CAPITULO 31- take it back

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Eu sabia que aquelas palavras não atingiram apenas Pedro, mas acabariam com metade da felicidade que eu demorei tanto pra conseguir. Mas aquilo estava se tornando um peso no meu coração. Peso que eu tirei quando falei a última palavra do meu discurso, porém, ao invés de me livrar, eu joguei todo o peso nas costas de uma pessoa só.
E quando eu me sentei ao seu lado, ele estava chorando.
- Ian. - Eu encostei em seu braço, mas ele se afastou.
- Não.
Quando encarei Alice, ela estava com cara de choro. Alice era a única daquela mesa que realmente me entendia, mas Amora também estava me enviando olhares solidários.
- Ian, eu...
- Lisa, não! - Ele gritou, se levantando da mesa. Me levantei logo depois, sem encarar Pedro ou qualquer outra pessoa. Percebi que Amora, Tay, Alice e Higor também se retiraram, mas não olhei pra ver se estavam atras de mim.
Por ter ficado vários minutos em pé, meu sapato tinha me machucado, então tirei o salto e fui atras de Ian.
O encontrei sentado num banco de madeira na lateral do salão, onde não tinha ninguém.
Me sentei ao seu lado e, pra minha surpresa, ele não se levantou.
A ânsia veio, tentando retirar o álcool do meu corpo, mas eu a repreendi.
- Você finalmente me viu. - Falei.
Ele deu uma risada irônica.
- Você só pode estar brincando.
- Não, Ian, aquilo que você viu...aquilo sou eu. - Falei e então Ian se virou pra me encarar.
- Você...eu não sei nem por onde começar, Lisa. Você não me ama porra nenhuma. Você tem noção do papel de palhaço que eu fiz agora?
- É com isso que você está preocupado? Com o papel que você fez? E o papel que eu fiz, Ian? Falando tudo aquilo, falando sobre minhas seguranças e problemas EM PÚBLICO?
- VOCÊ PEDIU POR AQUILO, PORRA!  Você quis chamar atenção! Assume, Lisa, assume que você só veio nesse casamento pra estragar qualquer felicidade que esses dois possam ter. Você tem noção que deve ter destruído uma família?
- E A MINHA FAMÍLIA, IAN? E A MINHA VIDA? NÃO INTERESSA? QUER DIZER QUE ELE MERECE SER FELIZ E EU NÃO?
- TIRA ESSA MERDA DA SUA CABEÇA, CARALHO. - Ele estava alterado, e segurou minha cabeça com suas duas mãos, enquanto eu apenas chorava. - VOCÊ É FELIZ, VOCÊ TEM UMA FAMÍLIA, PORRA! EU SOU A SUA FAMÍLIA, EU TE AMO E VOCÊ NUNCA TÁ SATISFEITA!
- Não, Ian... Eu não sou feliz. E não é você, Ian, você é... - Eu sequei as lágrimas com as costas da mão direita - a coisa mais perfeita que eu já tive em toda a minha vida. Mas eu, Ian, eu sou problemática. Eu ainda tenho pesadelos e cada vez que eu te deixo bravo, por menor que seja o motivo, eu te encaro tentando encontrar em você qualquer indício de raiva pra eu sair correndo antes que você me bata.
- Lisa, eu...
- Eu sei! Você não faria isso! Mas até que faça, ninguém é de fato capaz de machucar outra pessoa. Pedro também não faria isso, mas fez! E aquela sou eu, Ian, a menina bêbada falando merda para o ex é tudo que eu sempre serei. Sou o que Pedro deixou, sou o resto que ele não quis, eu sou só aquilo. Eu sei que eu vou te magoar, Ian - eu estava soluçando - e isso acaba comigo porque, porra, você merece todas as coisas mais bonitas do mundo. Mas nós, Ian, nós fomos feitos pra dizer adeus e mesmo com nossas cabeças erguidas, isso jamais funcionaria! Eu não queria que a gente queimasse desse jeito, não vim aqui pra te magoar mas...eu sou assim. E eu quero que você saiba, Ian, você não poderia ter me amado melhor! Mas eu quero que você siga em frente.
- Que merda você tá falando? - Ele estava chorando. - Você está... não, Lisa, não! Eu te amo! Você é tudo que eu tenho, você é minha...
- Ian, me escuta. - Eu passei a mão sobre seus cabelos loiros, talvez pela última vez, gravando a textura e cada pedacinho dele. - Deus, te olhar torna isso tão difícil...mas Ian, a perfeição não conseguiria manter esse amor vivo. Porra, você sabe que eu te amo...te amo o suficiente para te deixar ir porque simplesmente sei que eu sou o veneno em você, eu não sou algo pelo que se vale a pena lutar.
- Eu não vou deixar você fazer isso, você não quer, eu não quero. Como é que eu vou acordar todo dia e não te ver lá, Lisa? Como é que...e Amora, porra? Você prometeu não abandonar Amora.
- E eu não vou, Ian, ela é um pedacinho de você que eu amo mais que qualquer coisa nesse mundo. Mas você eu preciso deixar... é pro seu bem, eu juro. Me deixe ir, ok?
                            *****

