Capítulo 4

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Dante estava sentado em um pequeno bar, que não cabia mais de cem pessoas e ficava isolado, num bairro residencial na periferia da cidade. Já era quase meia noite e o lugar estava vazio, as outras almas no bar se resumiam ao garçom e um homem gordo e barrigudo sentado numa mesa distante jogando xadrez sozinho.

A luz amarela tornava o lugar reconfortante. O que por um momento, fez Dante rir como se aquilo fosse uma piada interna. Gostava de ficar em lugares calmos. Olhar para o nada o relaxava. Rodou a tampa da garrafa de sua cerveja entre os dedos e a colocou de volta sobre a mesa de madeira a sua frente.

Após de costurar seu ferimento, decidiu sair. Pensar um pouco. Despois daquele dia estava claro que já haviam o encontrado. No entanto, pela primeira vez pouco se importava. Embora já houvesse ido há muitos lugares, vivido muitas vidas, começara a gostar muito daquela em particular e não estava disposto a abrir mão tão cedo, por mais fatal que pudesse ser.

Se o caçariam até as portas do inferno, que viessem então. Estaria pronto para eles!

– Olá, irmão.

Dante ergueu os olhos da sua garrafa de cerveja e encarou o homem parado o lado de sua mesa. O cara de aproximadamente quarenta anos, vestia uma camiseta bege e uma calça jeans escura despojada e o cabelo curto e castanho tinha alguns fios brancos.

– Caim, o que está fazendo aqui?

– Bem, senti saudades do meu irmãozinho.

Dante torceu os lábios e olhou para o homem com o canto de olho e soltou um risinho de deboche encoberto por uma das mãos.

– Sério? Você veio da Ásia apenas para me ver.

– Qual é, irmão? Eu esperava mais de você. – Ele tomou a garrafa de cerveja das mãos de Dante e deu uma golada para cuspir o líquido logo em seguida. – Sentado em um boteco, tomando cerveja barata, brincando de policial.

– O que quer de mim, Caim? Nosso pai mandou você?

– Existe uma balança entre o bem o e mal, o lugar onde as coisas precisam ficar. – Ele puxou a cadeira e sentou-se diante do irmão.

– Eu não me importo. – Dante cruzou os braços e ergueu o corpo, irredutível. – E eu não vou a lugar algum, não vai ser você, meu pai ou uma legião de anjos que me fará mudar de ideia. Gosto da terra e vou ficar aqui.

– Ma...

O smartphone sobre a mesa, ao lado da garrafa de cerveja começou a tocar e o detetive o atendeu ignorando a presença do irmão.

– Dante... Sim, estou a caminho.

– Dante, sério? – Caim começou a rir, entretanto foi completamente ignorado pelo irmão e virou-se a tempo de observá-lo sair.

O detetive parou o caro duas ruas a cima do endereço indicado, pois as vagas estavam lotadas, curvou-se sobre o banco do carona e tirou do porta-luvas seu distintivo e arma. De longe pode ver as luzes vermelhas e azuis das viaturas da polícia e o som das sirenes ligadas. Assim que se aproximou o bastante observou as várias pessoas paradas na entrada, algumas assustadas, outras chorando. Caótico como o inferno, e pensar que quase senti saudades, Dante riu ao se aproximar de um policial que colhia o depoimento de uma garota que tinha o rímel borrado nos olhos de tanto chorar.

– Detetive, Dante.

– O que encontraram aqui, cabo?

O detetive continuou a avaliar o local, talvez logo que envolvesse drogas ou adolescentes presos por não ter idade para beber.

Do Inferno À Luxuria (Desejos Sombrios 2) - DegustaçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!