TREZE: NICHOLAS

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Quando finalmente terminamos, Kim caí para o lado, exausta assim como eu. Nosso corpo exala o mesmo cheiro, suor, álcool, maconha.. e sexo. Tento esconder o sorriso largo que essa situação toda me causou, não éramos virgens, mas era a nossa primeira vez um com o outro, ficávamos somente nos beijos, nas apalpadas.. e nas preliminares, isso por decisão minha. 

— Por que você demorou tanto para criar coragem para fazermos isso hein? — Kim pergunta, respirando com dificuldade, ofegante. Ela se deita de lado, me olhando. E então eu me viro também, novamente encontrando seus olhos, apreciando todo aquele seu corpo nu que minutos atrás estava por cima do meu em um movimento selvagem e rápido. 

— Eu não precisava criar coragem, eu precisava ter certeza se queria mesmo fazer isso com você. Poderia estragar nossa amizade com sua insistência para avançarmos tão rápido. — respondo, boquiaberto, tentando recuperar o fôlego que me foi tirado. — O que achou? 

Kim revira os olhos com a minha resposta, se aproximando de mim novamente, seus seios tocam meu peitoral, ambos suados. — Eu amei. — ela responde, selando meus lábios por alguns segundos. 

— Acho melhor a gente descer, daqui à pouco alguém da por falta de nós dois. — sugiro, me afastando do seu corpo embora tudo o que eu mais estivesse desejando naquele momento fosse um segundo round. Kim parece não gostar da ideia, mas acaba cedendo de qualquer forma. 

Levanto da cama primeiro, recolhendo minhas peças de roupa à qual visto com rapidez. Ela demora um pouco mais, passando peça por peça como se quisesse me provocar. Destravo a porta quando Kim termina de ajeitar a blusa já seca, ainda contornando seus seios. Antes de deixa-la passar, seguro em seu braço moreno, fazendo-a colar contra meu corpo. 

— Ei, eu sei que isso é chato de se perguntar mas.. — desvio o olhar para a escada, pessoas descem e subem em um ritmo frenético, minha voz sai alta para conseguir ser ouvida através da música. — Você toma pílula? — finalmente pergunto, tornando à olha-la nos olhos. 

Kim faz uma cara amarga, desvencilhando seu braço da minha mão. — É sério isso, Nicholas? a gente acaba de transar e essa é a primeira pergunta que você me faz? — Kim cruza os braços, me olhando de forma séria. — Não precisa se preocupar, eu não vou ficar grávida. — ela finalmente responde, se afastando de uma forma rápida para pegar a escada. 

Não vou atrás dela, tenho coisas mais importantes para me preocupar. 

Alguns minutos se passam desde que Kim desceu, então eu pego o mesmo caminho, retornando a sala onde alguns casais estão pelo sofá se beijando e fumando maconha. A festa é lá fora, mas o som ecoa por todo o espaço, sempre alto, cada vez mais alto. Meus olhos giram em todas as direções procurando o Derek que deveria estar por aqui em algum lugar, não encontrar ele é algo que me deixa aflito. 

Após muita insistência, eu torno a me juntar a multidão. As luzes de neon consomem minha visão enquanto algumas garotas dançam com seus rapazes, mais beijos, mais bebidas. A piscina está cheia de pessoas semi-nuas, a festa está se tornando um lugar extremamente bizarro. 

Algo mais estranho me chama à atenção, um grupo de rapazes em volta de algo, gritando, incentivando. Entre passos rápidos, me aproximo do grupo para conseguir ver o que está acontecendo. Dentro da roda está Derek com outro rapaz. 

— O que está acontecendo aqui? — grito para o rapaz ao meu lado, um moreno que segura uma camiseta branca em mãos. 

— Parece que esse cara aí ficou com a namorada do outro.. como é o nome? David? — o rapaz questiona, olhando para mim somente por um segundo.

— Derek. O Derek ficou com a namorada dele? — questiono, incrédulo. 

— Sim, e agora o cara veio tirar satisfação, já rolou algumas trocas de socos, aquele Derek manda bem mas foi atingido ali na boca. — o rapaz aponta com o queixo, Derek está de costas, não me vê. 

— E vocês estão vendo isso? puft, que palhaçada hein. — repreendo, entrando na roda enquanto os outros rapazes gritam, minha mão toca o ombro de Derek que quase ataca, disferindo um soco que passa próximo ao meu rosto, se eu não desviasse, seria certeiro. 

— O que diabos você está fazendo? — questiono, puxando-o para mim, finalmente vejo o sangue escorrendo dos seus lábios, mas o rapaz à sua frente está mais machucado, no nariz, acima da sobrancelha. 

— Esse babaca resolveu vir brigar comigo, não aguentou perder. — Derek diz, claramente bêbado, rindo de sarcasmo.

— Seja o que for que ele tenha vindo fazer, acabou. — falo em tom alto, tentando ser ouvido durante a música. O cara tenta insistir, assim como os outros rapazes que começam à gritar em negação. — Querem brigar? briguem entre si, essa discussão aqui acabou, quem estiver incomodado que me encontre na cozinha para resolvermos. — após falar em tom sério, puxo o Derek pelo braço, levando-o para dentro da casa do Adam, a multidão não nos segue, ainda bem, não sou muito bom em brigas.  

A festa que começou do lado de fora agora se estendeu para todos os cantos da casa, pelo menos é o que parece. Um grupo de pessoas estão sentadas no tapete da sala, brincando de "Não deixe o papel cair" a brincadeira basicamente consiste em colocar um papel nos lábios e ir passando para os outros, se ele cair, você basicamente acaba beijando o sortudo.. ou não.
Por sorte, a cozinha está vazia. Derek se senta sobre uma banqueta após eu aponta-lá com um dedo, ele fica em silêncio, sabe que é melhor não falar nada. Suspiro, um pouco nervoso com toda a situação que está acontecendo em apenas uma noite, o pior serão as notícias no site do colégio amanhã. 

— Eu nem quero saber como isso aconteceu, então continue calado. — disparo após pegar um pacote de ervilhas congeladas, na outra mão, levo um pano azul umidecido
Derek consente com a cabeça enquanto eu passo o pano por seus lábios, removendo o sangue. Vez ou outra meus dedos roçam por ali, sentindo o calor do local. 

— Toma, segura um pouco para não ficar inchado ou tão vermelho. — falo enquanto entrego a ele o pacote de ervilhas. 

— Obrigado. — Derek diz, puxando o pacote das minhas mãos. — Você quer ir embora? — continua, desviando os olhos para mim. 

— É melhor irmos. — respondo indeciso, afinal, muita coisa ainda poderia acontecer. — Vamos.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!