Ivy volta ao reino e tenho vontade de correr para os braços de minha amada. – Sim, também a sinto. Vá, e meu filho, cuide-se.

Saio da sala de meu pai e vou em busca de Ivy, chego ao nosso quarto procurando-a, minha esposa está deitada na cama encolhida, como se fosse dormir, ela me vê, os incríveis olhos dourados brilham, me aproximo e a beijo, é um beijo um tanto possessivo e desesperado, mas preciso dela, de seu toque, preciso sacia-la e aproveitar o máximo de tempo que temos juntos, adoro a entrega dela, Ivy se entrega completamente toda vez que a toco, arranco nossas roupas e em meio a gemidos demonstro o quanto a amo.

- Amo você minha pequena. – Sussurro em seu ouvido enquanto Ivy dorme aninhada em meus braços, não quero acorda-la, nem ir para longe dela, então aproveito aquele momento de paz.

Algumas horas depois esperança começa a se mexer em meus braços, beijo sua testa delicadamente e ela abre os olhos sorrindo.

- Minha bela adormecida. – Digo acariciando seus cabelos, suas pernas estão enroscadas nas minhas e sua mão acaricia meu peito. – Como foi a visita?

- Muito bem, vi Terna e ela está deslumbrante, parece mais leve e feliz. – Comenta ela. – Também estou muito feliz, eu amo você.

Diz ela sorrindo.

- Você me faz o mais feliz dos soberanos, amo você minha pequena. – Beijo sua testa novamente e acaricio suas costas. – Há algo que preciso lhe dizer, mas só vou dizer se você permanecer assim em meus braços.

- O que o preocupa? – Ivy franze a testa. Sinto seu coração palpitar de encontro aos meus braços.

- Drakon me chamou hoje, parece que no mundo de Colosso, foi tomado por um ser sombrio, e ele está atacando os habitantes lá, e segundo os deuses, amigos e aliados de nossos pais, eles precisam de um ser de luz para derrota-lo. –Seus olhos se enchem de compreensão e ela recua para longe de mim. – Ivy... O supremo soberano vai me enviar para esta batalha, posso acabar demorando alguns dias. – Resmungo. – Não queria deixa-la.

Ela pisca aqueles brilhantes olhos dourados. Vejo o reflexo de uma lagrima, mas ela afasta com um não e sorri. Aquele sorriso grande que aquece meu duro coração.

-Entendo. Vou sentir sua falta, mas entendo que você precise ir. – Diz ela compreensiva. Sua mão para brevemente sobre a barriga e se afasta.

-Preciso lhe contar que o Supremo achou que este, talvez fosse seu monstro. – Ivy fica tensa. – Relaxe, ainda não é este, por isso ele está mandando a mim.

- Então preciso demonstrar meu amor por você com todo o empenho, para que você possa aguentar a saudade e enfrentar essa criatura com a cabeça fria. – Ivy se ajeita sobre meu corpo, voltando a me beijar. – E desta forma volte correndo para meus braços.

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