Capítulo 18 - Ivy

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Amaldiçoei a inconveniente batida na porta.

-Esperança. –Toc, toc. BUM BUM. –ESPERANÇA.

-Pelas trevas de Doriam! –Falo mal humorada. Levantando e coço meus cabelos. Fazia poucas horas que havia voltado ao meu quarto e dormido, estava exausta, mas também feliz, estava sonhando com certos olhos da cor do mar mais azul de Gardia. Como não respondi a batida insistente, abriram a porta cautelosamente.

- Com licença, Ivy. – Ouço Rex parecendo preocupado.

-Agora você pede licença? E quanto a socar minha porta como se esta fosse a cara de um monstro? Podia ter só me chamado Rex.

–Você não acordava nem com minha melhor imitação de trovões Ivy. E sei que me despedaçaria se não a acordasse. –Diz ele se tornando sério. - Há problemas em Gardia, alguns semi soberanos que deveriam estar trancados no exilio, estão deixando um rastro de destruição por onde passam.

Desperto imediatamente, todos os sentidos em alerta. Começo a pegar minhas roupas de combate com rapidez.

-Chame Spike, Manola, Tob e Lex o semi soberano do fogo azul e a semi soberana dos raios Faela. – Ordeno me levantando. – Nos encontraremos no portal sul para Gardia, o mais rápido possível.

Falo apressada calçando meus sapatos. Rex faz uma reverencia e sai correndo porta afora, troco a camisola de dormir pelo vestido de combate e novamente pego o arco e as flechas penduradas ao lado da janela. Carrego um pequeno punhal branco, que peguei da coleção de Ravi há muito tempo atrás.

Corro em direção ao portal.

Preciso esperar algum tempo ainda, até que todos os semi soberanos que convoquei apareçam. Quando eles chegam vestidos e armados para batalha, atravessamos o portal e corremos em direção a leste, onde o sentimento de desespero consome os humanos.

Quando nos aproximamos preciso parar por um segundo, meus olhos buscam analisar toda a situação.

A violência e destruição de um pequeno vilarejo não pode ser evitada. Há humanos mortos e ensanguentados por todos os lados, as pequenas casas de madeiras estão sendo consumidas em chamas arroxeadas.

Dorpax não poupou nada, nem ninguém. Todos estamos parados no centro do vilarejo destruído, completamente abismados com o tamanho da violência do semi soberano da agonia. Meu coração se enche de tristeza quando vejo a pequena criança de cabelos loiros e olhos azuis ainda viva, que se arrasta em minha direção.

Me ajoelho e a pego delicadamente nos braços.

- Eu sabia que você viria. – Ela diz, seu tom de voz é doce e infantil, ela arrisca um sorriso, apesar do corte profundo em sua barriga, então rasgo parte de meu vestido tentando conter aquele sangramento, tentando salvar a vida da pequena garotinha gardiana. – Rezei por você esperança, sabia que você viria, você é minha soberana preferida, porque é você que nos motiva a continuar, é você que nos enche de esperança.

Meus olhos se enchem de água, mas é tarde demais para aquela pequena criatura. Meu peito fica repleto de dor enquanto caminho com aquela menina no colo em meio àquela destruição.

Sou tomada por uma fúria incontrolável, raiva e revolta dominam meu ser. Eles não matam os humanos, pois isto é proibido, eles os deixam em um estado de agonia para se fortalecer, a morte é algo que virá devido aos ferimentos, mas não é instantâneo e então Dorpax não será culpado por estas mortes, pois o fio que os une é rompido quando a morte não é rápida. Contudo minha fúria ira vingar estes humanos, e assim deposito o corpo pequeno da menina no encosto de uma arvore, uma pequena essência dela passo para o ser petrificado, a arvore se enche de flores amarelas como o cabelo da menina, em alguns anos com minha benção este lugar está repleto destas arvores. Sua alma não vai habitar a arvore, deixarei que esta viaje seu curso natural, mas a pequena essência da pequena gardiana, será a lembrança que estes gardianos não mereciam este terror em suas vidas.

Pego a primeira flecha, eu tenho meu alvo, meus olhos estreitam quando capturo o algoz semi soberano da Agonia.

Ouço o urro de dor quando a flecha atravessa seu crânio, ele não morre, mas isto com certeza doerá. Sorrio diante minha mira. Depois disto, a uma confusão de gritos vitoriosos e dor, os semi soberanos das trevas irão perder, eles sabem disto. No entanto algo estranho acontece, estamos sendo rodeados por mais, eles não saem em tanto número do seu território, o perigo de matar de verdade os impede.

-Percebeu Esperança. –Grita Dorpax. –Somos em maior número.

Ele ruge e volta a atacar. Um grito de guerra sai de meus lábios quando corro para o meio daquela destruição e trevas.

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