ONZE: PEGANDO FOGO

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Aparentemente, a noite era sempre animada na sede dos cafetões. O puteiro era um entra e sai de gente, mulheres de roupas ousadas e homens de todos os tipos, alguns parecendo um pouco incertos, outros tomados pela bebida.

Eu devia ter perguntado à Lis sobre um plano decente, mas a verdade era que gostava de fazer tudo em cima da hora e improvisar. Antes, esse luxo havia me custado caro, porém me sentia extremamente pronta para o ataque agora, então tentei respirar fundo e relaxar, pensando na melhor forma de abordagem.

Poderia entrar e dizer que queria passar a noite com uma mulher, mas não estava ali para observar - não mais. Minhas perguntas principais estavam respondidas, sabia quem eram os culpados e eu queria acabar com a raça deles.

Qual seria a melhor forma de entrar em contato com eles?

Na minha mente, haviam duas opções. A primeira era procurar alguém que estivesse como responsável pelo bordel e pedir para falar com o cafetão com alguma história sobre eu querer começar a trabalhar ali. A segunda era simplesmente dar sopa até que um daqueles três passasse por ali e quisesse me enfrentar novamente.

Como a segunda opção tinha mais a ver com acaso e sorte, optei por entrar no estabelecimento com a minha mais sedutora caminhada. Tinha certeza que todo mundo ia notar a minha entrada triunfal e quase caí de quatro ao reparar que ninguém sequer tinha virado o rosto para me ver entrar. Suspirei, cansada de não ter minha beleza estonteante valorizada, mas poderia superar aquele baque. Estava quase pensando em um novo plano quando uma mulher morena, vários centímetros mais alta que eu, apareceu em minha frente, bloqueando meu caminho e me puxando para um canto.

- O que você pensa que está fazendo? - Ela perguntou.

Fiz cara de nada e dei de ombros, fazendo careta. Não fazia ideia do que estava fazendo. Ao menos não poderia dar a resposta verdadeira.

- Ahn... - Foi minha resposta.

Eu tinha uma dicção muito boa e sabia lidar com a pressão muito bem, mas aquela era uma situação hostil, afinal, não era todo dia que a gente entrava em um puteiro para dizer que quer ser puta.

- Você está querendo morrer? É isso? - a mulher me disse.

Opa. Pisquei longamente, finalmente tirando os olhos dos gigantes seios da mulher e encarei seu rosto; reconheci-a imediatamente e quis me jogar de uma ponte por não ter notado anteriormente: era Loren, que me fizera a ligação direta em meu carro para que eu voltasse para casa depois do fiasco da minha empreitada. Ela me reconhecera imediatamente quando eu entrei no bordel e me arrastou para o canto para me proteger. Isso significava que os caras estavam por ali.

Girei meu rosto, esticando o pescoço, procurando por algum sinal, mas havia muita confusão na entrada do bordel, muitas mulheres seminuas e homens babando e tropeçando um nos outros para escolher a melhor. Aquele deveria ser o melhor bordel da cidade e, mesmo assim, fedia a mijo, suor e porra.

- Aonde eles estão? - Rangi os dentes, pronta para o ataque.

Tinha perdido o meu mês só para dar um safanão naqueles otários e mal via a hora. Loren, ignorando minha animação, tinha a maior cara de velório de todo o mundo.

- Você é louca - disse. - O que está fazendo?

Perguntei-me se poderia confiar em Loren e acreditei piamente que sim. Se ela quisesse o meu mal, teria me abandonado ao relento no momento em que nos conhecemos. Ela parecia ser uma boa pessoa e, apesar de ter medo de me contar tudo o que sabia por causa da possível retaliação, não negaria a ajuda.

- Preciso encontrar uma documentação - expliquei. - Que ligue qualquer moça desaparecida aos seus chefes. Eles devem ter um escritório ou coisa assim, não?

[HIATUS] A Caçadora de CanalhasLeia esta história GRATUITAMENTE!