Editoras #15 - Não publique pagando! #1

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Tendo já escrito sobre auto publicação de forma mais politicamente correta em EDITORAS #6, hoje, serei contundente na minha oposição: NÃO PUBLIQUE PAGANDO.

Antes explicar a minha posição com fatos, cabe uma reflexão: se a receita de uma "editora" vem dos escritores e não dos leitores, como ela gastará seus recursos (tempo e dinheiro)? Tentando vender livros ou tentando arranjar mais escritores para publicar? E se ela não se importa em vender livros, será que ela se importaria com a qualidade das obras que publica?


NÃO LERAM O SEU LIVRO

Para mim, a primeira e mais importante razão para não confiar nessas empresas é porque o relacionamento começa com uma mentira. Eles não leram o seu livro.

Se eu tenho certeza? Sim, absoluta.

Como?

Eu mesmo mandei o meu livro para várias dessas "editoras". A resposta, em todos os casos, veio em menos uma semana – em três casos, em menos de 48 horas. O tempo de resposta levantou as suspeitas que o parecer generalista confirmou.

À primeira leitura, o parecer parecia se tratar do meu texto. Na segunda, eu percebi que poderia se tratar de qualquer livro, sendo genérico inclusive nos elogios. Percebam por um exemplo:

"O seu texto é bem elaborado, então temos uma narrativa segura, trançada de maneira primorosa, portanto, verossímil dentro do que se propõe, e isso nos dá muita segurança na publicação, portanto, há interesse em seu projeto.

A sua escrita é alicerçada e clara em um traçado que dá ao leitor o amparo necessário para adentrar no que projeta o autor, isto é, com o que escreve e da maneira que escreve possibilita efetivamente que o leitor navegue com você e a partir de você por onde tanto desejou ao escrever a obra, que é leve, também paradoxal e muito eficaz em seu desenvolvimento.".

Percebam que no momento que o escritor envia sua obra para avaliação, ele acredita na sua obra. E se ele acredita, mesmo o livro mais confuso, lhe parecerá claro e bem elaborado. Neste momento, depois de ser ignorado ou recusado por vários meses, o escritor fica suscetível a qualquer um que acredite no seu sonho. 

Algumas empresas vão além. Nem se importam em fingir que leram o livro. Dizem que o seu livro foi aceito e te mandam a proposta.


OS LIVROS PUBLICADOS NÃO ESTÃO PRONTOS

Se eles não se importam em ler os livros, você pode ter certeza que eles não vão investir em revisão, preparação do texto, diagramação, design de capa, etc. Eles farão o mínimo para que o livro pareça bom. Relatos de escritores insatisfeitos com esses resultados desses serviços são muito comuns. Pesquise sites como Reclame aqui ou nas redes sociais e verifique.

Os problemas variam de capas sem qualquer relação com o livro, textos confusos ou problemas no enredo – papel do preparador – , páginas em branco ou repetidas e, pasmem, erros bizarros de gramática.

Se quiser mais relatos, procure escritores recentes e antigos nos sites dessas "editoras". Contate-os por redes sociais ou converse com eles em feiras. Em toda conversa que tive o descontentamento foi aberto. E o conselho repetido todas as vezes foi: não cometa o mesmo erro que eu, NÃO PUBLIQUE PAGANDO.


VOCÊ TERÁ CAIXAS DE LIVROS ENCALHADOS

Essas empresas – mesmo as que te prometem uma boa distribuição – não estão interessadas em vender seus livros. Assim que fecham o contrato contigo elas para de te dar atenção antes mesmo dos livros serem impressos. Depois deles entregues, não é raro que eles te ignorem. Sim, é comum que eles não tenham a decência de responder seus e-mais.

Agora, pense. Se eles não respondem e-mails, será que eles vendem os seus livros?

Pode ser ainda pior. Lendo alguns contratos, encontrei cláusulas que dão à empresa a alternativa de não imprimir os livros que ela deveria vender até que você tenha vendido todos os seus. Outras têm cláusulas que garantem a recompra pelo autor dos livros não vendidos pela editora. Em ambos os caso, essas empresas não têm qualquer intenção de vender.

