CAPITULO 42 - t h e f i n a l l o o k | FIM

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Quando Eloá chorou pela primeira vez, meu coração se acalmou um pouco. Minha filha. Eu realmente ganhei uma filha.
Eles não me deixaram segura-lá. E Lisa não estava acordada para segura-la como havia prometido.
Eloá nasceu prematura, de cabelos castanhos e, para a minha decepção, olhos azuis. Mas ela nasceu com as sardas de Lisa, então eu teria o meu amor pra sempre no rosto da minha filha.
Quando uma enfermeira tirou Eloá do quarto e a levou pra incubadora, eu vi os médicos iniciarem a tentativa de acordar Lisa. Gritos. Inúmeros nomes de remédios. E eu estava imóvel.
Meu rosto molhado, minha mão ainda segurando a dela e um coração quebrado que dessa vez não se reconstituiria. Lisa estava morta. E ela me levou com ela.

Eu parei de prestar atenção nos médicos e dediquei todos aqueles minutos a olhar pra ela. Com os olhos fechados e o rosto sereno, ela ainda era a minha Lisa. Ela ainda era a menina do congestionamento e a menina da sala de cinema, a menina do ballet e a menina do whisky.
- Senhor, nós precisamos que você se retire. - O médico me pediu e sem responder, eu sai do quarto.
Na sala de espera, o clima era pesado. Todos nós sabíamos: a música de Lisa havia parado de tocar.
Exausto, eu me deixei ir até a incubadora e encarar Eloá pelo vidro. Minha filha.
Lisa estaria sempre viva e comigo através de Eloá. E eu nunca a deixaria ir.
Sentei no banco em frente da sala e me deixei chorar até dormir.

- Ian? - Amora me acordou.
- O que foi? - Perguntei e ela sorriu.
- Ela acordou, Ian.
- E está chorando? -  Me levantei, colocando a cara no vidro, tentando enxergar Eloá.
- Ian - Amora me encarou - Lisa está viva. Eles conseguiram salvá-la, Ian. Ela esta bem. - Amora começou a chorar e meu mundo congelou por dois segundos antes que eu começasse a chorar novamente.
- Você é real? - Belisquei Amora.
- Você não está sonhando, Ian! Ela está acordada - Amora sorria sem parar - e chamando você.
Correndo pelo hospital, eu entrei no quarto de Lisa sem acreditar no que estava vendo.

Seus olhos castanhos abertos e me encarando e seu sorriso...porra.
- Eu realmente gostei dos seus olhos. - Ela disse com um sorriso no rosto. - Posso te pagar um suco?
Tentei não correr, mas acelerei o passo e me sentei na cama, a abraçando.
- Você lutou. - Falei, chorando.
- Você voltou.
- Lisa. - Eu a soltei, encarando seus olhos e me preparando. - Eu nunca mais quero te perder de vista. A sensação foi horrível e eu...porra... - Ela me beijou, fazendo os planetas se alinharem e meu coração finalmente se acalmar.
- Você nunca vai mais me perder.
- Case comigo, Lisa Wengrov. Eu não tenho um anel e eu sei que esse é o pior pedido de casamento do mundo mas eu...
Ela me beijou novamente, sorrindo e chorando ao mesmo tempo,
- Sim. Eu sou sua. Só sua. Nós somos uma família e eu quero isso. Eu quero você.
                            *****
Poucas sensações no mundo são tão boas quanto acordar de um pesadelo.
Mas pegar minha filha no colo pela primeira vez depois de dois meses ganhou de qualquer outra sensação.
Eloá era minha. Eloá era nossa. E Eloá era linda.
- Ela é sua cara... - Ian falou, brincando com os dedinhos pequenos dela.
- Tem seus olhos.
- Mas tem carinha de teimosa...
- Ela, provavelmente, vai ser! Filha de vocês dois não poderia ter nascido diferente. - Alice gritou.
Estávamos todos na área de piscina da minha casa, conversando sobre as idas e vindas da vida e planejando meu casamento.
Lisa Wengrov iria casar.

