Capítulo 27 - Doriam

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Sua delicada mão bem cuidada está pousada em meu antebraço, seu dedo anelar leva a joia dourada que um dia pensei que seria de Ivy. Minha esposa carrega um sorriso terno nos lábios, e um brilho indecifrável nos olhos, caminhamos em direção ao meio do salão para a nossa primeira dança. Sinto-a suspirar de encontro ao meu peito, seus olhos piscam ansiosos e encantados. Seus cabelos cor de fogo dançam e sua cintura fina meche-se elegante em seu belo vestido ornamentado de joias preciosas num tom avermelhado.

Nosso casamento a deixa feliz.

Tento sorrir para Terna, mas meu rosto se recusa a obedecer, por que hoje também é o casamento de meu irmão, com a soberana que eu verdadeiramente amo. Meu peito é tomado pela aflição.

Ela dança com ele. Ravi, está orgulhoso exibindo sua esposa em sua dança para todos no salão, enquanto Ivy lança sorrisos de amor em sua direção. Sorriso, este, que devia ser meu. Me repreendo por este pensamento, então para não criar uma ventania no meio do salão, levo Terna até nossos lugares de honra.

-Gostaria de dançar... –Ela fala tímida.

-Fique à vontade. –Falo ríspido. Largo sua mão e me sento em meu lugar. Ela pisca atordoada, mas senta ao meu lado.

Peço bebida para as pousas, ela enchem a minha taça e imediatamente engulo o conteúdo, para que elas retornem a encher com o inebriante vinho. Meus olhos estão agarrados aos movimentos de Ivy. Meu estomago esta embrulhado, quero arranca-la dos braços dele. Sinto-me faminto, algo horrível começa a borbulhar dentro de mim, uma desolação que nunca experimentei antes.

Um novo eu emerge, e ele é doente.

-Doriam... –Terna chama. Seus dedos se enroscam nos meus com ansiedade, quase com medo. Então fito minha esposa... que terrível engano. O que fizemos conosco? Por que não fui sincero com Terna? Mas quando ela proferiu meu nome, agi no automático. Até agora tenho seguido como se meu corpo controlasse a mente e não ao contrário. – Algum problema?

Ela tenta esconder sem sucesso o medo em seus olhos. O mesmo medo que atravessou meu rosto quando disse sim. Por que razão ela me escolheu? Por que tinha que ser a mim? Será que ela influenciou a decisão de Ivy. Tiro minha mão da dela no momento que este pensamento se forma.

-Por que me escolheu? –Pergunto com frieza. Ela recua e olha para baixo. Antes seu corpo estava cheio de energia e ela parecia segura. E por que agora, com esta simples pergunta, está agindo como uma tola? –Responda mulher.

-Não deveria? –Pede ela me olhando com determinação. Aquilo me surpreende, mas minha mente oscila entre o certo e o errado. Agarro seus dedos o que a surpreende e a relaxa.

O fato de nos casarmos uniu um pouco nossos poderes, desta forma Terna esta mais determinada, enquanto eu... céus, devo estar mais apaixonado, é esse seu sentimento, então ele deve ter intensificado.

-Perdoe-me, estou confuso... – Falo entre dentes, meus dedos tremem e olho para Ivy. –Ivy sabia da sua escolha?

-Sim. Conversamos hoje antes da cerimônia... pare, está me machucando. –Retiro a mão e ela esfrega os dedos. –que interesse é este no que Ivy pensa?

Saio da mesa e a deixo lá. Seus olhos estão confusos, mas não me interessa, preciso me afastar.

Chego nela como um inseto guiado para luz.

-Me permite? –Ravi a solta e sorri para mim.

-Claro irmão, vou perguntar o mesmo a minha cunhada. –Observamos Ravi se aproximar de Terna que nega e levanta dirigindo-se ao toalete. Ravi dá de ombros e puxa Fairy para um dança.

Minhas mãos descem por sua cintura e a trazem para perto de mim. Começamos uma música lenta e pela primeira vez na noite minha mente se acalma. Afinal ela está em meus braços... mas por pouco tempo.

Preciso rouba-la, preciso fugir daqui com ela.

