Capítulo 6

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– Por que ela ainda está aqui? – Natasha colocou o copo de suco de laranja sobre a mesa da sala ao se virar para o irmão.

– Acredite, eu tentei mandar ela embora. – Aron tinha a mesma expressão de raiva no rosto.

– Ah, a mãe de vocês não parece tão ruim assim. Ela foi gentil comigo. – Dária, a bela vampira ruiva, apoiou suas mãos pálidas no encosto da cadeira onde o íncubo estava.

– Não se deixe enganar. – Natasha a encarou com o canto de olho para depois desviar o olhar para as sombras que se formavam na parede.

– Tenho que admitir, nossa mãe nunca foi muito confiável. – Isabel se pronunciou sentada do outro lado da mesa.

– Oi queridos, estão aqui sem mim? – Beatriz entrou na sala de estar assim que descobriu onde os filhos estavam. – Pensei que tivessem sentido a minha falta.

Ela encarou o rosto de cada um deles, e não encontrou em nenhum a expressão que esperava. A de Dária era a menos raivosa, mas ainda assim era carregada de surpresa e confusão.

Eles estavam certos, a viagem que a trouxe tinha um motivo. Precisava ficar longe da Europa por alguns dias e nada melhor do que uma visita aos seus filhos.

Natasha balançou a cabeça em negativa ao torcer os lábios. Estava claro que ela não gostava da presença da mãe ali. Ela apoiou as mãos sobre a mesa para se levantar e deixou a sala.

– Fique longe de mim.

– Querida, espere!

Beatriz viu a filha sair e a seguiu. A hostilidade dela deixou a mãe um tanto chateada. Não esperava que eles pulassem nela e a abraçassem chorando pela saudade. Mas não imaginou ver tanto desdém e ódio.

Natasha estava de pé apoiada sobre a sacada da varanda, sentindo os raios do sol da manhã roçarem seu rosto numa carícia suave e terna. Com as pesadas cortinas cobrindo todas as janelas da casa para proteger a vampira, aquele era o único lugar onde podiam desfrutar do sol.

Ouviu os passos do salto contra o poso de porcelanato e virou-se para encarar a mãe e observou a entrada da varanda atrás dela.

– Qual a parte do fique longe de mim você não entendeu? – Natasha disse entredente. Seus olhos azuis afunilados somados a forma como ela apertava o parapeito deixavam claro a raiva que emanava dela.

– Eu sei que eu não tenho sido uma boa mãe nos últimos séculos...

Beatriz estava acuada, com as mãos cruzadas em frente ao corpo tocando uma na outra, aumentando ainda mais o suor frio. Seus olhos levemente curvados só expressavam a angustia que fazia seu coração bater apertado.

– Me diga mãe, o que veio fazer aqui? E não me diga que estava com saudades, não sou idiota.

– Eu realmente senti saudades de vocês, é verdade. Quando soube que Aron estava... Casado, foi que percebi o quanto da vida de vocês eu perdi.

– Faz mais de cem anos que eles estão juntos. Pare de mentir! Em que encrenca se meteu?

Natasha cruzou os braços e desviou o olhar, cansada de ouvir mentiras. Beatriz não se importava, sabia bem disso.

– É verdade que as coisas na Europa estão um pouco complicadas. Os bruxos estão com problemas internos, parece que a rainha de uma parte deles foi morta pela outra parte... Não sei ao certo. Só que em alguns lugares tudo está um caos.

– O que você tem a ver com problemas bruxos?

– Bem... Eu estava saindo com um que foi morto bem na minha frente. Foi horrível, fiquei assustada.

– Fugir e se esconder, tão típico seu.

Beatriz engoliu em seco. Talvez a filha estivesse sendo mais cruel com ela do que estava preparada para lidar.

– Eu sei que está com raiva Natasha, mas... Você é mais parecida comigo do que imagina filha. Mais parecida do que Aron e Isabel.

– Eu nunca os deixei como você fez!

A súcubo bateu com força contra o mármore do parapeito onde se apoiava extravasando a raiva que já estava no limite.

– Mas sei que tiveram que deixar a Europa por um erro que você cometeu.

– E quem acha que é para me julgar?

– Não estou julgando você, queria. Só a lembrando de que todos nós cometemos erros.

– Se acha que esse discurso me fará perdoa-la, está enganada.

O olhar de Natasha nem mesmo hesitou ao encarar a mãe. Beatriz era sorrateira e manipuladora como uma cobra, no entanto não deixaria que ela desse o bote assim tão fácil. A velha súcubo já provara muitas vezes que colocava seus interessem acima de qualquer coisa. Inclusive os filhos foram todos apenas para serem meros piões e manipular mais fácil homens com poder.

– Vou para um hotel, já deixaram claro que a minha presença aqui não é tão desejada. Mas ainda não desisti de recuperar o amor dos meus filhos.

– Já vai tarde mãe. – Natasha deu um breve aceno.


Do Inferno À Luxuria (Desejos Sombrios 2) - DegustaçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!