Quando Joaquim nasceu, nós demos a família como completa: Amora e Tay, planejando o futuro juntos, Gabriel e Diana, Alice, Joaquim e Higor e eu...ah...

              CINCO MESES DEPOIS:
- Você tem certeza sobre esse vestido? - Perguntei a Alice pela terceira vez.
- Claro que tenho, porra! É o vestido mais bonito de todo o universo.
- Não está me deixando gorda?
- Querida, estamos todas gordas. E você não me venha decidir que não quer mais esse vestido no dia da porra do casamento!
- Ok, eu estou até gostando...
- Você está perfeita. - Amora me disse, me entregando meu buquê de margaridas brancas, segurando Eloá no colo. - Ela está ficando pesada. O que você da pra essa criança? Eloá tem sete meses e tá parecendo um tijolinho.
- Estou dando varias coisas já que a papinha dela anda misteriosamente sumindo da geladeira! - Briguei.
- Eu não posso fazer nada se aquilo é gostoso pra porra! - Amora se defendeu.
- Você consegue comer aquilo? - Alice perguntou pra Amora - Acho um nojo, não sei como Joaquim aguenta.
- Ok, depois vocês resolvem o caso da papinha sumida. Lisa tem um casamento para ir. - Minha mãe falou, me dando um beijo na bochecha. - Você está linda, querida.
Eu sorri, concordando enquanto todos saiam da sala e meu pai entrelaçava seu braço no meu.
- Pronta, Lizzy?
- Pai... eu nasci pronta. - Sorri.
Sim, eu quis me casar a moda antiga. Meu pai me levando ao altar, vestido branco e um grande buquê.
Por falta de permissão da igreja, o casamento estava acontecendo na nossa casa de praia em Angra. Mas sabe que eu até preferi...

Nada.
Nada nesse mundo seria mais perfeito que aquele momento. Ian segurava Eloá na ponta do altar, como eu havia pedido. De terno branco e os cabelos loiros penteadora pra trás, ele sorria e chorava ao mesmo tempo.
Emoções que compartilhávamos, já que eu também estava tendo um turbilhão dentro de mim.
Meu pedacinho de praia, meu pedacinho de novo amor, meu congestionamento mais bonito, minha família me esperando no altar.
Quando Ian colocou Eloá no colo da minha mãe e me pegou pela mão, ele sorriu como da primeira vez.
- Você está tão linda.
- Eu faria qualquer coisa por você. - Dei risada e a cerimônia se iniciou.
Após Amora ter perdoado os pais, nós decidimos que seria um passo importante e maduro convida-los pro casamento, assim como Agnes e seu novo namorado holandês. Pedro, Marina e seu filho e até Zach e Naomi, que estava maravilhosa em um vestido vermelho vivo.
Minha vida toda estava naquele casamento.
Todos os antigos pesadelos que Ian havia tirado de mim quando me abençoou com seu amor e sua paz.
Então não foi difícil e eu não hesitei a responder:
- Lisa Wengrov, você aceita Ian Castelli como seu esposo, para amá-lo e protegê-lo não importam as circunstancias?
- Sim. - Sorri.
- Ian Castelli, você aceita Lisa Wengrov como sua esposa, para amá-la e protegê-la não importam as circunstâncias?
- Pra sempre. - Ele respondeu, segurando meu rosto com as duas mãos.
- Faça uma promessa. - Pedi, sorrindo.
E então ele colocou a aliança no meu dedo anelar.
E eu fiz o mesmo.
- Você é meu lar, Lisa. - Ele falou.
- Você é meu sonho. - Completei.
E nós nos beijamos, selando o começo do nosso futuro.
                         

                         

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LISA [COMPLETO - EM REVISÃO]Leia esta história GRATUITAMENTE!