-Doriam. –Música é o que escuto quando ela fala meu nome. Encaro seus olhos dourados. – Está feliz meu irmão?

-Não somos irmãos. –A repreendo e giro seu delicado corpo. Ela ri e volta de encosto ao meu peito.

-Você compreendeu... Terna estava tão feliz, e veja. –Ela olha em direção a mesa onde Terna voltou do tolete e nos observa. –Agora parece uma flor murcha...

-Terna sempre foi tímida. –Respondo querendo espantar o assunto. Então meus dedos correm por seu queixo e respiro fundo. –Sempre foi o oposto da bela Esperança...

Ela recua, então a seguro mais firme.

-Terna é paixão. –Repreende ela. –Ela o ama. E você aceitou seu amor.

-Não deveria ter aceitado. – Explico e ela se desvencilha de mim. –Devia ter lutado por você...

Mais um passo para trás.

-O que está dizendo? –ela balança a cabeça. –Quer saber isso não é problema meu, já vi esta cena antes, está confuso, mas tudo vai se ajeitar... Doriam compreenda algo, Terna ama você, e eu amo meu Ravi.

Então ela vira as costas, e se aproxima da semi soberana do amor. Ela tem razão... preciso, me esforçar para dar a Terna o melhor de mim. Volto-me para Terna. Ela está sentada quieta olhando para seus joelhos.

-Tragam bebida para minha esposa. –Digo sentando ao lado dela. Ela levanta o olhar e testa um sorriso. Eu queria retribuir, mas em vez disto acaricio seu rosto. – Me perdoe por momentos atrás. Percebi estar casado, e me veio um sentimento que não compreendi.

Ela assente e olha para um ponto longe do salão. Uma pousa deposita um copo a sua frente e Terna o beberica.

-Às vezes não compreendo meu próprio sentimento, Paixão é de uma estranheza enorme... não sei como a semi soberana do amor lida com o dela... mas as coisas que humanos sussurram as vezes é... –Ela se detém. Me aproximo e beijo seu rosto. – ou mesmo as preces que seguem em minha direção são...

-Você pode me contar tudo, afinal estamos ligados para a eternidade. –As palavras arranharam minha garganta e se demoraram a sair. Mas para ela foi como se eu tivesse ligado uma luz em seus olhos. –Como são estes pensamentos?

-São assustadores. –Ela sussurra e então olha diretamente nos meus olhos. Terna pisca e volta seus olhos para o salão. –Eles são egoístas, os gardianos definitivamente não precisam de meu sentimento.

Fico ali observando seu perfil. Nunca me passou pela cabeça que assuntos do coração pudessem ser assustadores, mas talvez paixão desperte isto em algumas pessoas... eu mesmo estava experimentando algo semelhante agora pouco. Minha simpatia por minha esposa aumenta. Mas ao ouvir a risada de Ivy minha vontade ainda era a de levá-la para muito longe... onde está ânsia de tê-la e cuida-la fosse saciada.

-O bom é que agora eu o tenho. –Diz Terna me observando. –E o amo.

E como uma flecha aquela estranha sensação me golpeia. Afasto meu olhar de Terna e vejo Ivy. Meu peito se rasga, sinto enjoo quando observo-a nos braços de meu irmão, quero afasta-lo dele, e que inferno, eu preciso só leva-la para longe. Ivy vai perceber quando estivermos longe que me quer, assim que tocar seu corpo vai se render, vamos nos amar, e Ivy vai perceber que Terna não deveria ter...

-Foi o dia mais feliz. –Continua Terna. –Quando na festa de Fairy, você concordou que seriamos uma união perfeita.

Viro-me rápido para ela. NÃO! Foi isto que ela falou aquela a noite na festa, e eu debilmente concordei? Minha cabeça iria explodir, o que foi que eu fiz? Não posso humilhar Terna fugindo com Esperança, mesmo que estejamos apaixonados... foi por isto que Ivy falou sobre amar Ravi, ela não quer magoar a Irmã. E como soberano preciso cumprir meu dever com os gardianos, pois agora Determinação e Paixão controlam as trevas.

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