VINTE E SEIS: DEREK

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Meu peito queima depois da grande caminhada, estou um pouco suado e com a respiração ofegante, queria poder estar assim, ofegante e suado, por outro motivo. Ainda sim estou feliz, feliz por estar longe de tudo e todos, próximo a única pessoa que me compreende nesse mundo, o Nicholas. Após deixarmos os três sacos de lado, chegamos a parte mais complicada: Montar a barraca. O primeiro passo foi abrir a caixa, rasgando ela com um pequeno canivete, o complicado é fazê-la ficar pé. 

— Se a gente não tiver calma, ela nunca vai ficar boa. — falo para o Nicholas que já está estressado por tanto tentar, talvez devêssemos ler as instruções. — Onde está o manual? — questiono, levando minha camiseta até a minha testa para limpar um pouco do suor que escorre. 

— Não é necessário, acho que encontrei o problema. — ele diz, removendo uma das peças da cabana, espero parado, olhando-o agir sozinho. Seus movimentos são rápidos, desencaixando e encaixando as coisas em lugares alternativos até que a barraca é fixada, melhor do que poderíamos imaginar. 

— Você é um gênio! — exclamo entre um sorriso largo.  — Salvador da pátria, agora não vamos precisar morrer por culpa desses mosquitos infelizes.  — falo entre batidas em meus braços, tentando me livrar dos mosquitos. 

Nicholas ri, concordando com a cabeça. 

— E então, o que faremos agora? — ele questiona, com as mãos na cintura, também com a respiração ofegante. 

— Logo vai anoitecer, acho que a gente poderia pegar uns galhos por aí pra montar uma fogueira e sei lá, conversar. — sugiro, tirando outro canivete do bolso, entrego ele para o Nicholas que destrava, fazendo a lâmina brilhante aparecer. 

— É uma boa opção, contanto que a gente não se distancie tanto da barraca. — ele responde, olhando para mim. 

— Tudo bem, você vai por trás da cabana e eu vou aqui pela direita, em dez minutos a gente se encontra, okay? — rodo o canivete em minha mão, já me distanciando. Nicholas confirma com um "okay" e então se afasta também.

O plano era ter chegado mais cedo, aproveitar o lago, trazer todos os nossos amigos e aproveitar a nossa noite de acampamento da melhor forma. Infelizmente as coisas não saiu como planejado, e eu só quero livrar o Nicholas da dor que eu sei que ele está sentindo. Meus pensamentos se alternam com rapidez; Nicholas, Kimberly, Alison, Nicholas, Nicholas, Yuna, Gravidez, Justin, Yuna, Nicholas, Gravidez, Yuna, Adam e Nicholas, sempre o Nicholas.
Respiro fundo, tentando convencer a mim mesmo de que tudo vai ficar bem, eu rezo pra que fique.

Em ambos os lados, a floresta é preenchida por árvores gigantes, cobrindo a maior parte do céu. O som dos animais é algo que vai cessando com o tempo, com o chegar da noite, quando o sol nos auxilia com seus últimos raios, já fracos. O chão é uma mistura de terra marrom e gramado, recolho todos os galhos que encontro no percurso, removendo alguns das árvores que consigo alcançar. O suor escorre por minha nuca, adentrando minha camisa que já está grudada em minha pele. No celular, olho quantos minutos faltam para que eu precise retornar, cinco.
E sem sinal.

**

Avisto o Nicholas abaixado de costas, juntando todos os galhos que encontrou, tento fazer o máximo de silêncio que consigo, na intenção de assusta-lo quando eu estiver o mais perto possível. Esfrego minhas mãos no jeans, tentando me livrar do nervosismo. 

— NIIIICHOLASS! — grito um pouco alto demais, ele treme, se virando rapidamente e desferindo um soco na minha perna. — Aí! 

— Ficou louco!? — ele grita de volta, socando meu peito. — Eu poderia ter morrido, você é mesmo um babaca, Derek. — ele prende o riso enquanto eu não consigo me controlar, tendo dores da minha barriga. 

— Meu Deus, você precisava ver a sua cara, ficou tão assustado. — falo entre o riso, percebendo a cara seria que ele me apresenta. 

— Não tem graça, Derek! — ele puxa os gravetos da minha mão, jogando-os no chão junto aos seus. 

— Teve sim! — apoio as mãos nos joelhos, respirando fundo. 

— Você deveria tomar um banho, não acha? — ele muda de assunto, irritado.

— Está anoitecendo. 

— Eu não sei você, mas eu não vou dormir suado. 

— Você vai para o lago? — questiono, passando meus cabelos bagunçados para trás. 

— Obviamente. — ele revira os olhos, começando a caminhar. 

— Espera, eu vou com você. 

— Toalha? 

— Vai na frente, eu levo.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!