Capítulo VIII

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Dias passaram-se. Não houve um, em que não conversei com Alec, não houve um, em que não conversei com Deus. Em meio a esse tempo, meus sentimentos por meu amigo aumentaram demais, assim como meu relacionamento com o Senhor. O Espírito Santo entrou em minha vida, a cada instante que se passava, Ele transformava-me, moldava-me.

Os preparativos para o casamento corriam de vento em polpa. Zachary não havia aprontado mais nenhuma gracinha e minhas brigas com meus pais ou Ravena cessaram. Embora todos estivessem extremamente animados para o casamento, eu não estava. Eu desejava estar com Alec, não estar escolhendo flores, tecidos, comidas... eu só queria usufruir da companhia de meu amigo. Estar com ele, depois de falar com Deus, era a melhor parte do meu dia. Contava os minutos para encontrá-lo e quando isso acontecia... ah, quando isso acontecia, os problemas sumiam. Ver seu sorriso motivava-me a sorrir, mesmo em meio aos furacões que estavam vindo em minha direção, prestes a destruirem meus alicerces.

Sabia o quanto esses sentimentos podiam ser destrutivos, no entanto, eles já haviam tomado uma grande proporção, não tinha muito o que fazer, se não, desfrutar cada instante, cada segundo ao seu lado.

Eu ainda queria fugir, mas eu tinha medo. Temia por Alec e sua família, não poderia colocá-los em risco. Talvez, minha única saída, para escapar da união com o conde Zachary fosse fugir só. Apenas Deus, meus sentimentos e eu. Ninguém iria sair ferido, apenas eu. Eu aprendi a importar-me mais com os outros do que comigo mesma. Deus usou Alec para mudar minha vida. Eu já não era mais tão egoísta, passei a visar o bem do próximo. Jesus faria a mesma coisa. Sabia que Ravena estava apta para governar, ela seria a rainha perfeita, ela queria isso. Eu queria apenas um lugar onde pudesse adorar a Deus livremente, sem me preocupar se alguém estava ouvindo-me orar.

Já eram dez horas da noite. O palácio estava silenciosio, o toque de recolher já havia sido dado. Deitada na cama, mirava o teto do quarto e sorria. Estava pensando em Alec e seus belos olhos verdes. Não foi à toa que verde tornou-se minha cor preferida: a cor da esperança, do campo e dos olhos dele.

Ouvi um pigarreo e alarguei o sorriso em minha face. Levantei-me da cama e abri a janela. Sentia-me como em Romeu e Julieta.

— Vossa alteza, aceita dar um passeio?

— Você é maluco? Não sei escalar uma torre, como você. — ri baixinho.

— Vou segurá-la, eu prometo. Quero mostrar uma coisa. — ele sorriu.

Como negar àquele sorriso?

— Preciso estar de volta antes de amanhecer.

— Seu pedido é uma ordem.

— Foi uma ordem. — ri novamente.

Não posso dizer que foi fácil escalar a torre. Graças a Deus, não era tão alta. Alec ajudou-me e não me deixou cair. Sorrateiros, passamos pela guarda e fomos em direção ao bosque. Ele segurava minha mão com firmeza, mas não doía. Caminhamos por alguns minutos, até chegarmos na beira do monte Keslieve.

A paisagem era de tirar o fôlego. A nossa frente, estava o grande lago Keslieve. Porém, o mais encantador, era a lua cheia, que enfeitava o céu estrelado.

— Mais bela que a lua... — Alec acariciou meu rosto. Fechei os olhos ao sentir seu toque contra minha pele. — Você é tão linda quanto essa lua, Luna.

Minhas bochechas ficaram como uma pimenta e não consegui conter o sorriso.

— Obrigada. — gaguejei, sem desviar nossos olhares.

— Lembra da minha cor preferida?

— Lembro. Você disse que gosta de castanho, o que, convenhamos, não é muito convencional. — assenti.

Coração ValenteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora