NOVE: DEREK

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A imagem que eu admiro no espelho chega a me impressionar. Estou trajando uma das minhas melhores roupas; camiseta de mangas normais na cor branca, um blusão jeans de mangas longas por cima, calças jeans com rasgo nos joelhos e um par de sapatos na cor preta, dessa vez eles são novos. Meus cabelos loiros ainda estão úmidos, penteados para o lado. Exalo um perfume suave e em minha mão direita está a chave do carro que em breve será meu. Meu e do Nicholas.

Quando desço as escadas do segundo andar encontro meu pai na sala, sentado no sofá enquanto come algumas batatinhas e toma uma cerveja. 

— Olha só como você está. Eu me lembro de ser assim há algum tempo atrás. Fazia sucesso entre as meninas, você deve fazer, não é mesmo? — ele pergunta, ficando de pé com a garrafa em uma das mãos. Está sem camisa, exibindo um peitoral que está prestes a perder a definição, porém continua mais firme que o meu. 

— Ah.. tenho algumas aqui e outras ali, não é algo que eu quero deixar fixo no momento. — respondo, tentando desviar daquele assunto constrangedor. 

— Como não tem? Ano que vem você faz dezenove anos, filho. Está na hora de sair mais, conhecer outras garotas. Beijar, transar. — ele continua, parando para dar um gole na bebida. — Com preservativo, é claro.

Tento evitar uma risada que acaba escapando quando cubro a boca com ambas as mãos. Acabamos de entrar na zona de perigo para qualquer adolescente: Falar sobre sexo com os pais.

— Eu sei disso, pai. Se me permite, eu tenho que sair. Vou na casa do Nicholas e de lá vamos para a festa do Adam. — falo rápido, não deixando espaço para o assunto anterior. 

— Ah sim, a festa. Muita gente está comentando sobre ela, vocês jovens sabem mesmo como se divertir. Mas antes que eu esqueça de perguntar ou simplesmente ignore o fato. De quem é esse carro em frente à nossa casa? — meu pai pergunta, devolvendo a garrafa de cerveja para a mesinha ali perto. Engulo o seco, tentando pensar em algo convincente para responde-lo. 

— Hum. O Adam me emprestou o carro até a sexta, é um presente por eu ter entrado no time principal da escola. — disparo, rezando para que funcione. Minhas mãos já soam dentro do meu bolso. 

— Entendido. Está com dinheiro? Quer alguma coisa? — ele pergunta, tirando sua carteira da calça jeans. 

— Não, não. Estou bem.— respondo.

E eu realmente estava, era uma festa na casa do Adam, ou melhor, na mansão. 

— Certo, não exagere na bebida. — meu pai grita após eu pegar caminho até a porta. Não respondo, sei me cuidar.

**

Ao estacionar o carro na frente da casa do Nicholas, preciso apertar a buzina algumas vezes até que ele saia pela porta da frente. Estava usando uma calça jeans na cor preta e um par de vans, sua camisa era cinza de mangas normais com pequenos desenhos de crânios.
Quando ele finalmente se aproximou do carro, abaixei o restante do vidro utilizando o botão digital. 

— Antes de tudo, só queria avisar que se eu pegar alguma gripe ou coisa do tipo, a culpa é sua por ter me jogando água gelada. — Nicholas diz, dando à volta e então entrando no carro, no banco de passageiro ao meu lado. 

— Não se preocupe, eu cuido de você. — respondo entre uma piscadela, rindo da minha própria resposta. 

— Já entrou no clima da festa? — Nicholas pergunta, ligando o rádio enquanto eu começo a dirigir. 

— Atuação é tudo, Nicholas. — respondo com uma certa convicção, batendo com meus dedos contra o volante conforme a música Shape of You do Ed Sheeran vai tocando.

O caminho até a casa do Adam é mantido por conversas curtas onde sempre paramos para apreciar algum som diferente na rádio. O trânsito está tranquilo e o clima agradável. O sol está indo embora entre nuvens amareladas, dando espaço para que a lua aprecie nossa noite.
Não é difícil encontrar a mansão, ela fica dentro de um dos residenciais mais importantes da cidade. A frente do local está cheia, tanto de carro como de pessoas. Conhecendo bem o Adam, sei que ele tem uma lista indiscutível de convidados. 

Estaciono o carro na primeira vaga que encontro, descendo logo após o Nicholas que se diz ansioso. 

A mansão daria cinco da minha casa, talvez mais. A frente tem uma coloração de branco com preto em um design bem feito. Quando passamos por toda a fila até ficarmos de frente com os seguranças apresentando nossas identidades para a verificação de membros. O primeiro ambiente é a sala, gigante, com um piso em cor branca brilhante. Milhares de pessoas estão passeando pelo local, em seus grupos, mas pelos sussurros, a festa de verdade está acontecendo nos fundos, na área da piscina. 

Nicholas me acompanha em passos rápidos e antes que passemos pela grande porta de vidro na cozinha, eu lhe dou a minha mão. Nossos dedos se entrelaçam e a sensação que eu tenho é de nervoso. 

— O Adam já mandou alguma outra instrução? — Nicholas pergunta, apertando minha mão com força enquanto atravessamos por ali. 

O ambiente estava repleto de pessoas com copos vermelhos cheios de bebida, a música ainda não estava rolando mas o cheiro de maconha já estava no ar, típico das festas do Adam. A piscina estava cheia de garotas usando biquínis, assim como rapazes só de bermuda ou cueca. 

— Estamos na festa dele, qualquer coisa deve ser dita pessoalmente.. e além disso, ele já disse tudo o que precisava. — respondo quase que como em um sussurro, deixando nossos dedos desentrelaçarem, então eu puxo Nicholas para um abraço de lado, passando meu braço por seus ombros. — Não precisa ficar nervoso, é a nossa vida, eles podem falar, tirar fotos e comentar, mas não podem intervir em nada, ok?

— Ok.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!