Capítulo 22 - Terna

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Estou tão feliz, Ravi e Doriam, ambos estão concentrados, conversando comigo, e perguntando sobre as mudanças no reino. Bebo meu chá delicadamente. Fico concentrada em meus movimentos, em minhas palavras, para que, deste modo, notem minha confiança. Vejam como não sou apenas balançar de cabelos prateados, notem meu espirito sublime e recatado.

- E então prudência e imprudência pediram separação, e a imprudência acabou ficando terrivelmente perigosa. Algumas pessoas acham que ela ficou mais divertida. – Conto pensando em Ivy.

- Achei que eles ficariam juntos para sempre, já que se completam. – Comenta Doriam e sorrio para ele pensando em como Paixão e Determinação se completam. Seríamos perfeitos para seu reino de trevas.

- Acho que fizeram bem. – Ravi fala pensativo. – Eles nunca combinaram. Prudente mantinha a rédea curta dela, mas lembro que antes de ficarem juntos imprudência era uma semi soberana cheia de vida, ela estava um tanto chateada quando saímos, ainda mais por ele estar trabalhando na corte.

Nesse instante, como uma flecha, minha irmã surge na sala, as roupas chamuscadas deixando-a tão exposta que coro perante a falta de decoro de Ivy, seus olhos dourados parecem maiores quando ela despeja toda a raiva em cima de mim.

- Maldição Terna. Por todas as divindades. Como deixou Dorpax escapar novamente? Sua função é proteger os humanos e você deixa agonia a solta em Gardia? Eu que tenho que ir até lá, enfrenta-lo e fazê-lo voltar.... E você Doriam, acaso não o sentenciou a cinquenta anos na prisão, como ele fugiu?

- Você enfrentou Dorpax? – Doriam a interrompe. – E venceu?

Ouço a admiração em sua voz. Largo a xicara enquanto meus punhos se fecham, por que ela teve que aparecer agora? Ivy sempre tem que ser o centro das atenções.

- Evidente que sim, como sempre, já que estou aqui em bom estado e ele ainda não voltou a consciência. – Ela dá de ombros. – Mas você deveria estar lá e impedi-lo...

Ivy aponta para mim. Fico chocada, mas volto a minha compostura.

- Pelo Equilíbrio Ivy, não seja exagerada. – Repreendo-a com acidez. Esperança se acha melhor por que trabalha pelo bem dos gardianos, ora se ela soubesse tudo que me disponho pelo bem deles, jamais ousaria falar deste jeito comigo. –Não é correto entrar aqui e fazer exigências a mim, sou uma soberana, não me trate como...

- Não é exagero. –Me corta Ivy com raiva. - você deveria mantê-lo lá, estou cansada Terna, não consigo sozinha.

As últimas palavras saem mais altas. Levanto para contemplar ela na mesma altura.

- Você não costumava reclamar quando Brutos cuidava das coisas por lá. – Desdenho e Ivy me encara chocada, o rosto vermelho de raiva. – Muito pelo contrário, você gostava de ajuda-lo, sempre que podia.

- As coisas nunca foram assim. – Rebate ela. – Você está errada, você devia ajudar a manter o equilíbrio e não mandar Brutos faze-lo, meu relacionamento com ele não importava.

- Mas, minha querida irmã, por sua causa, tentação agora é parte das trevas. – Digo essas palavras só para magoa-la. Ivy não é a única que pode ser arrogante. –Se não fosse seus romances descompassados talvez tivesse mais tempo para Gardia e menos para seu ego.

Ivy respira profundamente e balança a cabeça.

- Você não entende, como poderia? Jamais foi até Gardia. Quer saber Terna, apenas cumpra suas funções. – Diz ela saindo porta afora.

Saio antes de ver os rostos de Ravi e Doriam, não suportaria vê-los agora. Vou para meu quarto. Não darei explicações a esperança, como poderia saber que agonia escapou, meu dia se resume em não deixar minha cabeça ser invadia pela mente doentia dos gardianos. Tudo que mais desejo é me afastar de seus devaneios. Contudo o olhar de Doriam para ela, e depois para mim, me deixam sem chão.

Esperança não compreende que esta arruinando minhas chances com Doriam.

-AHHH. –Grito atirando um jarro contra a parede, ele se estilhaça, corro até os cacos e começo a junta-los ao mesmo tempo que tento manter as lagrimas afastadas. –maldição! Não vou chorar! Me recuso!

Corro até o banheiro e lavo meu rosto algumas vezes. Quando me sinto segura, fico em pé olhando para o nada. Ivy e Ravi estão nitidamente apaixonados, só Doriam não percebe, ou não quer ver.

-Ele vai me amar. –Digo em voz alta. –Vou ser uma boa esposa. Doriam vai perceber minha dedicação e jamais voltara a olhar minha irmã, jamais.

Vou salva-lo, vou dar minha mão a ele em casamento, e farei com que veja que sou dele, e que determinação deseja estar comigo.

Meus olhos vagam sobre os moveis. Meu quarto tem certa opulência, é o lugar onde sinto-me mais em casa neste lugar. Nunca compreendi por que meus pais, as divindades me deixaram aqui, mas ser uma soberana é uma tarefa árdua, como eu bem sei. Lembro de Fairy contando que achou estranho quando divindades trouxeram crianças a este reino, antes mesmo dela chegar ao Supremo reino as divindades foram proibidas de se reproduzir.

Algo certamente mudou, o fato é que as divindades puderam gerar Ivy e ela.

Nada disto importa, afinal tenho um futuro reino para governar ao lado de meu soberano das trevas de olhos cor de vinho. Sempre admirei Doriam por ser o soberano daquele reino obscuro, ele jamais se corrompeu com as trevas. Afinal as trevas ou a luz atingem mais os semi soberanos e gardianos, nós, Soberanos, somos os principais sentimentos deste mundo, sendo assim, jamais luz ou trevas irão nos perturbar, se não permitirmos.

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