CAPÍTULO 8

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          O que pode ser definido como bom ou ruim? Para alguns isso pode ser como certo ou errado, bem ou mal, herói ou vilão. Dois opostos que, em determinadas circunstâncias, vão colidir.

          Normalmente, matar é qualificado como algo ruim, algo errado. Porém, digamos que os indivíduos de uma certa região tenham se tornado violentos demais, não seria estranho as pessoas considerarem que o melhor seria que aqueles indivíduos "desaparecessem", nesse caso, matar passa a ser taxado como algo "bom", já que envolve o bem da grande maioria.

          Um simples valor, que deveria ser considerado irrevogável, passa a ser aceito e, desse modo, o termo "bem comunitário" passa a funcionar. Desde que a maioria decida assim, o certo se torna errado e o errado se torna certo, bom e ruim deixam de ser parâmetros e se tornam apenas conveniências para aquela situação.

          — Então... Me diz... O que você sentiu quando descobriu? — A pessoa parada diante de mim perguntou mais uma vez com o sorriso torto de antes.

          Nojo, com toda certeza foi nojo que senti... Porém, preferi ficar quieto e continuar encarando ela.

          — Você se sentiu culpado pela morte da Akari, não foi? Você queria de toda maneira ter impedido aquele "triste" incidente, mas... Veja só, você não sentiu nada em relação à morte do Kyle, não foi? Você nem sequer teve uma reação adequada quando descobriu o corpo dele... Por quê?

          Mesmo que eu não fizesse a mínima questão de responder, ela decidiu explicar.

          — Existem pessoas que compreendem o mal e existem pessoas que compreendem o bem. Você pode achar que as que compreendem o mal são os verdadeiros monstros, mas eu diria que aqueles que compreendem ambos é quem são realmente assustadores. Você viu aquele primeiro corpo e simplesmente aceitou, sim, sem qualquer tipo de pena ou sentimento de culpa, você simplesmente aceitou como sendo algo natural. Você compreendeu aquela maldade e a aceitou, já que não te influenciava em nada.

          Eu queria poder negar aquilo, mas não podia, então apenas deixei que continuasse falando.

          — Mas quando foi com a Akari, que, por sinal, você tinha acabado de conhecer, não conseguiu aceitar. Era como se você tivesse falhado na vida e a culpa da morte dela fosse sua. Naquele momento, você não conseguiu compreender a maldade e então não podia aceitar. Até mesmo eu, que posso ser considerado uma falha humana agora, tive uma reação mais adequada a essas situações... Se bem que foi a partir do momento que vi aquela pulseira que me tornei uma falha, mas isso não vem ao caso agora. — Ele sorriu da mesma forma nojenta de antes. — É por isso que pessoas como você são tão assustadoras. Vocês conseguem "classificar" os outros como se estivessem em um rank, e depois escolhem quais emoções devem usar baseadas nisso. Então, Amato, você pode dizer que eu sou o monstro por ter matado ela, mas, na verdade, do meu ponto de vista, o verdadeiro monstro aqui é você.

          Eu não consegui dar uma resposta.

          — É por isso que estou perguntando... O que você sentiu quando descobriu?

          Tentando reunir o máximo de coragem possível, eu tentei responder a ele:

          — Eu senti nojo! Eu não pensei que você seria capaz, ou melhor, eu não queria admitir que você seria capaz disso!

          — Nojo, não é? — Ele repetiu minhas palavras para que pudesse entender melhor. — Não posso te culpar por isso... Mas como parte do que combinamos antes, agora é a minha vez de responder a sua pergunta.

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