8º Mês

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Mila


Eu parecia uma pata andando. Sério, eu acho que a qualquer momento vou tombar e sair rolando por aí. Sam, aquele tratante de marca maior, fica dizendo o quão bonitinha eu estou. Já mandei ele procurar um oftalmologista, ou ele estava ficando cego ou totalmente doido.

O cansaço me consumia, os meus pés doíam. Meu tão amado trabalho estava me deixando louca. Juro que estava tendo pensamentos de afogar cada criaturinha na sala de aula, era muito barulho e eu não conseguia ter disposição para correr atrás delas.

Minha Ana diminuiu as mexidas durante a noite e eu conseguia dormir tranquila. Claro, só depois de conseguir finalmente uma posição legal. Deitar do lado esquerdo era a melhor coisa, ficávamos confortáveis.

Outra coisa que mudou foi o sexo. Não, a vontade de devorar o pai da minha filha não foi embora, eu duvidaria se um dia essa vontade iria passar, mas devida minha imensa barriga, a tarefa ficou cada vez mais difícil.

— Eu desisto. — Empurrei Sam do lado e sentei na cama emburrada. Era simplesmente difícil dar um beijo sequer nele.

— Ei, vem cá. — Sam se me puxou para seu colo e me abraçou. Ainda me pergunto como ele tem força para isso. — O que tanto está te chateando? Tenho notado você estressada estes dias. — Ele começou a fazer massagem em meus ombros.

— Não adianta, você não vai entender. — Fiz biquinho contrariada.

— Tenta explicar. — Sabe, Sam é um maldito. Já disse isso? Ele sempre vem com beijinhos e sorrisos que me fazem virar uma poça.

— Eu estou enorme.

— Você está grávida...

— Eu estou enorme, meus pés estão também! Pareço que vou sair rolando a qualquer momento. — Suspirei derrotada. — Agora nem amor conseguimos mais fazer.

— E só nos ajeitar e...

— Não Sam. Não dá. É impossível. — Levantei da cama e fui para o banheiro. Precisava esfriar as coisas um pouquinho. Parei na frente do espelho me olhando por alguns segundos.

Realmente não entendi como Sam poderia sequer olhar para mim com um pouquinho de desejo. Eu estava feia. Minha cara estava larga. Os meus seios gigantes, e depois do banho, eles começaram a vazar e eu cheirava a leite. Minha barriga estava enorme, minhas pernas inchadas, minhas roupas não me cabiam, a maioria das vezes estava vestindo as camisetas dele e suas cuecas samba-canção, como agora. Eu não tinha vontade nenhuma de me arrumar, pois o cansaço me governava.

Apaguei a luz e voltei derrotada para cama. Sam estava com o celular na mão sorrindo feliz. Ele sacudiu o aparelho e olhou para mim com o sorriso "Mila, você está ferrada".

— Não é impossível. — Fiquei olhando sem entender nada. — Pesquisei aqui no google como fazer amor com sua muito grávida e maravilhosa companheira que não quer se casar com você.

— Você não fez isso. — Acho que o meu queixo foi no pé.

— Claro que não. — Ele riu. — Ia trazer um monte de coisas, só coloquei posições sexuais para gestante.

— Samuel! — Senti todo meu corpo esquentar de vergonha.

— Que foi? Você disse que era impossível e eu fui pesquisar. — Ele veio até mim e me beijou. — Nada é impossível, só dar um jeitinho que dará tudo certo. — Sam se posicionou atrás de mim e começou a dar pequenos beijinhos no meu pescoço. — Tem várias maneiras de nós dois fazemos amor, deliciosamente e confortavelmente.

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