Certa incerteza

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Certa incerteza
Por que não me deixa?
Por que me aflige?
Talvez eu mereça.

Fecho os olhos e vejo paz refletida em azul, com leves tons do branco mais
pálido que possa existir.
Sinto a luz do sol em espiral tocar minha pele e alma de forma calma me dando mais um motivo para percistir.

Ao abri-los já sei o que há por vir.
Como o esperado, o já consagrado azul e preto, agora com leves pinceladas de roxo, escuro e assombroso.
Sofri, sofro e sofrerei, até que ponha fim.
Isso é possível?
Não seria blasfemar contra mim?

Olhe nos meus olhos!
Não te peço muito, quero o que muitos dizem ter.
Quero sentir o amor com a mesma verdade que sinto a solidão.
Quero andar com minhas próprias pernas, mesmo que isso custe minha salvação.
Quero sorrir de forma verdadeira outra vez, mesmo que seja a última.
"-Me escute!"
Implorei, mas nada pareceu acontecer.

Então mais uma vez declamei:
Certa incerteza
Por que me aprecia tanto?
Por todos os cantos em todos os âmbitos posso te ver.
Sua presença já me é famíliar.
Te reconheço quando deixo de me reconhecer,
Te sinto quando por um instante questiono meu ser.

Essa será minha última súplica
Me livre da solidão,
E minha alma da tão temida chama da perdição.
Perante a combustão de sentimentos sucumbirei, mas sei que ao menos tentei.

Agora imploro em meio ao mar que se forma em meu rosto, uso o último resquício de oxigênio e clamo sem fazer muito esforço:
Certa incerteza, me deixe viver, viver sozinha, ao menos sem você!

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Obrigada a todos que tiveram
paciência de ler até aqui.

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