Sensação de vazio. Era tudo o que conseguia sentir naquele momento dentro do carro de Natasha. Sabe quando você para e pensa: Que merda acabei de fazer? Então, era exatamente isso que se passava na minha cabeça. Eu estava voltando direto para os braços dela, onde jurei nunca mais estar. E agora estava indo morar na alameda 505, onde ficaria por tempo indeterminado. O engraçado era que eu ainda gostava dela. Sim, podem me entregar o meu diploma de trouxa, eu o mereço mesmo, mas não a amava como no começo. Não me via mais casando com ela e construindo uma família feliz, e nesse exato momento estávamos indo direto para isso. Um enorme casamento no qual não via a hora de não chegar. Não era a questão de não querer casar, só era que dessa vez eu não estava preparado para isso. Na verdade não estava mais preparado para nada na minha vida já tinha algum tempo. Se nada do que passamos tivesse acontecido, eu ainda adoraria Natasha com as mãos envolta de meu pescoço, dizendo que me amava. Para ser sincero, consigo me lembrar da última vez que aconteceu, e como gostei disso. É triste de se pensar. Mas era essa a minha realidade.

Para completar o meu desespero, toda a hora que eu fechava os olhos via Mike chorando, me pedindo para falar a verdade, essa na qual não iria admitir mais nem para mim mesmo. Mas vê-lo daquele jeito, chorando enquanto praticamente implorava para que eu não fosse embora, me fazia desmoronar, e não tinha nada que pudesse fazer. Pois minhas decisões já tinham sido tomadas, e não ousaria machucar meu melhor amigo mais do que já fiz até hoje. De qualquer forma não o mereço, sabia disso, e sabia de tudo o que fiz para ferir seus sentimentos mesmo sabendo que Mike é sentimental e que fica facilmente magoado. Sei que fui o diabo, e se dependesse de mim, continuaria assim por longo tempo até que conseguisse me livrar de tudo que estava dentro do meu peito. Bem, pelo menos esperava que fosse assim.

Meus olhos finalmente deram conta de onde estava quando Natasha chamou minha atenção, me despertando de meus pensamentos. Forcei um sorriso, então ela me ajudou a sair do carro. Minhas pernas já começavam a ficar melhores, as vezes eu senti alguns toques nelas, e isso era ótimo. Entramos na casa que era de seus pais, e sua mãe estava lá, com um sorriso enorme nos esperando.

– Pensei que não viriam hoje. – Disse se aproximando e me dando um abraço apertado. – Senti tanto a sua falta. – Comentou me dando um beijo em minha bochecha, e depois alimpando por ter marcado o local de batom.

– Também senti sua falta, Verônica. – Segurei suas mãos. – Como tem passado?

– Bem. – Falou olhando rapidamente para sua filha. – E você, querido?

– Bem também, na medida do possível. – Tentei ser agradável.

– A conversa de vocês está ótima, mas quero saber se o juiz já chegou com os papeis. – Olhei para Natasha quando ela disse aquilo. Que juiz?

– Sim, ele está no escritório. – Sua mãe torceu os lábios ao responder.

– Ótimo. – Bateu as mãos no ar. – Então vamos logo, estou ansiosa.

Antes deu reivindicar qualquer coisa Natasha já foi empurrando minha cadeira em direção ao escritório. Sua mãe foi andando na frente e abriu a porta nos dando passagem. Assim que entramos o juiz nos cumprimentou de forma cordial. Então Nat me explicou o que ele tinha ido fazer ali. Ele tinha trazido papeis para que assinássemos, para mandar para o plano de saúde dela que estávamos em uma relação estável, e assim eu ser incluso nele. Veronica ficou o tempo todo ao nosso lado, olhando para os papeis em cima da mesa conforme fôssemos assinando eles.

– Bem, depois que Lex ficar bom vocês precisam se casar na igreja. – Veronica falou enquanto se sentava no sofá, com um sorriso enorme no rosto.

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