VINTE E QUATRO: NICHOLAS

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Quando finalmente acordo, já entardeceu. Evito pensar na Kim, mas ela é a única pessoa que vem em minha mente. Ainda grogue de sono, me levanto da cama. Em minha mesinha de estudos está o meu celular, repleto de notificações, a primeira é do Derek. 

Derek: Nicholas? como você está? 

Ignoro, passando para a próxima que é da Kim. 

Kim: Me desculpa, Nicholas. 

Kim: Eu realmente precisava fazer isso, precisava do dinheiro. 

Fico relutante entre responder ou não, mas respondo. 

Nicholas: Existem outras formas de se conseguir dinheiro, Kim.

A mensagem chega no celular dela, mas não recebo resposta alguma, sendo assim, torno a bloquear meu celular e deixa-lo sobre o mesmo lugar. Relutante, caminho em direção ao banheiro onde me dispo para uma ducha bem tomada e realmente necessária.

Saio do banheiro ainda com alguns resquícios de água por meu corpo e cabelos, não contei quantas vezes desliguei a água somente para encostar minha cabeça nas pastilhas azuladas, mas sei que foram muitas. Em meu armário tiro uma cueca comum, seguida de uma bermuda jeans e uma camiseta na cor branca de mangas longas. 

— Ótimo! — digo à mim mesmo enquanto me olho no espelho do banheiro, agora já vestido e com os cabelos devidamente penteados.   

De volta ao quarto, percebo novas notificações chegando em meu celular, são da Kim. 

Kim: Você diz isso porque tem tudo, sempre teve. 

Kim: Você é de uma família rica, se acha um amigo tão bom mas sequer pensou em comprar o carro para o Derek, apenas aceitou o desafio porque sabia que isso iria aproximar vocês dois da forma que você sempre quis. 

Kim: Eu não sei porque insisto em você. 

As palavras pesam, não por vim da Kim, mas por fazerem sentido. Eu realmente poderia ter comprado o carro para o Derek, realmente poderia.. não sei, tentar ser um amigo melhor ao invés de aceitar um desafio somente para beija-lo de forma falsa. 

Nicholas: Ao contrário do que você pensa, Kimberly, eu jamais tive tudo o  que eu quis e embora eu pudesse comprar o carro para o Derek, qual graça teria conseguir algo à base do dinheiro sendo que eu poderia conseguir de graça? 

Nicholas: Você insiste porque quer, já mandei me esquecer. Será que não tem ninguém para você praticar um oral por aí? acho que você tem o número do Justin, me esquece. 

Clico em enviar embora eu não queira, magoar a Kimberly é algo que eu nunca desejei. 

Kim: Vai à merda, Nicholas!

Ignoro sua resposta, retornando à conversa do Derek. 

Nicholas: Oi, estou sim. O quê foi? 

Não preciso esperar para obter uma resposta dele. 

Derek: Estou com a chave do carro e com as 500 pratas, arrume-se, vamos acampar. 

Nicholas: O quê, agora!?

Derek: É sexta!

Nicholas: Devemos chamar os outros? 

Derek: Você quer? depois de tudo o que aconteceu? 

Nicholas: Eu só chamaria a Alison.. 

Derek: Esquece ela dessa vez, vamos nós dois, precisamos conversar sobre assuntos que devem morrer conosco. 

Nicholas: Tipo?

Derek: Eu e você, você e a Kimberly, eu e a Yuna

Nicholas: Certo. 

Derek: Te encontro em 20 minutos na porta da sua casa, leve coisas para acampar. 

***

Quando desço as escadas em direção à sala, encontro o Derek sentado no sofá junto aos meus pais, conversando. Carrego em minhas costas uma mochila repleta de coisas, desde roupas até um kit de primeiro socorros que a minha mãe me obrigava a levar para qualquer tipo de lugar. 

— Ah, olha ele ai! — minha mãe diz, anunciando minha chegada, ela sorri, ficando de pé para vir até a mim, na escada. — Estávamos conversando sobre você, quer dizer, sobre vocês dois. — ela confessa, passando um dos braços por meus ombros, me fazendo andar ao seu lado. — Agora que vocês estão no último ano, já devem pensar na faculdade não é mesmo? O Derek estava falando sobre a Fallwour, acho que é um ótimo lugar para vocês dois. — ela admite. 

Concordo somente com a cabeça, desviando meu olhar do meu pai para o Derek. Ele está encostado no sofá, usando uma camiseta sem mangas na cor vinho e uma calça jeans comum, em seus pés estão uma sandália. Meu pai, por outro lado, está com o uniforme do emprego; terno e gravata e um sapato social. Um dos seus braços está pousado no ombro do Derek, dando tapinhas como se dissesse: Isso mesmo, filho. 

É algo que eu nunca reparei, meus pais tratam o Derek como um filho, talvez por nossa longa convivência, não me importo com isso, é bom saber que acontece.   

— O Derek me falou que vocês vão acampar. — meu pai interfere. — Ah, eu amava fazer isso com os meus amigos e com a sua mãe, era tão divertido. — ele sorri, olhando para a minha mãe. — E vocês dois, vão levar alguma menina também? — questiona, desviando o olhar para o Derek, tendo uma das sobrancelhas erguidas. 

— A gente ia em grupo. — respondo por ele, me afastando da minha mãe. — Mas aconteceram algumas coisas e talvez seja melhor irmos sozinhos, programa de irmãos. 

Meu pai concorda com a cabeça. — Certo, eu só não quero que vocês dois se distanciem tanto, entendido? Celulares ligados, se estiverem sem sinal, assim que recuperar nos envie uma mensagem. — ele olha para mim primeiro, depois para o Derek novamente, ambos concordamos. 

— Nicholas, está levando o kit de primeiros socorros? — minha mãe pergunta antes que se esqueça, visivelmente preocupada. 

— Acho que isso não é necessário, tia. — Derek finalmente diz, esfregando suas mãos sobre a calça, uma mania que ele tem há muito tempo. 

— Claro que é, Derek, o que vai acontecer se alguém cair e se machucar? — ela cruza os braços, olhando séria para ele. Derek não responde, se dando por vencido. — Viu? —  minha mãe retruca. — Tenho razão e além disso eu só me preocupo com o bem estar de vocês.  

— Ok mãe, a gente já entendeu.. — suplico. — Agora a gente pode ir? — junto minhas mãos como se fosse fazer uma oração, olhando para ela. 

— Tá, tudo bem. — ela tenta esconder o riso, se aproximando de mim para selar a minha testa, depois faz o mesmo com o Derek e então se afasta. — Juízo, eu amo vocês. 

— Derek? — meu pai chama quando finalmente nos aproximamos da porta. 

— Sim, tio Richard? 

— Entre vocês dois, você sem dúvidas é o mais responsável, cuide do Nicholas. — ele pede, piscando para nós dois. Tenho vontade de socar o braço do Derek quando ele ri, olhando para a minha cara. 

— Não se preocupe tio, eu sempre cuido. — ele responde e eu sei que é verdade, embora nossas desavenças, o Derek sempre cuida de mim, assim como eu também cuido dele.  

Notas: Oi meninxs, tudo bom com vocês? Eu preciso saber o que vocês estão achando da história, portanto, deixem seus comentários aqui (por favor?) e não esqueçam de votar clicando na estrelinha aqui em baixo, obrigado e beijão.

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