O comandante anuncia o pouso no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro. É a primeira vez que voltamos ao Brasil desde que nos mudamos para Miami, há exatos nove meses.

Não sei por que as pessoas se levantam antes da hora para esperarem a porta do avião abrir. Ainda temos que passar pela Polícia Federal e receber as nossas malas, que demoram séculos para chegar. Estou exausta. É uma verdadeira odisseia.

Não vejo a hora de rever a minha família. Estivemos com a minha mãe e avó, que vieram nos ver no Natal, em Sunny Isles, no nosso novo apartamento, e recebemos também a minha sogra e o marido na passagem de ano. Meu irmão Marcelo e a Ana Clara não puderam ir, devido ao estado adiantado da gravidez da minha cunhada, que deu à luz uma linda menina, Maria Flor, no final de janeiro. Não vejo a hora de pegar a pequenina no colo pela primeira vez.

Teremos uma semana para curtir minha sobrinha, encontrar os pais do Edu, que virão para o casamento do meu querido irmão Enzo e sua Ludmila. Também não os vejo há meses, pois estão viajando pelo Brasil em missão. Fiquei sabendo que eles serão transferidos para o Rio Grande do Sul, e só poderão continuar morando com a minha mãe até o final do ano, ossos do ofício militar. Conseguimos convencer minha mãe a vender a casa na Tijuca e a comprar um apartamento na Barra, para ficar perto do Marcelo e da netinha, por quem está babando. Ela até já andou recebendo propostas de uma grande construtora e acho que dessa vez vai aceitar.

Além de todos estes maravilhosos compromissos, estou no Rio porque a nossa reportagem no Japão foi indicada a receber um prêmio de jornalismo, e, apesar de não fazer mais parte da emissora, eu assino a  matéria, logo, estou indicada ao prêmio. Não tenho esperanças de vencer, pois a reportagem concorre com matérias de outros jornalistas mais experientes que eu, mas só o fato de estar entre os escolhidos para mim já é uma vitória.

Já pegamos as nossas malas. Estamos saindo pelo portão do desembarque, e sou a primeira a avistar meus amigos Tati e André. Que alegria ver os dois. Não nos vemos desde que fomos embora. Eles têm trabalhado muito. A Tati é advogada e abriu seu próprio escritório, não tem podido viajar nem se ausentar neste momento. Eles vêm correndo para nos abraçar:

– Edu, Nina, que bom ver vocês! Que saudade!

Os homens trocam abraços e nós permanecemos num abraço longo e apertado que dispensa as palavras. Adoro a Tati. Assim que nos separamos ela me olha de cima a baixo e diz:

– Nina, não acredito! Como foi que você escondeu isso de mim? – Ela diz, fazendo referência à minha barriguinha saliente de quatro meses de gravidez.

– Surpresa! – Digo, alisando a minha barriga, toda orgulhosa.

– Não consigo acreditar. Dá pra você me beliscar? – Ela diz, bem-humorada.

– Não precisa Tati, mas se você quiser te dou um beliscão, no capricho...

– Não se atreva, espertinha. Como é que você teve coragem de esconder isso de mim?

– Desculpe amiga, mas a gente quis fazer uma surpresa. Na verdade ninguém sabe ainda. Nem mesmo a minha mãe. Tomei o cuidado de fazer chamadas de vídeo para ela aparecendo somente do pescoço para cima. Não queríamos contar a ninguém até que tivéssemos certeza de que tudo estava bem. Descobrimos há dois meses apenas. Você sabe que tive um abortamento espontâneo, e, quando descobri que estava grávida, entrei em pânico, porque não planejamos, tive medo de perder novamente.

– Estou bege, Nina. Sua mãe vai ficar radiante. Já sabem o sexo? – Ela pergunta, dirigindo-se a nós dois.

– Vamos ter um menino, descobrimos o sexo na semana passada. Já até escolhemos o nome. Vai se chamar Benjamin. Estamos muito felizes, e também assustados. – Digo.

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