Capítulo 1

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- Padre Normans, eu gostaria de me confessar. – Disse mantendo a calma.

- O que você fez?

- Eu, eu matei uma pessoa.

***

Depois de perder a minha casa própria por problemas econômicos que envolveram a minha família, decidi sair da minha cidade natal e ir em busca de um futuro em que eu não dependesse de mais ninguém, nunca mais.

Quando cheguei em Corúnea senti algo diferente na cidade. Era como se fosse o meu destino encontrar esse lugar. Consegui um emprego e depois de alguns anos eu consegui me estabilizar, comprar um imóvel e abrir uma loja de suvenir.

Economizei cada centavo. Não comprava nada supérfluo. Trabalha o dia todo e a noite eu ia para casa cuidar das finanças e depois assistir TV até dormir. Um dia recebi o telefonema da minha mãe, pedindo dinheiro para comprar remédios, pois ela estava muito doente. Sabendo como ela é aquilo poderia ser um golpe e eu não iria cair. Desliguei o telefone e no dia seguinte mudei o número da linha.

Tudo estava prosperando e indo bem, até que apareceu um concorrente na cidade. No início aquilo não me abalou, mas com o passar dos meses o caixa da loja começou a baixar até que chegou ao ponto de não fechar.

Passei a economizar dinheiro com comida e cortei tudo que podia. Eu precisava que entrasse dinheiro na loja. Eu preciso de essa conta bancária cresça. Não serei um fracasso!

Eu tentei inovar, trazer produtos diferenciados e lançar promoções, mas o concorrente estava sempre dois passos na minha frente. Eu vi a luta de uma vida começar a se desfazer.

Em uma noite, depois que saí da loja, fui ao bar beber para esquecer os problemas. Depois de algumas doses de whisky eu já não estava no meu estado normal. Minha cabeça só girava em como eu iria conseguir o meu posto novamente.

Alguns minutos depois, o dono do novo estabelecimento entrou no bar com duas garotas lindas. Sentou no bar e pediu para o barman trazer o que tivesse de melhor na casa.

Cada movimento do cara me enchia de raiva. Cada palavra dele fazia pulsar ódio em meu coração. O homem ainda teve a ousadia de mandar entregar uma bebida por conta dele para mim.

- Um brinde ao poder! – Ele gritou apontando o copo de bebida em minha direção.

Quase eu pulei nele e cometi um assassinato. Mas já estava bêbado demais para isso. Os dois filhos do empresário chegaram, deveriam ter no máximo trinta anos. Um deles estava impaciente e com um olhar de raiva.

Fui ao banheiro e quando estava lavando as mãos um dos filhos dele entrou no banheiro e foi em minha direção.

- Você é o dono daquela loja de conveniência, né?

- E daí? Vai tirar com minha cara também?

- Não cara. Eu sei que você está passando por problemas financeiros.

- Como assim?

- Boatos de que você está na merda.

- Quem disse isso?

- Isso não importa. Preste atenção. – Ele se aproximou mais. – Eu e meu irmão precisamos de alguém para fazer um serviço para nós.

- Que serviço? Por que você não pede aos seus funcionários? Me esqueça. – Comecei a andar em direção a saída.

- Envolve muita grana. – Parei no mesmo instante.

- Quanto?

- Muita. Mais dinheiro do que você já ganhou na vida.

- Qual é o serviço?

- Preciso que você mate o meu pai.

- Você só pode está querendo me tirar como otário. Achando que vou cair nessa palhaçada. Eu estou bêbado, mas não sou idiota!

- Vai recursar?

- Por que você iria querer seu pai morto?

- Não é da sua conta!

- Vou embora.

- Pegue o meu cartão e ligue quando decidi. Dou uma semana, caso contrário, irei procurar outra pessoa.

Por mais que a proposta parecesse uma brincadeira comigo, eu vi a ganancia e raiva nos olhos do cara. O dinheiro que ele ofereceu poderia garantir uma vida estável para mim e minha futura família, mas eu não poderia matar uma pessoa.

No dia seguinte, recebi uma carta do banco falando sobre os problemas financeiros e dívidas da loja. Eu surtei, o fim estava próximo. Passei o dia pensando, refletindo, mas não encontrei uma saída.

Já que eu estava fodido, me sujar mais na lama não teria problema. Peguei o cartão e liguei.

- Eu sabia que você ligaria.

- Onde e quando?

- Hoje a noite ele estará sozinho em casa. Desligarei o sistema de câmeras e deixarei uma arma na palmeira, na entrada da casa.

- Que garantia eu tenho?

- Metade do dinheiro estará em uma mochila em cima da mesa da sala. A outra metade você encontrará na entrada da sua casa depois de executá-lo.

- Ok. – Ele desligou o telefone.

Não parei para pensar nas consequências, mirei no prêmio e fui. Tudo a aconteceu muito rápido. Peguei a arma na entrada da casa, a porta estava aberta. Vi a mochila com o dinheiro na sala. Abri para conferir e quase gritei quando olhei tanto dinheiro.

A casa estava com as luzes apagadas. Apenas um cômodo estava com luz. Subi as escadas e depois de passar por um corredor, encontrei o empresário deitado no sofá assistindo TV.

Eu me viu, levantou assustado, eu atirei, ele caiu gritando por socorro. Eu atirei novamente e mais uma vez. Outra vez e de novo. Até ele parar de se mexer. Peguei a mochila e sai correndo para casa. Peguei a outra mala na porta de casa e entrei. Pensei em fugir da cidade, mas acabei dormindo depois de virar uma garrafa de whisky.

Acordei atordoado, vendo a arma na mesa da cozinha e o dinheiro espalhado no chão. Gritei de alegria, pirei, gritei de medo. Gargalhei de desespero. Chorei de raiva. Xinguei muito. Levantei e decidi fugir da cidade, mas antes eu precisava fazer uma coisa.

- Preciso falar com o Normans.

Avareza de BartolomeuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora