Capítulo 7

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Dante acertou em cheio um soco contra um saco de areia fazendo-o balançar como um pendulo em direção à outra extremidade da sala. Tinha que se conter para não o estourar com sua força sobre humana, contudo a raiva que lhe banhava as veias tornava isso uma tarefa cada vez mais difícil. Como ela poderia ser tão irresponsável?

Uma gota de suor escorreu por sua testa e deslizou pelo pescoço até parar na gola da camiseta branca que vestia. Essa já estava molhada pelas horas que ele estava ali, treinando, ou usando isso como um subterfúgio para extravasar a ira. De todos os pecados esse parecia ser o qual ele mais cometia ultimamente. Raiva dos pais, raiva dos anjos e de quem mais queria o fazer voltar para casa. Ali era seu lar agora e não deixaria ninguém estragar isso, nem mesmo uma súcubo imprudente arriscando expor a ela e todas as outras criaturas do submundo.

– Por que mentiu para mim?!

Stela entrou no galpão de treinamento do departamento de polícia e jogou uma pasta sobre uma mesa de metal à poucos metros de onde Dante estava.

– Você não tem pais, mulher e muito menos um filho. Por que mentiu para mim?

– Não sei do que está falando.

Dante pegou a toalha branca deixada sobre a cadeira junto a mesa e enxugou o suor do rosto.

– O que você sabe que não contou ao resto de nós?

– Realmente não sei do que está falando? Não estou escondendo nada.

O detetive manteve sua expressão de surpresa diante da parceira que o confrontava. No entanto, Stela, de braços cruzados deixava claro que não estava convencida.

– As câmeras do prédio onde morava a primeira vítima estavam estragadas. As digitais encontradas nas duas cenas batem, mas não constam no sistema. Não haviam câmeras no banheiro da boate e as câmeras da pista não mostram nada além de silhuetas, luzes coloridas e fumaças. O que você viu nas câmeras externas que eu não?

– Eu não vi nada.

Dante balançou a cabeça abrindo um sorrisinho ao olhá-la como se estivesse louca.

– Não ache que eu sou estupida, cara.

De braços cruzados, Stela rangia os dentes, inconformada por ele estar evidentemente mentindo para ela. Entretanto nada podia fazer, não tinha provas.

– Não acabamos ainda!

Ela deixou o lugar pisando com raiva contra o chão de cimento batido.

Droga! Dante bateu com força contra a mesa, afundando o metal onde sua mão tocou. Tudo o que não precisava era de uma detetive se metendo onde não deveria...

O telefone começou a vibrar sobre a mesa. Dante o puxou e desbloqueou a tela, exibindo um pequeno mapa com um ponto vermelho e piscando se movendo. O detetive respirou fundo. Ela podia não causar problemas por apenas um dia?

Guardou o telefone no bolso e pegou sua jaqueta antes de deixar a sala.

Natasha parou o carro conversível numa rua atrás do local combinado. Colocou os óculos de sol dentro da bolsa e ajeitou os cabelos negros, olhando-se no espelho retrovisor. O sol estava quase se pondo na tarde daquele dia quente. Uma das coisas pelas quais ela menos gostava do brasil era o calor interminável não importava o dia ou época do ano.

Seu celular vibrou na bolsa.

Estou aqui esperando.

Já estou indo.

Do Inferno À Luxuria (Desejos Sombrios 2) - DegustaçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!