DEZESSETE: NICHOLAS

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Quando chego em casa encontro minha mãe na cozinha, preparando o almoço. Passo direto após confirmar com um grito que eu havia chegado, subindo as escadas para retornar ao meu quarto. Jogo a mochila no chão após travar a porta, hoje eu só quero ficar sozinho.
O celular vibra no bolso da minha calça, não só uma, mas várias vezes. São mensagens do Adam.

Adam: Estou perdendo meu tempo com vocês dois.
Adam: Duas semanas e nada.
Adam: Parece que eu vou precisar dar o carro para outra pessoa.
Adam: Vocês já tem o dinheiro para me pagar? Não duvido nada de desistirem do projeto.
Adam: O Zac continua de olho em vocês
Nicholas: Eu ainda não me resolvi com o Derek mas se eu precisar sair, eu te aviso.
Adam: Até quando?
Nicholas: Até quando for necessário, não acha que eu já não cumpri regras demais? Desencana um pouco, não sou o único participando dos seus desafios.
Adam: Vocês dois tem mais uma semana para se acertarem e decidirem o resultado disso, duas semanas.
Nicholas: Certo.

Depois do fim da conversa, torno a bloquear meu celular, dessa vez deixando-o em cima da minha mesa de estudos.
Merda, eu estou ferrado.
Meus pensamentos giram em torno do Derek e dos outros garotos no vestiário, eu não deveria ter feito aquilo, não em voz alta, não em torno de todos eles.
E se o Derek me esquecer?
E se nossa amizade acabar?
E se essa informação vazar no site do Colégio?
Não, isso é impossível. Somos meninos, um time. O que acontece entre nós, fica entre nós.

Outra vez pego o celular, desbloqueando a tela inicial antes de me jogar sobre a cama. Meus dedos roçam a tela até encontrar a galeria, abrindo no álbum principal de fotos, as mais recentes são as da festa do Adam; fotos na beira da piscina com o Derek, uma ou duas fotos abraçado com a Kim, duas com a Alison, algumas outras com um grupo de garotos e garotas que eu não conheço e por aí vai. Agradeço em silêncio por não ter ficado até o amanhecer, fotos piores poderiam estar arquivadas em minha galeria.
Passando por outros aplicativos, abro minha conversa com o Derek, ele está online, mas não está digitando. Sinto uma pequena vontade de forçar uma conversa, mas receio qualquer resposta sua, prefiro ficar sozinho.
Ainda com o aplicativo de mensagens em mãos, recebo uma mensagem que só pode ter sido enviada pelos cosmos, é culpa do destino. Ela aparece em meus maiores momentos de fragilidade, porque sabe que tem mais espaço, porque sabe que eu não recuso. Kim me envia uma mensagem:

Kim: Nicholas?
Nicholas: Oi.
Kim: Está tudo bem com você? É que o pessoal está meio preocupado desde que você se afastou do Derek, a gente não sabe de absolutamente nada, vocês não conversam com a gente..
Nicholas: Está tudo bem sim, Kim. Agradeço à vocês pela preocupação, na verdade eu só estou me sentindo sozinho.
Kim: Precisa de companhia?
Nicholas: Não precisa, eu fico bem.
Kim: Aí, deixa de ser chato! Amigos são pra isso, não? Eu posso passar o resto da tarde na sua casa, se a Tia Zalia permitir, é claro. Podemos fazer a atividade juntos, eu ajudo sua mãe com a janta e depois a gente assiste um filme.
Nicholas: Ah, Kimberly, eu realmente não estou com disposição para isso.
Kim: Nick! Por favor!

Tenho que respirar fundo antes de responder, convencendo à mim mesmo de que isso não seria uma má ideia. Seria bom ter uma companhia para atualizar as séries; Pretty Little Liars, Teen Wolf e outras.

Nicholas: Tudo bem, pode vim. 
Kim: *emoji de coração*
Kim: É por isso que eu te amo! Vou pegar algumas peças de roupa e pedir para o meu pai me levar, te vejo em breve.
Nicholas: Certo!

Com a conversa encerrada, decido avisar a minha mãe sobre a vinda da Kim para só depois ir tomar banho. Enquanto desço as escadas, ouço as palavras da minha mãe para outra pessoa no telefone. 

— Eu também percebi isso. Sim, claro. Mas não podemos interferir, não é mesmo? — ela faz uma pausa para obter alguma resposta ou explicação. — Isso é algo que deve ser discutido entre eles dois. — entre eles dois? eu? o Derek? ela continua. — Sim, Fred. Eu entendo, vou questionar o Nicholas sobre isso. 

Meu estômago se revira quando minha mãe finaliza a ligação, se virando para me encontrar sentado sobre as escadas. — O que aconteceu? —  questiono, me fazendo de desentendido. 

Minha mãe devolve o telefone para o lugar e então caminha na minha direção, seus cabelos castanhos escuros e ondulados estão acima dos ombros, ela cortou recentemente. 

— O pai do Derek me ligou para perguntar se vocês estão se vendo com frequência, é que ele tem notado que o Derek está agindo de forma estranha, queria saber se você sabe alguma coisa sobre isso. — minha mãe diz, passando uma das suas mãos por meus cabelos bagunçados. 

Pigarreio, sem desviar o olhar. — Estranho como? 

— Não sei. Parece que ele está preocupado demais, nervoso.

Por mais que eu não devesse me preocupar, eu me preocupo. 

— Eu realmente não sei o que está acontecendo, mas vou tentar falar com o Derek hoje à noite ou amanhã. — respondo, puxando o ar para dentro dos meus pulmões e soltando-o logo em seguida. 

— Aconteceu alguma coisa entre vocês dois? — minha mãe questiona, com a mesma voz suave de sempre. Agora está apoiada no corrimão da escada. 

— Não, só coisas do colegial. — minto. — Mas mãe, antes que eu esqueça, a Kim está vindo passar à noite aqui. Ela se ofereceu para ajuda-la a fazer o jantar e depois vamos fazer a atividades juntos, ver um filme talvez. Tem algum problema? —  pergunto, fixando meu olhar nos seu, esperando por uma resposta. 

— Isso é ótimo! — ela sorri, dando uma rápida batida de palmas. — Você sabe o quanto eu adoro a Kimberly, ela é a garota ideal para você namorar. 

Novamente minha mãe volta com esse assunto de namoro, digo novamente porque essa não é a primeira vez. No verão passado, quando eu comecei a ficar com a Kim por vários e vários dias, tanto meus pais, como os pais dela, já apoiavam uma relação que nunca existiu. 

— Mãe! — exclamo, revirando os olhos. — Por favor, não me constranja com esse assunto hoje. 

— Aí Nicholas, para de ser cafona. — minha mãe ri, mostrando a língua para mim logo depois. —   Vou começar os preparativos do jantar para quando ela chegar. 

— Tudo bem, estarei lá em cima. É só mandar ela subir. — respondo tornando a subir os degraus. 

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!