Capítulo 8

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O som grave de algo indo ao chão fez Dária erguer os olhos do livro que estava lendo, e jogá-lo sobre o sofá onde estava. Com sua velocidade sobre humana correu até a origem do barulho.

Bufou ao ver Natasha ajoelhada no chão com os cabelos negros jogados sobre os olhos. A mão direita dela estava apoiada num móvel do corredor, onde sobre ele havia um belo arranjo de rosas amarelas que por pouco não fora ao chão junto com a súcubo.

– Você deveria ficar quieta no seu quarto. – Dária a olhou de cara feia antes de enrolar o cabelo ruivo, jogá-lo para trás e agachar-se para ajudar a cunhada a se levantar.

– Não aguento mais ficar na cama. – Natasha apoiou a mão direita sobre o ombro delicado da vampira enquanto essa lhe envolveu pela cintura para erguê-la.

– Vamos, vou trocar seu curativo.

– Me leva para a sala.

Dária assentiu com um aceno de cabeça e desceu com ela pela escada em caracol até chegarem ao sofá da sala onde a vampira estava há poucos minutos. Ela sentou Natasha sobre o sofá, tirou o livro e o colocou sobre a mesa de centro, empurrando para o lado as bolas de vidro que a enfeitavam.

– Onde está o Aron? – Natasha subiu com a perna machucada para cima do sofá, estendendo-a.

– Saiu para encontrar alguns fornecedores de bebidas para o santuário. – respondeu Dária ao voltar com o quite de primeiros socorros.

– Por que não foi com ele? – Natasha cerrou os dentes para evitar o grito antes de começar a tirar o esparadrapo.

Dária torceu os lábios diante da pergunta idiota.

– É dia lá fora.

As bochechas de Natasha coraram e ela ficou em silêncio ao desviar o olhar para o ferimento em sua perna. O corte estava bem menor do que na noite anterior, mas a súcubo nunca passara por nada parecido, seus ferimentos sempre se curavam num piscar de olhos, e agora ela se sentia fraca como uma humana.

– Com sorte amanhã será apenas um arranhão. – Um leve sorriso se formou nos lábios de Dária enquanto ela molhava um pedaço de algodão em remédio e o passava pela coxa de Natasha.

A súcubo soltou um gemido por entre dentes e jogou a cabeça para trás quando a dor cortante lembrou-a do ferimento.

– Foi realmente um anjo?

Natasha fez que sim com a cabeça.

– Nunca imaginei que veria um.

– Pronto. – Dária prendeu o último esparadrapo sobre as gazes. – Acho que amanhã você já não vai mais precisar de curativos.

– Você é boa com isso. – Natasha agradeceu com o singelo sorriso.

– Eu cuidava das minhas meninas no bordel. – A vampira guardou as coisas de volta na maleta.

– Dária... – Natasha relutou ao dizer o nome cunhada. – como... Como você soube que era o Aron?

A ruiva arregalou os olhos vermelhos. A surpresa com a pergunta a fez curvar um pouco o corpo para trás. Dária colocou uma mexa do cabelo atrás da orelha.

– Como soube que o Aron era o cara certo para você? – Natasha insistiu não deixando que a pergunta se perdesse no ar.

– Bom... – Dária respirou fundo. Nunca esperou responder tal pergunta. – Seu irmão é cabeça-dura, mais do que eu. Tentei de todas as formas possíveis mantê-lo longe, mas ele insistiu, continuou lá mesmo depois de tudo. Quando me dei conta já era tarde demais, eu não imaginava a minha existência sem ele... Mas por que a pergunta?

– Eu não consigo parar de pensar nele... – Natasha desviou o olhar para um piano na extremidade da sala. Arfou ao lembrar do peso do corpo quente dele sobre o seu. Sentiu a região entre as suas pernas ficar quente.

– No cara que a trouxe ontem? – Dária olhou para a cunhada com um ar de curiosidade.

– É... – a súcubo sentiu suas bochechas corarem. – Eu estava fraca, precisava da energia dele, mas Dária... – Natasha suspirou com sua mente se enchendo de imagens dele. – Fazer sexo com ele foi maravilhoso! Química, eu entendi o significado disso.

Dária deu um risinho. Natasha foi a última pessoa que imaginou a fim de algum cara, com os olhos brilhando. Porém ao lembrar de sua própria história, soube que o impossível era só questão de ponto de vista.

– Ele é bonito.

– Ele é um gato! – Natasha não conteve a empolgação. – Você viu a bunda dele?!

Os olhos azuis de Natasha brilharam com uma empolgação que a vampira nunca vira antes. A súcubo parecia uma adolescente diante da primeira paquera.

– Vá com calma. – Dária segurou gentilmente as mãos da cunhada. – Nem todos os homens são como o teu irmão.

– O que tem eu?

Aron entrou na sala e após um breve susto as duas caíram no riso.

– Só um assunto de garotas. – Dária acariciou o rosto dele assim que Aron se curvou para beijá-la gentilmente nos lábios vermelhos e carnudos.

– Trouxe vinho para nós. Te espero no quarto assim que terminarem o assunto de garotas.

Aron se afastou rindo. O íncubo ficava feliz por Dária ter se dado bem com suas irmãs e nunca ter se arrependido da decisão que a trouxera ao Brasil.

– Já terminamos. – Natasha disse ao irmão. – Por favor, não façam barulhos demais.

– Vamos nos comportar. – Dária se levantou.

– Eu não teria tanta certeza. – Aron exibiu um sorriso maroto nos lábios ao puxar a vampira pela cintura para junto dele.

Natasha fez uma careta e mostrou língua para o irmão.

– Quer que eu te leve para o quarto? – Dária relutou ao deixá-la sozinha.

– Vou ficar bem aqui. Peço ajuda a Isabel quando ela aparecer.

Aron não esperou por mais palavras da irmã antes de levar sua amada para o quarto. Ainda que muitos e muitos anos houvessem se passado desde que estão juntos, horas longe dela lhe pareciam uma eternidade.

Natasha os observou se afastarem, numa troca de carícias que não foi contida mesmo diante da presença dela. Quando soube que o irmão estava apaixonado achou um tanto tolo, para não dizer ilusório. Não sabia o que esse amor significava, mas conhecia bem o desejo, o fogo ardente que queimava em seu ventre numa ânsia de ter aquele cara preenchendo-a outra vez.

Do Inferno À Luxuria (Desejos Sombrios 2) - DegustaçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!