As coisas estavam calmas demais para ser verdade. Após a morte dos meus pais, Lex tinha dado uma trégua de vez, não me tratava mais mal e muito menos brigava comigo por algo banal, mas com isso também se foi seu jeito de ser comigo, como éramos antes. Poucas palavras eram trocadas e meus olhares eram evitados sempre. Não sabia o que Natasha tinha dito a ele para ter mudado de tal maneira, só sabia que o motivo da causa do acidente deles tinha sido eu, e isso me matava lentamente todos os dias quando via o meu amigo sentado naquela cadeira de rodas. A culpa era minha, a culpa sempre foi minha.

Desde o começo, se eu não tivesse retribuído aquele beijo dentro do carro, talvez não teríamos chegado no estado que estamos hoje, ou quem sabe no dia do Halloween se eu não tivesse feito aquela coisa horrível que fiz. Não sei onde poderia ter mudado, só sei que deveria ter feito algo antes que as coisas chegassem no ponto que estão agora.

Se Alex soubesse o controle que tem sobre mim não se afastaria dessa forma. Eu não aguentava mais. Não sabia mais como reagir ou o que fazer. Minhas saídas tinham se esgotado totalmente. Parecia que nada que eu falava surtia efeito, era como se Lex tivesse se tornado inalcançável em questão de semanas.

Não sei nem se tem como culpar Natasha por isso, só sei que de forma bizarra ela passou a entrar na minha casa sem que eu tivesse o controle sobre isso, e tomou os cuidados de Alex de minhas mãos, fazendo com que me afastasse dele ainda mais. Sempre quando ia vê-lo ela estava lá, ao lado dele de prontidão, como um cão de guarda. Ele não precisava mais de mim, e eu simplesmente me tornei um inútil nisso tudo. E estava de mãos atadas, pois não podia simplesmente expulsar aquela garota, sendo que era convidada do meu amigo. Que inferno!!

Que tipo de idiota eu sou? Céus, me dê uma luz, qualquer uma que seja. Me mostre o que tenho que fazer, pois não sei mais para onde ir.

Peguei uma garrafa de cerveja e me sentei na varanda. O inverno estava chegando, e o vento soprava frio fazendo meus cabelos voarem, e até mesmo agarrarem em meu rosto ora ou outra. Ouvi um barulho atrás de mim, e olhei por cima do meu ombro para ver quem era. Alex. Aquilo fez um pequeno sorriso surgir em meu rosto. Então ele se aproximou ficando ao meu lado. Não conseguia tirar os olhos dele nenhum minuto sequer.

– Preciso conversar contigo. – Lex soltou do nada, e isso fez dar uma pontada em meu peito. Não era um; precisamos conversar. Onde iriamos debater sobre algo, e sim, um quero comunicar algo.

– Pode falar, estou todo a ouvidos. – Falei e dei um gole em minha cerveja, de qualquer forma era melhor ir bebendo e tentar ficar bêbado rápido.

– Estou indo morar com a Natasha. – Soltou de uma só vez como se estivesse me dando um tiro sem dó alguma, para ser sincero foi assim mesmo que me senti. – Nós vamos nos casar. – Engasguei com a cerveja na mesma hora, chegou até mesmo entrar bebida no meu nariz. – Mike, você está bem?

– Está maluco, Alexander? – Soltei, levando a mão até minha boca e tossindo fortemente. – Você acabou de ouvir o que disse? – Perguntei novamente bastante alterado, querendo gritar com ele. – Você não tem condições de ficar longe de mim.

– E por que não, Michael? – Em toda a nossa amizade, e por mais que brigássemos, ele nunca tinha falado o meu nome todo, ainda mais de um jeito tão sério. – Acha que sou dependente de você e do seu dinheiro?

– Não era disso que eu estava falando. – Tentei concertar, mas já era tarde demais, ele tinha distorcido minhas palavras e era teimoso demais para tentar entender o que eu realmente quis dizer.

– Era do que então? Hm, me explica! – Exigiu, ele estava irritado demais por pouca coisa.

– Na verdade. – Fechei meus olhos e abri a boca para falar, mas eu não tinha o que falar, pois tinha dito merda. – Eu não tenho condições de ficar longe de você. – Admiti por fim. O tempo todo quem mais precisava de quem ali, era eu dele, e não o contrário. – Eu pensava que você precisava de mim para te ajudar, mas agora a Natasha está fazendo isso, então realmente não necessita mais de mim para nada. – Forcei o meu melhor sorriso enquanto tinha vontade de chorar. – Acho que já fui útil o suficiente.

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