Capítulo 31 - Terna

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Passou uma semana, Doriam é gentil, mas não voltamos para o supremo reino, e tenho saudade da biblioteca. Noto que meu marido está me poupando, ele absorve meu poder para que eu não precise lidar com as preces impuras, assim, as vezes ainda ouço as preces para paixão, o que me faz questionar o porquê disto.

-Você é filha de divindades. –Fala pela terceira Doriam. –Acho plausível que tenha vindo com estes dois sentimentos. Minha esposa é abençoada.

Ele diz isto e me beija, mas quando volto a falar sobre irmos visitar Fairy e Drakon ele recua.

-Por que isto? São nossas núpcias, quero você apenas para mim. –Essa frase me derrete. Doriam é um amante incrível. Não tenho com o que comparar, mas suspiro por ele. Agora mesmo observo seus músculos e gominhos do abdômen enquanto veste sua camisa negra. –Devo sair. Mas volto ao anoitecer, pode conhecer um pouco do meu castelo, digo, nosso castelo, ninguém vai importuna-la.

-Não posso ir... –Começo a falar, mas ele me interrompe.

-Não. –Ele diz, seus olhos cor de vinho me olhando em tom de alerta. Então ele se aproxima e me beija. –Divindade, você é um vício.

Rio destas palavras, virou nossa brincadeira. Ele fala que bebe de meu poder, e eu permito, pois jamais quis aquelas preces depravadas, é estranho dar o nome correto ao que sou. Minha bochecha volta a esquentar. Não gosto de como a palavra soa. Depravação.

Todos os dias ele me deixa para ir a Gardia, diz ter negócios a fazer, e a noite vem esquentar nossa cama. É agradável viver com ele, mas muito diferente do que pensei ser, imaginava nós convertendo mais semi soberanos para a luz, essa é nossa meta afinal. Contudo a tempo para isto, não é mesmo?

Caminho por nosso castelo, vou atrás da biblioteca daqui, demoro a encontrar pois se encontra muito longe de nossos aposentos. A biblioteca é uma grande sala com livros que vão até o teto, suas lombadas parecem ter um toque sombrio, e ao me aproximar me choco com as informações dali. Alguns destes livros foram escritos por semi soberanos das trevas, de como usam seu poder para ter mais poder. Vou passando os dedos pelas capas de couro, sentindo o aroma de folhas e encadernações velhas. Encontro um de meu interesse.

-A longa volta para a luz. – Leio, é um livro com páginas arrancadas, portando procuro outro exemplar e por sorte encontro. No supremo reino li muito sobre o assunto, afinal era minha meta viver neste reino e levar os semi soberanos daqui para a luz. Mas fico admirada em ver o sumario, a coisas aqui que não aprendi no supremo reino. Me sento e começo minha longa leitora. –Primeiro capítulo, o consumo das trevas.

O capitulo conta de como permanecer neste reino consegue nos deixar doentes, os gardianos que seguem os semi soberanos que antes eram da luz acabam por vezes, eliminando a própria família. E infelizmente esta devoção ao semi soberano o deixa mais forte.

O tempo passa rápido, já é quase noite quando escuto um movimento atrás de mim.

-Minha senhora Soberana. –Diz um semi soberano, olho para trás, seus olhos são caídos e escuros, ele está magro, ossos da face afundados, roupas negras puídas, cabelos ralos. Ele vê a confusão em meu rosto. –Devo me apresentar, sou semi soberano da Apatia, me chamo Zun. Vim lhe avisar que nosso soberano vai se ausentar para o jantar, e... se você desejar, se for de seu interesse.

-Será maravilhoso cear com vocês. –Digo levantando e tirando o pó dos livros de meu vestido verde. Doriam adora esta cor em mim. –Vou me aprontar, que horas será nosso jantar?

Noto que seus ombros ficaram mais eretos, ele sorri. É um sorriso um tanto amarelo.

-Em uma hora. –Fala. Concordo e pego o livro da mesa.

-Posso levar estes livros para fora da biblioteca? –Pergunto. Ele fica espantando com pergunta. –Se ter problema...

-Tudo aqui é seu. –Zun fala. Então pega os livros que separei durante a leitura. –Vou leva-los até onde desejar.

Coro com toda aquela gentiliza, talvez fosse preconceito, mas não lembrava dos semi soberanos daqui serem gentis, mas é como o capítulo cinco explicou, alguns semi soberanos só queriam ser notados.

Me junto aos semi soberanos que são permitidos morar no castelo. Chego ao salão de jantar e busco um lugar, mas Zun faz questão de apontar a cadeira da ponta da mesa. Caminho até lá com confiança e sento-me. Tudo que aprendi se deriva aos livros, no supremo reino ficava preocupada demais com os gardianos e suas preces para me ocupar em conhecer os outros semi soberanos, e agora entendo por que para Ivy foi mais fácil. O único sentimento que escuto dentro de mim é Paixão, ele é reconfortante e amo a maneira como os Gardianos se entregam de corpo e alma a seus amantes. Sempre que escuto suas preces de paixão, é como ter algo que amo perto de mim.

O jantar é repleto de boa comida e bebida. Bebo um vinho enquanto o silencio se estende pela mesa. Zun sentou ao meu lado direito e noto como outros semi soberanos observam nossa interação.

-Obrigado por me convidarem a esta ótima refeição. –Elogio. Seus rostos viram em minha direção. Fico surpresa ao notar tantos olhos escuros, eles piscam e alguns continuam a mastigar, os talheres batem e mais avante uma semi soberana se engasga com seu vinho. –Seria improprio pedir que este convite se estenda as próximas noites?

O silêncio permanece até ouvir uma fungada. Uma semi soberana de fartos cabelos negros fala.

-Este é seu palácio, seu pedido aqui é lei. –Fala então bebe um gole de seu vinho, e gargareja um pouco, faço uma careta que a deixa vermelha, mas ela volta a falar. –será um prazer vossa soberanicia.

-Lerda, essa palavra nem existe. –Fala uma ruiva de cabelos curtos ao seu lado.

-Não vejo necessidade de xingamentos. –Falo. E uma explosão de risos ressoa pela sala. A ruiva bate com tanta força ao rir na mesa que seu prato cai no chão e ela fica desolada. Então ajunta com rapidez e me olha constrangida, tento permanecer serena, enquanto espero uma resposta para estas risadas.

-Ela é a semi soberana da Lerdeza. –Diz a ruiva, e minhas bochechas coram. Ela abana a mão como se tal ato acontece o tempo todo. –Não tem problema, eu sou a semi soberana da falsidade, meu nome é Ana.

Então compreendo, e acabo levando a mão a boca para ocultar meu riso. O resto do jantar foi sem mais deslizes, com conversas animadas. Estranho como sentia dificuldade em me comunicar com os semi soberanos, e aqui parece ser tão fácil. Me recolho para meus aposentos, Doriam ainda não chegou, mas estou mais leve, afinal fiz amizades em meu reino.

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