19. Onde está aquela atriz? FINAL. (Mike)

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Estava dirigindo ao encontro de Jade muito ansioso para passar nosso primeiro fim de semana juntos depois do nosso afastamento para o seu tratamento. Enquanto faço curvas na estrada arborizada e cercada de pastos verdes, lembro de como descobri o que se passava com ela.

Durante a festa em que a beijei no terraço do hotel, vi sua assessora lhe dar um remédio para beber. Fui até ela pedir para ver a caixa. Relutou, mas, deixou que eu anotasse o nome. Coloquei na internet e descobri que era um antidepressivo para ansiedade. Relutei por dois dias e liguei para os seus pais para perguntar como ela estava, visto que ignorava minhas ligações e mensagens solenemente.

Então, sua mãe fez um pesado silêncio do outro lado da linha e me contou que Jade tinha muitas crises de pânico desde o acidente em que se envolveu com o outro ator. Perguntei mais a fundo que tipo de situação a estressava e aos poucos entendi algumas cenas que passara desapercebido, como quando vomitara ao lado da carruagem em que gravávamos uma cena logo que disseram "cortar".

Desliguei e refleti sobre toda a ordem de sofrimento ao estar próximo a carros e trânsitos. Será que implicara comigo no caminho da festa por conta de estar se sentindo insegura e mal? Comecei a me interrogar e decidi dividir isso com sua mãe, que virara minha aliada em saber atualizações sobre sua depressão. Então, ela me disseram que achava que Jade estava me afastando e me ferindo para que não tivesse mais perdas, pois queria ficar sozinha.

Fui levando minha rotina de gravações e comerciais sempre ligado ao telefone, a espera de que contasse comigo ou me retornasse por saudade. Mas, quando sua mãe me ligou, tive medo do que poderia ter feito algo irreversível. Senti meu sangue gelar quando disse alô.

— Mike, você pode vir conosco ao consultório da médica, que é uma grande amiga da família? Vamos precisar de aliados...

— Sim, claro, mas, ela está bem?

— Ãnh, precisamos conversar, Mike. — Sua voz ficou chorosa e senti um aperto horrível no peito.

Prontamente os encontrei no lugar indicado e esperamos sermos os últimos a ter atendimento. Abracei sua mãe e lhe disse que podia contar comigo para tudo que precisasse.

— Eu sei que a minha filha gosta de você, o coração de mãe não se engana. E você? Gosta o mesmo tanto para ajudá-la a sair dessa situação? — perguntou.

— Eu amo sua filha e faria qualquer coisa.

Ela limpou a lágrima e deu duas batidinhas no meu braço.

Entramos e a médica explicou que no estado dela, era melhor que tivesse cuidados especiais e passasse por um tratamento mais intensivo com isolamento da imprensa, remédios e terapia. Ouvi tudo calado, lembrando da garota engraçada, solta, que cantava com um microfone invisível na mão e que ria o tempo inteiro para a vida.

— Você é o namorado dela? — perguntou.

— Agora, não... Mas, quero ajudar.

— Eu tenho a Jade como uma filha, pois sou amiga da família há tantos anos e farei o que for preciso para ajudá-la.

— Não queremos que ela fique em uma clínica, nem que a imprensa saiba e tire fotos, seria o fim para ela. — Sua mãe se aproximou da mesa, implorando piedade na voz. — Por favor, podemos levá-la para a fazenda onde você mora? Pagamos cuidadores e até ficamos por lá se for preciso...

— Eu dou todo o dinheiro que precisarem se puderem afastá-la dos olhares da imprensa e a curarem... — disse.

— Nesse momento o problema não é dinheiro ou até onde ficará, mas, a sua vontade em ir com as próprias pernas.

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