Capítulo 10 - Três Mulheres

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   Na época em que atravessei o mar, vindo atrás de você, deixar Esparta para trás foi triste, e ao longe pude ouvir crianças chorando pelos campos de trigo, mas, quando parti da cidade com meus irmãos de treinamento, para dar cabo dos sequestradores e assassinos persas, pisei na estrada com vigor!

   Leônidas me ajudou muito, e estarei em débito com meu Rei até o fim de meus dias; que não demorarão a chegar. O Espartano deve servir o estado, mesmo depois de terminado o Agogê, até os sessenta anos, no entanto, com a interferência de meu irmão, eu tinha liberdade para encontrar Lanthasménos sem me preocupar com a Pólis. O Leão de Esparta enviou quarenta mensageiros a cavalo, para todas as cidades e tribos da Grécia, preparando o caminho para minha jornada; sem a provisão das cidades, estaríamos perdidos e condenados a vagar como mendigos.

   Por fim, meus homens e eu estávamos marchando, a pé, como faziam os antigos.

   A natureza da Lacônia nos recebeu com paciência, removendo os obstáculos de nosso caminho, iluminando o dia de forma moderada, e nos acalentando à noite, com boa lua e bons ventos. A caça vinha até nós sem esforço, e colhemos muitas frutas pelo caminho mesmo às margens do frio, quando Perséfone deixa sua mãe, Deméter, para passar seus meses no Reino dos Mortos.

   Comigo, e eu agradecia aos Deuses todo dia por isso, vinham quatro amigos, da época de treinamentos na Katályma, aos quais eu confiava minha vida.

   Plístia era um guerreiro incrível, contudo, se ele era bom em algo, era em comer. Nunca conheci um homem que comesse tanto quanto ele, e em qualquer lugar ou ocasião. Eu já presenciei Plístia comer em plena batalha, entre um golpe e outro, de sua lança engordurada. Certa vez, durante uma passagem por Olímpia, onde testemunhamos Hymos vencer os jogos de luta, fui até o cômodo de Plístia, para chamá-lo ao santuário de Zeus, e me deparei com o Espartano comendo enquanto possuía uma mulher. Para meu amigo Plístia, como ele próprio dizia, não havia felicidade sem algo para mastigar.

   Comendo como um javali, e treinando e lutando, ele era um homem imenso, grande demais até mesmo para um Espartano. Eu era um homem forte, apesar de agora ser um velho aleijado, mas Plístia fazia inveja aos Heróis de outrora. Ziliáris contava anedotas, de que com os músculos das nádegas de Plístia poderíamos reconstruir os muros de Corinto.

   Outro homem que marchava comigo, o qual tive o prazer de compartilhar anos de minha vida, era o elegante Agnéio, cuja lança havia sido presente do próprio Anaxândrides. Estava longe de ser um homem imenso, e não era musculoso como eu e Plístia, mas era sagaz e ligeiro como uma corsa. Seus movimentos na batalha e nos treinamentos me lembravam histórias do grande Aquiles. Mas, o que agradaria Aquiles, certamente, seria o membro de Agnéio; o maior pênis que a Grécia já gerou, e até mesmo as ninfas do Peloponeso corriam dele. Era comum dividirmos o leito, principalmente em longas marchas, ou no frio cortante, mas o leito de meu amigo era recusado por nós. Nos deitávamos com as mulheres locais, nas cidades onde passamos caçando os persas, para renovar as forças e acalmar a mente, e elas se diziam honradas por sentirem o prazer de um Espartano, contando para todos no dia que se seguia. Mas todas as mulheres que se viam perante o membro de Agnéio passavam por uma experiência única em suas vidas. Uma pequena parcela delas sangrava, e outras poucas desfaleciam na penetração, todavia, curiosamente, a grande maioria delas pedia mais uma porção de Agnéio pela manhã.

   O coração de Agnéio me inspirava, pois era repleto de paixão e vigor. Em Esparta aprendemos que nossos corpos são do Estado, mas foi com Agnéio que aprendi a entender a carne, e a enxergar os homens como eles eram de fato. Meros mortais. Ele era belo como o sol, e tratava a todos com respeito e atenção.

Paráxeni - A Ruína dos Persas. (Por Marco Febrini.)Leia esta história GRATUITAMENTE!