Capítulo XI

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— O que significa isso?

Alec e eu separamos nossos lábios assim que ouvimos a voz de meu pai. Senti um frio percorrer meu corpo. Alec segurou minha mão com força, tentando passar-me tranquilidade. No entanto, eu temia o que poderia acontecer.

— Pai...

— Então, é por isso — ele gesticulou — que não quer casar com o conde Zachary?

— Não... e sim. — minha voz estava trêmula.

— Majestade, se me permitir, eu amo sua filha. Talvez, não possa oferecer a ela um palácio, joias, vestidos caros... mas eu daria a minha vida por ela, se necessário. — Alec encarou papai nos olhos e eu pude ver a fúria nos olhos de meu pai.

— Eu nunca permitiria que a minha filha, uma princesa, casasse com alguém desqualificado, inútil, um nada, como você.

— Chega pai!

— Calada, Luna! — gritou. — O que você é garoto? É um conde? Um duque? Um marquês? Não! Você é apenas um plebeu, sem perspectiva e indigno da minha filha.

Vi uma lágrima rolar nos olhos de Alec. Meu coração partiu ao meio por vê-lo assim.

— Para, pai. Eu amo o Alec. Por favor, eu estou implorando... — supliquei.

— Eu nunca a vi implorar nada. O que esse garoto fez com você?

— Ele me faz feliz. Eu só quero ser feliz, pai. — as lágrimas já inundavam meu rosto.

— Felicidade? Que felicidade esse imprestável pode ter te trazido, Luna Katerina?

— Eu ordeno que se desculpe. — gritei.

— Quem é você para ordenar alguma coisa? — Papai riu, irônico. — Vamos. — ele puxou meu braço.

Alec tentou impedir.

— Amor... vai ficar tudo bem, você prometeu que tudo ficaria bem. Vá pra casa e não se preocupe. Apenas faça isso. — aconselhei-o. — Eu te amo. — sussurrei e soltei sua mão.

Papai puxava-me com força, entre os galhos do bosque. Sua raiva era quase palpável. Mentalmente, clamava a Deus. As coisas fugiram do meu controle. Alec e sua família estavam correndo riscos.

— Sorte a sua de que fui eu que a encontrei. O que faríamos se fosse Kevin ou o conde Zachary? Você não pensa, Luna?

— Está me machucando. — protestei.

— E é pra machucar. É pra ver se você aprende. — seu indicador foi de encontro ao meu rosto.

Assim que adentramos o palácio, ele arrastou-me até meu quarto e trancou a porta por fora. Fiz a única coisa que estava a meu alcance: eu orei.

— Jesus... eu estou desesperada e eu não sei o que fazer. Por favor, ajude-me. Proteja Alec e sua família, que nada de ruim venha acontecer a eles. Minha vida está em tuas mãos. Sei que Tu cuidas de mim...

Fui interrompida pelo barulho da porta sendo destrancada. Ravena, mamãe, tio Edmundo e papai entraram.

— O que aconteceu, filha? Você está bem? — mamãe aproximou-se.

— Ah, ela está... conte o que aconteceu Luna. — meu pai provocou.

Os demais, estavam perdidos diante de tudo aquilo.

— Eu conheci o amor. — olhei no fundo dos olhos de meu pai.

— O amor? O que está dizendo, filha?

— Eu conheci o amor, minha mãe. Algo que nunca tinha conhecido antes. Em uma proporção muito maior do que eu imaginava que pudesse exitir.

— Não estamos entendendo, Luna. — tio Edmundo estava apreensivo.

— É bem simples: eu conheci Deus.

Como esperado, todos olharam-me como se tivesse dito a maior asneira do mundo. Os olhos de meu pai ficaram ainda mais raivosos, se é que era possível.

— Além de namorar um plebeu você tornou-se uma louca? — papai estava com os punhos cerrados, como se, a qualquer momento, fosse voar em meu pescoço.

— Sim. Se ser cristã é ser louca, então eu sou louca.

— Namorar um plebeu? — Ravena pronunciou-se pela primeira vez.

— Um tal de Alec... — papai fez careta. — Há quanto tempo você encontra aquele garoto?

— Desde que chegamos aqui. — respirei fundo.

— Você quer matar-nos? — Ravena gritou. — Se alguém descobre, Valência sucumbi. Você não pensa? Você é uma princesa, como pôde apaixonar-se por um plebeu? Foi ele que te falou de Deus? Você deveria ser condenada à morte, sua miserável. — o ódio nas palavras de minha irmã machucavam-me demais.

Mamãe permaneceu em silêncio.

— Pai... escute-me! Deus mudou minha vida... eu sei que, no fundo, o senhor sabe que Ele é a única solução para o reino. Valência precisa voltar às origens e lembrar do seu verdadeiro Rei.

— Já chega!

O tapa fez com que virasse meu rosto.

— Domênico! — tio Edmundo tomou minha frente. — Está alterado. Tente ficar calmo.

— Como vou ficar calmo? Minha filha tornou-se aquilo que eu abomino e ainda por cima, namora um incompetente.

— Pai... por favor... eu só estou pedindo uma chance para ser feliz. Eu estou implorando.

— Por sorte, isso não foi e nem irá a público. Se não, sabe o que eu teria que fazer Luna? Teria que mandá-la para à forca ou para à guilhotina.

— O senhor se engana se acha que vou esconder minha fé, mais do que já escondi. Se for pra morrer por amor a Deus, tudo bem. Jesus também morreu por me amar. — as lágrimas e os soluços já haviam tomado conta de mim.

— Já chega! Luna, olha pra mim. — mamãe prendeu meu rosto entre suas mãos. — Foi esse garoto que falou sobre Deus? — apenas assenti. — Certo. Você vai esquecer tudo o que ouviu e nunca mais vai vê-lo. Combinado?

— Eu amo Alec e mais do que tudo, eu amo a Deus. Nunca vou esquecê-los... a propósito, como o senhor encontrou-me? — dirige-me a papai.

— Você sumia no mesmo horário, todos os dias. Fui pelo mais óbvio e você vai acabar tudo o que tem com esse garoto. Se não, eu direi a Kevin que ainda há quem pregue sobre Deus. Eles o encontrarão, o matarão e você terá que conviver com essa culpa pelo resto da sua vida.

— Pai, eu imploro que não o mate. — desesperada, ajoelhei-me aos pés de meu pai.

Eu nunca havia feito isso antes.
Eu era orgulhosa demais. Entretanto, preferi engolir meu orgulho e tentar proteger meu amor.

— Eu nunca imaginei vê-la assim, Luna. Você me envergonha... mas eu não o mato. Porém, você casará com o conde Zachary e esqueçerá tudo o que ocorreu.

— Certo. — engoli o choro. — Eu só quero despedir-me de Alec. Alguém pode ir junto comigo. Eu só quero vê-lo uma última vez.

— Mandarei um mensageiro para o bosque. Hoje à noite, vocês se despedem.

— Como vai encontrá-lo?

— Eu sou Domênico Clairmont de Valência, sempre consigo o que eu quero.

“Não teria tanta certeza, o senhor não é Deus. Ele sim, sempre consegue o que quer” pensei. Apesar de tudo, eu sabia, exatamente, o que fazer.

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“'Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças' O segundo é este: 'Ame o seu próximo como a si mesmo.'”
Mateus 12:30,31

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