— Céus! — Bryan disse horrorizado. — O que vocês fizeram com aquela preciosa tortinha?

— Coloquei algumas coisinhas a mais. — Sorri e me servi da mistura. Quando todos os sabores atingiram minhas papilas gustativa, eu tive que gemer. — Isso é muito bom.

— Isso é um sacrilégio. — Bryan balançou a cabeça e todos nós rimos do gigante ruivo.

— Isso é até normal. — Sam sentou do meu lado e me deu um beijo na bochecha. — Poderia ser muito pior, li que tem mulheres que comem terra, tijolo... seria muito pior.

— Essa mocinha aqui — esfreguei a barriga —, só gosta de coisa exótica. Essa semana estou na fixação por maionese. Tudo que eu como, tem que ter maionese.

— Você enjoou muito? — perguntou Bia.

Sam riu.

— Estamos em uma maratona. Nossa pequena está nos treinando.

— Eu enjoava de madrugada, acordava e vomitava. Sempre este horário. — Olhei para o relógio da cozinha. — Quando começamos a dormir noites inteiras, ela começou a se mexer. Ela acha bonito jogar futebol às duas da manhã.

— Minha garotinha vai ser a artilheira do time infantil do batalhão.

— Isso aí, cara, vamos mostrar para o Marcos o que é jogadora de verdade.

— Quem é Marcos? — perguntei.

— Um cara besta que se acha. Só porque o filho passou por uma peneira de um time grande ele fica se gabando. Agora, teremos nossa garotinha. — Sam levantou a mão e Bryan bateu nela animado. Bia e eu rimos.

— Meu querido, você sabe que nossa menina vai demorar um pouco para conseguir chutar uma bola — digo.

— Enquanto isso, ela vai encantar com a beleza e graciosidade. — Deu um sorriso convencido.

Rimos, nossos amigos ficaram por mais alguns minutos e foram embora.

***

— Olá Bia — cumprimentei a morena atrás do balcão no dia seguinte.

— Ei Mila, veio atrás de mais tortinhas?

— Pelo amor de Deus, não fale em tortinhas. — Fiz cara de nojo. — Quando acordei hoje de manhã, coloquei tudo para fora. Essa menina não sabe o que quer. — Apontei para a barriga e vi aquele olhar tristonho nela. — Mas eu aceito sorvete de limão se você ainda tiver, e um pouquinho de conversa seria bom.

Bia sorriu e foi pegar o sorvete no freezer. Sentamos em uma mesinha do lado de fora e por uns instantes ficamos em silêncio observando a paisagem. Do outro lado da rua, os bombeiros estavam fazendo treinamentos, então, era uma bela vista.

— Certo, desembucha — disse para Bia. — Sei que tem algo te incomodando.

— Ah! Não é nada...

— Bia!

— Talvez eu não possa dar os filhos que Bryan quer — ela disse triste.

— Por que você acha isso?

— Eu fui na médica o mês passado e descobri que tenho ovários policísticos e por causa do meu sobrepeso, estou com descontrole hormonal e Mila, eu já tentei de tudo para perder peso e nunca consegui...

— Para tudo. — Peguei as mãos dela. — Olha para mim, eu também tenho sobrepeso, também passei a vida toda lutando contra a balança, os problemas ginecológicos também existiam. E olha para mim, em uma noite de carnaval, encontrei um bonitão e estou com um lindo bebê no forno.

— Mas...

— Você perguntou para a médica quais as chances de você engravidar?

— Não, não perguntei.

— Então para de sofrer por antecipação e por favor, converse com o Bryan.

— Conversar comigo sobre o que? — O ruivo chegou de mansinho e deu um beijo nos lábios da namorada.

— Sobre montar o berço — respondi rápido. — Eu não posso deixar isso nas mãos de Sam e ele não vai me deixar ajudar.

— Sam é um zero à esquerda com ferramentas. — Bryan riu.

Pisquei para Bia em cumplicidade. Vi meu namorado acenando animado para mim e fui até ele e ganhei um grande beijo de tirar o fôlego ao som dos rapazes do batalhão rindo.


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Sorveteeeeeeeeeeeeeeeeee Quem concorda que o Bryan tem razão?

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