Capítulo 33 - Ivy

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            O dia nasceu com enorme brilho, o azul do céu está resplandecente, um vento calmo e gostoso bate nas janelas, assobiando entre as frestas do supremo reino. Contudo uma angustia sem tamanho assola meu peito, Ravi saiu ontem à noite em direção as montanhas nos limites de Gardia, há suspeitas de que um ser sombrio está atraindo e destruindo gardianos. Acabamos tendo nossa primeira discussão, e depois de muito tempo conversando acabei cedendo, e deixando-o ir sozinho. Meu marido protetor não aguentaria me ver ferida.

Entretanto essa proteção me desanima, ele não percebe a mulher guerreira a qual me tornei? Reviro meus olhos enquanto me visto. Ravi e eu teremos que conversar sobre essa mania possessiva e super protetora dele, sinto-me satisfeita ao saber que se preocupa comigo e me ama, mas sou uma soberana. Por todas as divindades, resmungo ao ver um bilhete pedindo que me cuide. Caminho em direção ao portal para Gardia, vou aos templos de coragem e esperança, cumprir nossas obrigações. Agora que somos casados dividimos nossos templos.

O templo dedicado a mim está divino, e como sempre está repleto de flores coloridas, velas aromáticas, e uma mesa com um bule de chá quente, as sacerdotisas mantém o ambiente limpo e arejado e o chá sempre quente, mas noto as diferenças, pequenas espadas de madeiras ao lado das flores, mapas e velas azuis, e perto de meu chá vejo uma jarra de vinho. E ali no centro onde o sol entra e iluminava minha estátua noto outra coberta com um véu azul do lado, é maior que a minha, e retirando véu sei que é Ravi, eles o fizeram a observar a minha estatua com admiração, os feixes de sol iluminam ambos os rostos, ao me aproximar e notar as poeiras flutuando entre a luz a frente de nossos rostos aprecio a delicadeza de nossos traços, nunca vão captar os olhos de meu amado, assim como ninguém consegue captar os fios de meus cabelos espelhados.

Entre nossos dedos os gardianos prendem fitas de preces, me direciono até elas, como sempre faço, e claro, começo pelas preces das crianças, que são as criaturas mais puras depois dos animais, os pedidos dos pequenos me fazem sorrir.

"Querida esperança, estou doente e não posso sair para brincar, por favor me dê esperança que vou melhorar".

-Melhore pequenino. –Minha voz soa distante, e um fio prateado minúsculo deixa meu corpo para encontrar o menino. A primeira prece atendida é sempre abençoada.

"Minha soberana preferida, por favor, dê esperança para mamãe vender todas as frutas e fazer uma festa de aniversário bem bonita pra mim".

-Que sua mamãe, receba a graça de esperança.

"Esperança, você é linda, amo você".

Leio também as preces dos adultos, e as atendo. Estas são mais duras, pedem boas colheitas, saúde, e dou meu melhor para chegue a eles minha benção, rezo pelos meus gardianos e vou em direção ao chá. As sacerdotisas sempre ficam muito contentes quando tomamos o chá que elas oferecem.

- Olá bela esperança. – Me viro rapidamente ao ouvir a bela voz, e enxergo contra a luminosidade do sol uma velha senhorinha na entrada do templo. Os cabelos dela são longos e brancos, o sorriso é gentil, e antes que eu possa falar qualquer coisa, ela entra e acaricia meu rosto. A mesma voz domina meus pensamentos.

"Os dados foram lançados

Seu destino foi traçado

Em breve seu inimigo será revelado

E terá que ser derrotado

Se fortaleça, lute e vença

Cuide do que é seu

Os Soberanos de GardiaLeia esta história GRATUITAMENTE!