O Palácio dos Prazeres

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Durante um fato corriqueiro, no caso, mais um round numa foda casual, um homem comum, insignificante, convenceu-se de que o Universo estava aprontando uma boa com ele.

Paulo queria muito se sentir um rei, um marajá no quarto diamante do motel Palácio dos Prazeres. No térreo, as paredes eram cobertas por espelhos de corpo inteiro. Mas o que mais chamava a atenção era a jacuzzi, entre a antessala minimamente mobiliada e o bar bem servido. Na área externa, com suas paredes de pedra escura, havia duas estilosas cadeiras de praia, esperando os clientes que quisessem tomar banho de sol pelo teto retrátil; o que não seria o caso naquela noite, mesmo com o céu limpo. No primeiro andar, subindo uma escada em espiral, encontravam-se a cama redonda cheia de comandos, a tela plana exibindo um filme pornô gringo, o aparelho de som cheio de graves e agudos digitais, o teto todo espelhado e a sauna já funcionando. No banheiro, o box era espaçoso o suficiente para caber uma orgia.

Paulo pagaria caro pelo quarto. Isso, no começo, o deixou tenso. Mas a beleza e os sorrisos lascivos de Zenóbia e o fim de um semestre difícil na universidade o motivaram a fazer aquela extravagância. Paulo achava que ele merecia.

Os dois aproveitaram quase tudo, mais de uma vez, geralmente ouvindo rock, tecno ou dance music. A conversa não evoluiu muito desde a boate. Culparam o conflito de gerações. Ele mais velho, ela mais nova. Ele fã de Pink Floyd, ela de Rihanna. Em compensação, beijos, mordidas, lambidas, sucções, fricções, gritos, sussurros, ordens, xingamentos, tapas, suores e fluidos fizeram com que se entendessem muito melhor.

Em certo momento, os dois recuperando o fôlego para o próximo round na cama, ela querendo muito cavalgá-lo de novo, ele sem tanta certeza de que já estava pronto para corresponder mais uma vez, Zenóbia revelou a Paulo que queria tornar aquela noite inesquecível. Nua, ela foi ao térreo pegar em sua bolsa o que tinha chamado de o milagre.

Quando Paulo viu que ela retornara com uma das mãos nas costas, escondendo não sabia que zorra, pensou no pior, o estômago gelou.

Zenóbia pulou na cama e ficou de joelhos, a certa distância de Paulo, nu, recostado na cabeceira.

Ela estendeu a mão fechada, abriu os dedos e lá estava a surpresa: duas pílulas amarelas, redondinhas e achatadinhas, que nem confeitos de chocolate.

Paulo trocou uma preocupação por outra. Pronto, este seria o golpe, pensou. Ela o doparia e depois faria a limpa. E a safadeza era tamanha que ela nem se importava em fazer tudo às claras, ao invés de misturar furtivamente o que quer que fosse no seu uísque.

Zenóbia percebeu a mudança de humor dele. E por fim entendeu o que se passava. Então, fungou e sorriu:

"Escolha uma das duas."

Ele ficou indeciso. Mas acabou apontando para uma das pílulas.

Ela pegou a pílula escolhida e a engoliu a seco. Depois escancarou a boca e mostrou a língua.

"Viu, seu idiota", ela disse, com a cara mais feliz do mundo.

Zenóbia estendeu para ele a palma da mão com a outra pílula amarela.

"Podemos esperar mais uns dois minutinhos?"

Ela apertou o rosto e fez uma careta chateada de desenho animado.

"Pela indelicadeza, você vai ter que me fazer gozar agora mesmo. Traga sua língua regada a uísque pra cá."

Então Zenóbia engoliu a outra pílula, também a seco.

"Perdeu, idiota."

Paulo, furioso consigo mesmo e com Zenóbia, puxou-a para junto dele, derrubando o corpo nu da garota ao seu lado. Ela deu um gritinho e riu. Ele lhe prometeu que daria o maior orgasmo de sua vida.

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