9º Mês

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Sam


Mila estava no banheiro tomando banho, era noite e estava chovendo muito, bom para dormir de conchinha. Eu estava completamente acabado, tinha pego um turno atrás de outro, mas contente que quando minha menina chegasse poderia ficar quase um mês com elas e depois tiraria as minhas férias.

Mila estava de atestado médico, a médica dela deu quinze dias de afastamento, pois faltava duas semanas para o nascimento de nossa Ana, o tão sonhado dia. Óbvio que estávamos muito ansiosos com isso.

— Sam. — Mila saiu do banheiro vestida em uma das minhas camisas. Ela ficava tão linda.

— Oi.

— Hum. — Ela parou no meio do quarto e de repente ouvimos um barulho de água caindo. Os dois olharam para o chão ao mesmo tempo. — Acho que minha bolsa acabou de estourar. — Senti um cheiro parecido com água sanitária, então aquilo não poderia ser xixi.

— Sua bolsa? — perguntei em dúvida. Demorou uns segundos para que a ficha caísse. — Sua bolsa, ai meu Deus, Ana vai nascer!

— Acho que sim. — Pulei da cama e sai do quarto como um louco correndo. — Sam! — Ouvi Mila me chamando, voltei correndo.

— Oi, precisa de algo? Vou ligar o carro, vamos indo para o hospital!

— Sam, respira. — Eu estava frenético, todo o cansaço sumiu.

— Quem tem que respirar é você. — Comecei a respirar conforma as aulas.

— E você, meu amor, tem que colocar as calças. — Ela riu e caminhou para o banheiro. — Por mais que eu goste de ver você só de cueca, vai passar frio.

Olhei para baixo e notei o fato. Caminhei até o guarda-roupa e fui me trocar enquanto ouvia o barulho do chuveiro. Depois disso, corri no quarto de Ana e peguei as malas que estavam prontas, então, desci para a garagem.

Parei na porta assustado. Minha garagem estava inundada de água, vi o nível da chuva chegar no meio dos pneus do carro. Isso era preocupante, minha garagem era alta em vista da rua. Se estava daquele jeito aqui dentro, imagine lá fora.

Vi Mila descer com cuidado as escadas.

— Teremos que chamar uma ambulância.

— Por que?

Dei espaço para ela ver o nosso quintal.

— Estamos ilhados.

— Certo. É só manter a calma, vai dá tudo certo. — Ela sorriu para mim. — Vou ligar para doutora enquanto isso.

Foi ela falar e escutamos um estrondo seguido das luzes se apagando.

— Fique onde está que vou pegar a lanterna. Não se mova para não bater os dedinhos nos móveis.

Deixei as malas no chão e passei por ela. Tinha uma lanterna no nosso quarto e fui buscar. Quando passei pela janela vi um clarão, me aproximei e olhei para rua. O barulho que ouvimos era de um carro que bateu em um poste.

— Ai, caralho. — A situação ficou ainda mais complicada agora, teria que chamar o corpo de bombeiros. Peguei o celular no criado mudo e desci as escadas. — Vou ter que ligar para o corpo de bombeiros...

— Sam, não é para tanto... — ela para de falar e segura a barriga.

— O que foi Mila?

— Contração. — Olhei para o relógio do celular e contei o tempo de duração. A contração demorou um minuto. — Não acho que seja um falso trabalho de parto.

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