- O Lamento da Amazona -

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Apresentando: Khalina, personagem de Os Guerreiros de Alquemena




A fumaça sobe pelo monte à frente, você enxerga o luar quase se aproximando no céu e ouve o murmúrio das pessoas que já chegaram para a roda de histórias. Com a mudança de lugar, Naví não facilitou sua viagem – afinal, atravessar as Florestas Menör, passar pelas cidadelas e chegar à Álamus exige uma disposição para poucos. Subir as Colinas Brancas foi uma experiência singular, porém, que lhe acarretou muitas dores nas pernas.

Subindo pela trilha, pega um atalho e passa pelos arvoredos em torno da clareira. Uma música é invocada pela flauta de Naví e você enfim o percebe no centro da roda. Animado, fazendo passos de dança e mesuras para recebê-lo, o fauno te oferece uma porção de bolinhos de amêndoa, mas você acaba preferindo tomar longos goles d'água antes de ingerir qualquer outra coisa. Os companheiros já conhecidos de outras rodas de histórias te cumprimentam com abraços e acenos, dando espaço para que sente junto a eles.

— Ora! Olha quem chegou! – O fauno te olha, dando-lhe um sorriso amigável. – Senti sua falta, e meus contos estavam me deixando louco, pedindo todos os dias para que eu libertasse as palavras do papel. Acho que chegou a hora, não é?

Você assente, não resistindo aos aperitivos, mordiscando um bolinho e cruzando as pernas à procura de uma posição confortável. O Filho de Elemental mexe na fogueira acesa, deixando a flauta de lado para pegar a bolsa de tiracolo, de onde puxa seu fumo e desenrola um pergaminho com Selos de Magia.

— A história que trago pode causar emoções fortes – Sentindo-o tenso, você se aproxima da fogueira, querendo ficar pertinho do fauno. – Uma velha amiga retorna para nossas conversas, você sabem, Khalina, a Amazona de Opala... Deixem a mente fluir e observem as chamas, aproveitem para fazer um pedido por tempos melhores em nossa amada Asgaha.


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"Kha" era a palavra para sorte no antigo chimeriano e "Kha" também se tratava de parte do nome do rio das Florestas Menör, responsável por banhar o corpo negro da mulher que nas águas fluviais de Asgaha renascera e ganhara uma outra identidade ao ascender à Amazona de Opala. O luar nascia junto ao cântico lacrimoso das estrelas, caindo sereno entre os cascalhos e a água corrente.

Saindo do poço fundo, com os pés descalços sobre a terra molhada, Khalina inspirou a umidade das folhas dos pinheiros, degustando o sabor seco de madeira e das gotículas finas de uma chuva eminente. Secou-se com uma toalha para enfim vestir o traje de montaria que havia deixado ali. Conhecia os bosques da região como quem decora cada singularidade das linhas nas palmas das mãos, e isso lhe era muito gratificante, pois era tal sabedoria que lhe permitia acampar em áreas longe o suficiente para que a fumaça da fogueira não atraísse a atenção de inimigos ou animais predadores. Partiria em pouco tempo, mas precisava do mínimo de privacidade antes de tomar o seu rumo noturno.

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