Eu não queria deixá-la ir. Eu não queria deixar tudo "ok". Eu não queria que Lisa continuasse com o pensamento de que ela não era o suficiente. Lisa não era ruim, ela só era uma pessoa com quem coisas ruins aconteceram.
- Mas eu te amo. - Falei, tentando fazer com que ela ficasse.
- E foi esse amor que me trouxe a vida por vários meses, foi você. Mas eu vou manter essa coisa ruim comigo, Ian, e eu não quero que ela passe pra você.
- Eu aceito qualquer coisa se for pra te ter, Lisa, caralho, eu tô muito puto, mas porra...
- Não aceite, Ian. Não aceite um relacionamento ruim porque pequenas coisas nele ainda te tiram sorrisos. - Ela encostou a testa na minha. - Eu fui sua. E eu te agradeço por ter sonhado em se casar comigo, mas eu nunca pude te corresponder tanto quanto você merece. Você ainda vai ouvir falar de mim, eu te prometo, mas eu preciso ser minha antes de ser de alguém de novo.
E foi assim que eu vi Lisa Wengrov sair da minha vida sem poder contestar.
E foi assim que ela quebrou, pela milésima vez, o meu coração.
Fechei os olhos e encostei a cabeça na parede, tentando absorver a situação. Mas abri os olhos novamente quando ouvi Lisa gritar.
- ME LARGA, PEDRO! EU VOU GRITAR PRA TODO MUNDO OUVIR QUE VOCÊ NÃO MUDOU NADA! - Ela tentava se debater, mas ele era mais forte e tapou a boca dela com a mão livre, enquanto a outra estava apertando seu braço.
- Sua vagabunda bêbada, você é louca? Quem você pensa que é? Você quase arruinou meu casamento! Isso tudo é inveja, não é? Porque eu não fiquei com você e quis Mariana? Ela é tão melhor que você, Lisa, ela era pura, bonita, arrumada, não era uma mulherzinha qualquer.
- Pedro - ela chorava, soluçando - me solta, por favor, eu converso com Mariana, eu...só me solta! Ai! Pedro, tá doendo!
- É isso que você merece, Lizzy! Você não merece amor nenhum na sua vida porque você tenta estragar o das pessoas! Que sorte a minha ter te largado, sua...
- PEDRO, POR FAVOR! - Ela gritava, chorando.
Lisa parecia uma criança nas mãos dele.
- CHEGA! Solta ela, Pedro, agora! - Eu falei.
- Olha quem chegou, Lisa. Seu salvador. Ele sabe que você vai fuder com a vida dele daqui a um tempo? - Ele a apertou mais.
- AGORA! - Eu parei na sua frente, o encarando. Ele a soltou e ela foi pra trás de mim, segurando minha mão.
- Ela não vale tudo isso, brother, de homem pra homem.
- Você não é homem, Pedro, você é um moleque mimado que acha que pode ter tudo que quer e destrói o que não te quer de volta. Eu tô te avisando, brother, nela você não encosta mais. Eu acabo com você se for preciso, mas na Lisa você não encosta mais. Tá me entendendo?
- Você tá achando que eu tenho medo?
- Não é pra ter, mas é pra saber que você não tá lidando com criança. Eu você não consegue intimidar, eu não tenho medo dessa sua covardia. Se você for brigar, briga com alguém do seu tamanho, não mexe com uma garota que você já fudeu a vida o suficiente. Você tem a porra de uma família agora, vê se some, na boa. - Lisa segurou na minha mão e quando olhei pra ela, não reconheci. Aquela não era minha Lisa forte e destemida, era uma criancinha que só me dava vontade de cuidar.
- Vamos. - Ela pediu, com a voz falhando.
Fiz que sim com a cabeça e a tirei dali.

LISA [COMPLETO - EM REVISÃO]Leia esta história GRATUITAMENTE!