Capítulo 5

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— Não tenho certeza quanto a isso... — A voz de Eliza sumiu enquanto ela evitava o olhar de Bianca.

— Mas eu tenho. É uma ótima ideia. Mais uma, modéstia parte— disse a ruiva com um sorriso convencido. Ela olhou para Eliza com as sobrancelhas levantadas. Quando a garota suspirou em derrota, Bianca tirou o celular do bolso. — Ele ainda está na sala?

Eliza focou seus olhos e viu o garoto falando com seus amigos na sala dele.

— É, ainda tá lá — disse, pressionando os lábios. O sorriso da ruiva aumentou. — Ei, vamos deixar para depois. Não acho que estou preparada ainda.

Bianca tirou os olhos do celular e virou-se para Eliza. Ela se aproximou e sentou na cadeira ao lado da garota.

— Por que você está sendo tão do contra?

— É... mais invasão a privacidade alheia do que eu gostaria — disse, evitando o olhar de Bianca de novo. — Me... me sinto entrando em território pervertido...

— Está falando isso agora? Depois de tudo que já viu? — Bianca riu. Eliza corou e ficou de boca calada; não conseguia pensar em uma resposta. A ruiva colocou uma mão na maçã do rosto dela e suspirou. — Mas me entristece. Você está mentindo para mim neste exato instante.

— Não, eu... eu... — Eliza mordeu o lábio.

— Já sei. Está com medo de decepcionar a grandiosa Bianca aqui, certo?

— Como se eu me importasse pra isso. — O sorriso nos lábios dela irritou Eliza.

— Não precisa se preocupar! Você se esforçou muito a semana toda pro dia de hoje. — A ruiva ignorou Eliza, encarando-a nos olhos. — Podemos praticar um pouco mais... mas você disse que me quer mais... — Bianca se abraçou e desviou o olhar, o rosto vermelho.

— É porque você fica dizendo coisas estranhas! — Enquanto Eliza corava, Bianca nem sequer tentava esconder a risada. Um dia vou fazê-la pagar por toda essa provocação. Aí vamos ver quem vai rir, pensou. Enquanto assistia a ruiva, as memórias retornavam à garota, apesar do quanto tentava esquecê-las.

Um dia, quando estavam juntas após a aula, Bianca teve a ideia de treinar Eliza. Segundo ela, só os olhos já eram úteis, mas se ela melhorasse em alguns aspectos, poderia usar seus poderes de maneira bem mais interessante, pelo que a ruiva dissera.

— Melhorar como? — perguntou Eliza, abaixando o livro que Bianca recomendara e tornando sua atenção na direção da ruiva.

A ruiva tinha um sorriso malicioso nos lábios quando contou sua ideia. Após um instante de consideração, Eliza assentiu, também sorrindo.

Entretanto, aprender como ler lábios era muito mais difícil do que imaginaram. Embora Eliza se esforçasse, não havia um progresso promissor. Após ler artigos e ver vídeos na internet, ela tentou com pessoas aleatórias, mas era difícil confirmar se realmente falavam o que ela lia.

Após muitas tentativas frustradas, a garota desistiu e concordou com a ideia de Bianca de treinar com ela. Para a irritação da ruiva, Eliza evitara aquilo desde o começo por dois motivos. Mesmo se praticassem, já que se conheciam, era mais fácil saber o que uma diria e não seria tão útil. O outro motivo, porém, era porque Eliza acreditava firmemente que Bianca encontraria uma forma de provocá-la. Depois da primeira prática, ela estava certa.

De início, não havia nada errado. Bianca fez sua parte, falando coisas lentamente e usando a mão para cobrir a boca, de forma que Eliza pudesse tentar ler. Mas, como sempre, a ruiva, se divertia demais e começou a provocá-la. Dizendo aquelas coisas embaraçosas.

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