7º Mês

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Sam


— Merda! — xinguei pela milésima vez naquele dia. Por mais que tentasse ao máximo não atingir os dedos enquanto estava martelando a madeira em minha frente, não conseguia.

Mila gargalhou. Ela estava colando o papel de parede no quarto da nossa bebezinha. Escolheu um com motivos de bichinhos de pelúcia em um tom de rosa bem clarinho. Dois dias antes, eu tinha pintado o quarto todo com essa mesma cor. O teto e os móveis seriam brancos. Móveis estes que estava me dando um trabalhão.

— Eu tenho o número do Bryan na discagem rápida. — Mila mostrou o celular para mim.

— Por que cargas d'água você teria o celular de Bryan na discagem rápida? — perguntei indignado.

— Para estes casos. — Ela tampou a mão com a boca. — Meu querido. Você é ótimo em algumas coisas, muitas coisas para ser exata. — Aposto, só de olhar como ela corou, estava lembrando da nossa escapadinha de hoje de manhã quando cheguei do turno. — Mas montagem de móveis não é sua praia. Nem a parte de encanamento.

Eu tinha tentado acabar com um vazamento embaixo da pia e resultou em nós dois molhados na cozinha, tivemos que tomar um banho quente juntinho, para economizar a água, já que quase inundei a casa.

— Tá bom, eu desisto. — Sentei no chão de cara feia e ela riu. Mila veio sentar toda desengonçada no meu colo. A barriga dela está grande, já estávamos muito próximo do nascimento e eu não via a hora de ver minha menininha. — Cadê o telefone do safado?

— Você fica tão bonitinho quando bravinho. — Ela era um doce e eu estou completamente apaixonado.

— Mila, casa comigo? — pedi novamente.

Ela riu.

— Vamos, só por que eu te acho bonitinho? — Mila não me levava a sério, era a segunda vez que eu pedia e ela não acreditava. — Mandei uma mensagem para Bia e eles estão vindo.

***

Conheço o Bryan desde nosso primeiro dia na academia. Nós competimos em tudo. Já sabia que viria gozação quando ele chegasse para montar o berço.

— Mila, se tu precisar de um marido de aluguel é só chamar. — Dito e feito.

— Mas é idiota mesmo — resmunguei e ganhei as gargalhadas de todos. Enquanto eu e o doutor sabichão montamos os móveis, Mila e Bia iam colando o papel de parede. Aos poucos, o quarto da nossa garotinha estava ficando lindo.

— Quando vamos fazer o chá de bebê? — perguntou Bia.

— Ah, eu não estava querendo fazer...

— Oxi! Por que não? — Bia interrompeu Mila.

— Minha mãe fala que estes tipos de eventos são totalmente deselegante e...

— Bobagem. — Foi minha vez de interromper. — Mila, você sabe que sua mãe é meio sei lá, né?

— Meio sei lá foi ótimo. — Bia riu. — Vamos fazer um chá de fralda. Fralda nunca é demais e as pessoas podem trazer o que quiser para complementar o presente. Também não gosto muito de impor nada a ninguém. — Bia piscou para mim. — Não podemos perder a oportunidade de pintar e fazer um monte de brincadeiras com vocês.

— Ei! Vocês no plural? — Uma sirene em alarme tocou em minha mente.

— Mas é claro. — Bia riu. — Vamos fazer um misto, assim os pais terão que participar das brincadeiras.

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