Capítulo 15 - Ivy

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Tanto tempo andando com o amor e finalmente o reconheço. Quando entrei no salão e o vi, meu coração parecia que ia saltar do peito, minha respiração falhou e a única coisa que pude fazer foi encara-lo, me afogando no azul marinho de seus olhos. Por todas as divindades, por que? Nunca havia me sentindo assim, em seu abraço me sinto em casa, segura, desejo toca-lo, ser tocada por ele, simplesmente desejo que ele seja meu.

De alguma forma meu coração bate ainda mais rápido quando Ravi se aproxima e me abraça, por papai e mamãe, é a melhor sensação que já experimentei, consigo observar seu rosto, aquele sorriso maldoso como o próprio pecado, me convidando a prova-lo e a tentação de esquecer todos no salão e beija-lo é tão grande, sussurro seu nome e é como uma melodia, minha voz sai levemente rouca, culpa do desejo.

A mera presença dele desconecta todos os meus pensamentos coerentes e só resta nós dois em meio a uma multidão, seu cheiro de hortelã e floresta me encanta e incendeia. Ele está tão perto agora, anseio pelo beijo prometido com aquele sorriso pecaminoso, no entanto, antes de nossos lábios se tocarem, ouço a risada de mamãe, e me afasto amaldiçoando o passo que tive que dar para trás, me afastando assim de Ravi.

- Ivy querida, como foi em Gardia? – Fairy me pergunta, me trazendo de volta para a realidade. Abraço papai e mamãe antes de me sentar.

- Era aniversário de dois príncipes primogênitos, levei um presente de esperança para cada um deles, abençoei ambos com meus poderes. Depois hum...teve um banquete e acabei ficando, até Rex chegar para me buscar. – Explico. Rex sorri ao ouvir o nome dele.

- Um dos príncipes queria nossa Ivy para ele. – Rex comenta e o fuzilo com olhar.

- O que isto quer dizer? – Drakon pergunta e o salão fica novamente acinzentado.

- Talvez ele tenha se apaixonado, só isso, eu o dispensei e dei mais um presente a ele, uma joia, para que ele dê a moça com a qual irá se casar, prometi que o ajudaria a encontrar uma gardiana digna de tal joia. – Conto rapidamente.

- Já proibi pedidos de casamentos. – Papai resmunga.

Pelo canto do olho vejo Brutos furioso saindo da sala do trono e pela primeira vez em muitos anos, não me importo com aquilo, surpreendida com aquele pensamento, meu olhar varre o salão, vejo Ravi me fitando com intensidade, sinto minhas bochechas corarem e, novamente, meu coração acelera.

Doriam e Ravi contam suas aventuras novamente, mas meus pensamentos estão todos perdidos, não consigo me concentrar no que estão dizendo, só escuto a voz de Ravi. Por todos os soberanos, não me lembrava daquela voz ser rouca e sensual, fico frustrada em perceber o quanto aquele som agradável atiça meu desejo de estar com ele.

- Terna, eram dois príncipes, por que você não estava com Ivy e deu um presente de paixão para eles? – Doriam pergunta de repente. Terna se meche incomodada em sua cadeira.

Maldição, penso. Aquela pergunta que evitamos a anos Doriam chega e simplesmente a faz. Claro que tentamos conversar com Terna várias vezes sobre isto ser sua função, e cada vez ela se fechava ainda mais.

A mesa longa e repleta de comida fica silenciosa, apenas o som de raspas de talheres são ouvidos. Os semi soberanos que ali se encontram baixam suas cabeças a fim de olhar na direção onde estamos. Terna percebe que não poderá escapar de responder a tal pergunta.

- Os gardianos sempre preferem um presente de esperança, e é muito bom que seja assim. – Responde Terna encarando o colo, sua voz é baixa.

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