Então, você receberá caixas de livros – quem sabe 30 delas contendo 50 livros – e terá que vendê-los. Algumas empresas, te darão uma meta pomposa. E insistirão que se você bater a meta você será um autor diferenciado.

Bom, realmente será.

Um escritor iniciante não costuma passar de 100 livros vendidos. Poucos chegam a 200. Quase ninguém chega a 1000.

Não se engane, também é papel do escritor vender seus livros. Mas sem uma estrutura – que inclusive pode ser paga a parte – ele não terá nem o acesso, nem o conhecimento necessário.


           

SEUS LIVROS NÃO ESTARÃO MNAS LIVRARIAS

Os principais grupos de livrarias no Brasil têm juntas aproximadamente 160 lojas. Você precisaria de uma tiragem de, pelo menos 1600 livros para ter apenas 10 em cada uma.

Fora isso, uma livraria fica com 50% do preço de capa do livro e paga só depois que vende. Desta forma, por um lado o custo de impressão da sua editora é alto demais para que o livro tenha um preço competitivo. Por outro, a livraria tem espaço limitado, então só quer livros que vendem fácil. Logo, as livrarias não terão interesse no seu livro.

Mas eu sei que você ouviu falar de uma "editora" que tem uma tiragem de 1500 livros e que garante uma "boa distribuição". Não é verdade. Na melhor das hipóteses, uns 50 livros chegarão em meia dúzia de lojas. E ficarão escondidos. Para vendê-los, vocês terão que dizer aos seus leitores onde eles estão – o que quebra o principal benefício das livrarias – o comprador desconhecido.


SE TUDO DER CERTO, DARIA MESMO SEM A EDITORA

E se você, além de um bom escritor, for um ótimo vendedor? Você pode sim bater essa meta.

Mas se você consegue vender os seus livros, por que contrataria uma editora que não se importa com o seu livro?

Se você decidir aceitar o desafio de vender seus livros, imprima os livros numa gráfica. Lá você pode escolher os preços e respectivas qualidades dos serviços e materiais. Escolha o capista, o leitor crítico, o revisor, o preparador, o diagramador, o papel da capa, o papel do miolo, o material de divulgação, se contará com assessoria de imprensa ou não. Você pode escolher tudo e o livro tende a ficar mais barato e melhor.


CUIDADO COM O SEU PRIMEIRO LIVRO

Já ouvi alguns editores – de grandes casas editorais – dizendo que eles veem com maus olhos um escritor quando o seu primeiro livro é malsucedido. Sim, aceitar um contrato com uma editora de auto publicação pode te trazer mais prejuízo do que o dinheiro envolvido e a frustração posterior. Se o seu primeiro livro for malfadado você precisará se esforçar ainda mais para ser um escritor profissional.


A CEREJA DO BOLO: A FALTA DE ÉTICA

Esse tipo de empresa lucra a partir da exploração da ansiedade e da insegurança dos escritores iniciantes. E essa quase-extorsão dá muito dinheiro. Observemos apenas uma delas que cobra quase R$ 20 mil pela publicação. Com apenas cinco clientes mensais eles faturam anualmente mais de UM MILHÃO DE REAIS. Só que ela tem muito mais clientes mensais do que cinco.


Há alguns meses, essas empresas passaram a abordar diretamente escritores do Wattpad.  Por isso, eu te peço que reflita muito bem antes de aceitar um contrato desses. E se for contato por alguma "editora", CONTE COMIGO PARA TE AJUDAR. Eu pesquisei o suficiente para saber se a empresa é séria ou não.

Aproveito para estender a assistência para qualquer um dos seus amigos ou conhecidos que enfrente essa dúvida.

Peço que me ajudem a divulgar esse capítulo para impedir que essas editoras explorem os escritores iniciantes.


           

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A participação de vocês é imensamente importante! Peço que usem os comentários para críticas, perguntas, opiniões e sugestões de temas. Se gostarem, não deixem de votar e adicionar à sua lista de leitura para não perder os próximos capítulos.

GUIA do Escritor de FicçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora