Capítulo 9

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Se de um lado a beleza de Cristina era realmente inquestionável, por outro lado sua simpatia era inversamente proporcional à sua beleza, talvez até como ato de defesa por ter absoluta certeza de que qualquer ser do sexo masculino que se aproximasse dela vinha apenas e tão somente com um único propósito: sexo. Já Carolina, ou Carol, como gostava de ser chamada, era completamente o oposto da irmã, tanto em termos de beleza como em simpatia. O fato de ser baixinha e gordinha acabou por lhe render nos corredores do colégio o singelo apelido de "baleia rosada", mas não só pelos vários quilos acima do ideal, como também por ficar com as bochechas rosadas sempre que dava gargalhadas – o que, diga-se de passagem, fazia a todo instante. E como os seus atributos físicos nem de longe lhe ajudavam a fazer sucesso com os garotos, muito embora só o fato de ser a irmã da Cristina já a mantivesse numa posição de destaque, restava-lhe apenas usar e abusar de sua extrema simpatia e boa vontade para conquistar o seu quinhão, estando assim sempre com aquele indefectível sorriso nos lábios, pronta para ajudar no que sabia e também no que não sabia a quem viesse lhe pedir ajuda.

Pablo era um dos que sempre lhe pediam ajuda, mas não só porque realmente queria aprender mais rápido algumas outras matérias do colégio com as quais ele não se identificava, como também pelo fato de que ela realizava quase todos os trabalhos em grupo praticamente sozinha, o que lhe fazia ganhar tempo. Além disso, como eles moravam bem próximos, ele fazia questão de passar na casa dela ou convidá-la para ir até a casa dele como forma de tentar contribuir de algum jeito para que ela continuasse sempre incluindo o seu nome nos trabalhos. E, é óbvio, o fato de estar junto com Carol, principalmente na casa dela, era mais uma chance e tanto de encontrar Cristina, que nunca estava lá quando ele chegava ou simplesmente não saía do quarto dela, como também de saber um pouco mais sobre ela para tentar preparar aquela última abordagem que ele imaginava ser o tiro de misericórdia que a traria finalmente para os seus braços.

O fato é que o tempo passava e nada acontecia em todos os sentidos. Era uma época bastante difícil para qualquer garoto, principalmente para os nerds e tímidos, como Pablo, pois a rapaziada já tinha começado há algum tempo a dar os primeiros beijinhos nas meninas do colégio, mas ele ainda parecia muito distante de conseguir, nem que fosse apenas uma bochecha para dar uma simples bitoquinha. As meninas, de fato, estavam muito mais interessadas nos rapazes mais velhos e ele, que possuía o atributo beleza física bem longe do top 5 das suas qualidades, acabava ficando sempre esquecido e jogado para escanteio, limitando-se a pensar em como seria o máximo poder sair de mãos dadas pela rua com o seu amor Cristina e os comentários invejosos que os seus amigos iriam fazer. Entretanto, a realidade lhe era extremamente cruel, sendo que o único invejoso no final das contas era ele mesmo, que tinha que aturar todos os outros colegas comentando sobre os vários namoros em andamento, tanto os autorizados como, principalmente, os não autorizados, e as diferentes experiências sexuais que eles começavam a experimentar. Ele, virgem ainda, seguia perdido em seus devaneios adolescentes passando noites e mais noites em claro imaginando como é que seria abraçar, beijar, e quem sabe até conseguir algo mais com uma menina, mas que não se tratava de uma menina qualquer, e sim de Cristina, a sua verdadeira musa entre todas as musas, aquela que iria amar para todo o sempre nesta e em todas as outras encarnações, mas que ainda não havia se apercebido disso.

Foi nessa época também que ele tomou gosto pela poesia e assim começou a rabiscar em todos os cadernos diversos poemas e versinhos, que sonhava um dia em declamar para ela em alguma noite de lua cheia. Volta e meia, inclusive, fazia também bilhetinhos e os carregava no bolso, mas nunca achava o momento ideal para entregar-lhes. No mais, seus pensamentos iam longe, principalmente quando via aqueles beijos literalmente cinematográficos nos filmes e também, o que para qualquer um nessa fase era psicologicamente ainda pior, quando via os casais se beijando ao vivo e a cores nas praças, nos cinemas ou nos bares. Seu único objetivo àquela altura na vida era afinal dar o primeiro beijo em Cristina e transformá-la logo na sua primeira namorada para entrar com o pé direito para o grupo dos ditos garotos normais, mas infelizmente não surgia a oportunidade com ela – e, na verdade, com nenhuma outra, isso porque sua louca obsessão adolescente lhe fechava involuntariamente as portas para qualquer outra garota que quisesse aparecer em seu caminho.

Se para ele, que era tão bonito e atraente quanto um hidrante, já era bem difícil, o que dizer então para uma gordinha que, além de ter uma irmã linda, tinha o apelido de baleia rosada? A vida de Carol também era bastante complicada, e por mais que ela se esforçasse também não conseguia arrumar um namorado enquanto todas as suas amigas, e principalmente a sua irmã, já andavam de mãos dadas com algum rapaz passeando pela rua afora. Até que um dia, numa dessas conspirações do destino, ela foi para a casa de Pablo para ajudá-lo a fazer um trabalho de história. Ela estava com uma camiseta amarela decotada que deixava o seu par de seios, que eram fartos e rijos, cada vez mais em evidência, quase arrebentando a camiseta, e com uma saia jeans que deixava as suas pernas brancas de coxas grossas completamente à mostra. O trabalho já ia bem adiantado quando, inevitavelmente como é nessa idade em qualquer época, surgiu um papo sobre namoros, beijos e abraços. Ele, inconscientemente, olhava Carol, mas começava a enxergar Cristina, pois as duas, além de serem parecidas, também gostavam de estar sempre de minissaia e camiseta, apesar dos atributos físicos das duas serem bem diferentes. Mesmo assim, estar sozinho com uma garota, e a garota ser uma espécie de Cristina numa versão mais rechonchuda, começou a deixá-lo de certa forma hipnotizado, ainda mais com aquele convidativo par de seios que parecia querer pular a qualquer momento para fora da camiseta dela. Com o tesão à flor da pele, elevado em doses cavalares à enésima potência, para provar uma língua feminina, ainda mais aquela que ali parecia tão acessível escondida por detrás daquele sorriso carismático entre as sempre belas bochechas rosadas, ele acabou sendo uma presa fácil quando ela jogou a isca para fisgá-lo sem dó nem piedade. Sem nem pensar uma única vez, movido muito mais pela curiosidade e, principalmente, por todo aquele tesão acumulado por Cristina e por todas as mulheres do planeta, do que por qualquer outra coisa racional que pudesse haver, deixou-se fisgar facilmente por aquela língua voraz que pela primeira vez lhe convidava sem filtros para o prazer. Ele foi sem pensar em voltar mais, ficando os dois ali por longos minutos que pareciam horas, aprendendo um com o outro como era bom esse negócio de beijar até descobrirem que havia uma brincadeira mais interessante e muito mais intensa além dessas fronteiras.

Se esquecer seu coração lá em casa, não o devolverei!Onde as histórias ganham vida. Descobre agora