Enquanto procurava um lugar próximo para se sentar, ele voltou a falar:

          — Você queria saber o porquê de eu tentar incriminá-la, certo? — Ele apontou em direção à garota atrás de mim. — Já que ela apareceu aqui por acaso, acho justo explicar.

          Harumi permanecia sem conseguir dizer nada, ela arregalou os olhos e tentou prestar atenção no que ele iria dizer, mas, no fundo, apenas parecia que estava olhando para o nada.

          — Porque eu fiz isso... — Ele colocou a mão no queixo como se estivesse pensando. — Acho que foi porque seria o desenvolvimento mais interessante... Certo, certo, ficar falando que foi apenas por diversão não resolve nada... Se eu tivesse que escolher... Eu diria que foi para te testar.

          — Me testar? — perguntei.

          Ele balançou a cabeças para os dois lados como se estivesse negando algo e então sorriu.

          — Você tem um também, não é? — Ele colocou a mão no bolso e puxou um anel e o mostrou na minha direção.

          Eu peguei o anel que encontrei mais cedo e fiz o mesmo.

          — Eu pensei que seria uma brincadeira legal, a maioria das pessoas não notaria a diferença. — Ele jogou o anel para mim e eu o peguei com a mão esquerda. — O que está na sua mão esquerda tem o ideograma (末), que foi o que pedi para Harumi comprar no sábado. Agora o da sua mão direita tem o ideograma (未), que fazia parte da minha coleção, mas... Você já tinha percebido, não é? Quando foi na minha casa mais cedo, você viu os dois sobre a mesa.

          — F-Foi por isso? V-Você só pediu para que eu comprasse esse anel por que queria fazer uma brincadeira? — Harumi perguntou, tentando controlar a voz.

          Ele olhou na direção dela parecendo um pouco surpreso, mas, na verdade, sua expressão mais parecia de deboche. Enquanto sorria, ele disse:

          — Ah, não, aquilo foi só mais uma das muitas coincidências. Eu realmente queria o anel, então, sou grato a você por ter me dado ele.

          — E-Então por que eu?

          — Você sempre brigava com a Akari, inclusive, naquele dia você me disse que tinha discutido com ela, então era a combinação perfeita. E depois... — Ele sorriu como se estivesse se divertindo com tudo aquilo. — Você se confessou para mim. Hahaha. Eu só precisei escolher as palavras para que você dissesse o que eu tanto queria.

          Harumi cobriu a boca e então sussurrou:

          — "Eu espero que ela morra"... — Automaticamente após dizer isso, ela caiu de joelhos enquanto chorava.

          — Sim, exatamente — concordou ele. — Com isso, você se sentiria culpada pelo o que aconteceu com ela. Seria quase como se você realmente tivesse a matado.

          — Por quê? Por que você fez isso? — perguntei.

          Ele desviou o olhar da Harumi, e então me encarou dizendo com um olhar sério:

          — Eu já respondi uma das suas perguntas, agora é a sua vez de me responder. — Sem me deixar pensar, ele perguntou. — Você realmente chegou a acreditar que a sua querida "Haru" era a culpada?

          — Isso importa? — Minha voz saiu fraca, o que o fez abrir um sorriso no canto do rosto.

          — Certo... Uma resposta evasiva, mas eu vou aceitar. Como combinado, agora é a minha vez, vou te explicar o porquê de eu ter decidido fazer isso.

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