Capítulo 5

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Quando Natasha chegou em casa a brisa fria da madrugava ainda soprava seus cabelos. A súcubo suspirava pela ótima noite que tivera, sexo a três sempre era maravilhoso e energizante, precisava fazer aquilo mais vezes. Após sair da boate não encontrara Isabel, provavelmente sua irmã saíra com a presa desejada. Assobiava quando chegou a porta do santuário após. Procurou a chave para o portão lateral em sua bolsa, mas a pouca luz da rua que se resumia aos postes, alguns queimados, outros fracos onde voavam cupins e mariposas.

– Finalmente. – Balançou a chave no ar assim que a encontrou.

Assim que passou pelo portão subiu uma escada estreita e com degraus altos até chegar a casa que ficava sobre a boate. Era por volta das cinco da manhã e o sol não tardaria a nascer, torceu para que Aron e Dária estivessem no quarto, ocupados demais um com o outro, para nem notarem a presença dela. Entretanto, no momento que abriu a porta da sala, desejou voltar para trás.

– Natasha!

– Mãe?!

A súcubo arregalou os olhos e se apoiou na parede, estarrecida. Não era possível! Aquela era sem dúvida a última pessoa que imaginava ver. Por séculos, imaginou ter se livrado dela.

Beatriz estava sentada sobre o sofá, de pernas cruzada e tomava chá. Colocou a xícara e o pires sobre a mesa de centro a sua frente e jogou o cabelo sedoso e castanho para trás ao olhar para a filha. A mulher com aparentes quarentas anos, usava um vestido preto e colado, de marca, sofisticado como as joias reluzentes que usava.

Aron, o irmão mais velho de Natasha, estava sentado no outro sofá, com Dária ao seu lado. Os lábios levemente curvados e olhos distantes, evidenciavam o incômodo diante da presença da mãe.

– Qual a surpresa, querida?

– Fala sério, mãe. Há quanto tempo não dá as caras? Uns duzentos e cinquenta anos.

Natasha cruzou os braços e apoiou um dos pés na parede branca.

Beatriz não era um exemplo de mãe do ano, nunca fora atenciosa ou preocupada com os filhos, o pai humano e Aron sempre cuidaram melhor dela. Não sentiam saudades dela e a presença da mãe ali não a fazia vibrar de alegria.

– O que está fazendo aqui?

– Vim conhecer a minha nora, é claro! Que a proposito faz um ótimo chá inglês. – Beatriz sorriu para Dária. – Achei que com um século fora da Europa teria se esquecido.

– Pois é mãe, tem mais de cem anos que eles estão juntos, e só dá as caras agora.

Irritada, Natasha deu as costas para a mãe e voltou pelo mesmo caminho que veio.

– Querida, espera... – a voz de Beatriz se perdeu sem ser respondida.

Não, ela não seria recebida com festa, os três eram melhores sem ela.

Natasha desceu para o salão da boate. Qualquer barulho seria mais agradável do que a voz de sua mãe. Aquela mulher era uma narcisista que não via nada além de seu próprio umbigo. Ter os filhos fora apenas um pressuposto para manter o poder.

Pelo horário, o salão da boate estava relativamente vazio, a não ser pela matilha de lobos disputando entre si um campeonato de quem tomava mais doses de um copo de cachaça. Natasha se sentou junto ao balcão após puxar um banco de madeira. Sorri com um aceno de cabeça para o barman que secava um copo de uísque.

– O que foi, Nat?

O cara colocou o copo virado de cabeça para baixo sobre o balcão de madeira e apoiou os ombros sobre ele, tombando seu corpo para que pudesse se aproximar mais dela.

Do Inferno À Luxuria (Desejos Sombrios 2) - DegustaçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!