Capítulo 14 - Ravi

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Faz tempo que não vejo o supremo reino, cem anos na verdade, e a saudade daquele lugar assola meu peito, como estarão os meus gardianos seguidores da luz? Estarão isentos de coragem? Sigo pelo túnel de luz que me levara ao reino do supremo soberano Drakon, e meu irmão Doriam, soberano da Determinação, viaja em seu túnel de escuridão. Ambos estamos exaustos, mas com o fim da guerra de Ferock, nosso primeiro pensamento foi voltar. Pois pertencemos a corte do supremo soberano, somos a emoção o sentimento que rege os gardianos, somos seus soberanos.

Finalmente chegamos, aterrissamos lado a lado, escuridão e luz, meu irmão e eu respiramos profundamente o ar que nos falta. Este lugar sempre será meu lar. Penso convicto. E pela expressão de felicidade de Doriam, ele também sentiu falta de casa.

-É bom voltar para o reino. –Diz Doriam com sua voz sombria. Concordo enquanto esquadrinho o local. É claro que não há ninguém nos esperando, não mandamos mensageiros.

Entramos no castelo, o som de nossas armas fazendo eco nos longos corredores e teto alto, caminhamos como sempre foi, lado a lado. Percorremos estes corredores direto a sala do trono. Enfim paramos em frente uma grande porta na qual bato. Como sempre não há resposta, contudo uma resposta estranha acontece, o castelo fica de um tom acinzentado. Drakon está irritado.

Doriam sorri ao meu lado enquanto adentramos o grande salão.

-Se for mais um maldito semi soberano apaixonado, se retire infeliz. –Ruge a voz de meu pai. E quando nos fita as paredes imediatamente atingem o tom de amarelo. –Pela sua mãe, pensei que fosse outro semi soberano mal amado.

O supremo se levanta andando na nossa direção, a pouco carinho entre nós, mas ele abraça a ambos com um tapa nas costas para finalizar.

-Meus guerreiros e filhos, este será um dia de comemoração, contem-me suas aventuras. Sim! faremos um banquete para todos em homenagem aos meus filhos. –Diz Drakon seus olhos se misturam em cores vivas e cheias de alegria e orgulho. –Vocês venceram certo? Ora que pergunta, é claro que sim, são filhos de sua mãe. –Diz estufando o peito largo. –Pousas?! Façam de hoje um dia para que os gardianos e nossos soberanos se lembrem, e chamem Rex, finalmente temos protetores à altura.

Não questionamos a ordem de nosso pai, já que faz tanto tempo que não estamos aqui às coisas mudaram. Elas sempre mudam. Contamos tudo a ele, Doriam triunfou no final, eu lidei mais com as estratégias de ataque, enquanto meu irmão mostrava aqueles seres que a escuridão nem sempre é má, contudo sempre será perigosa. Sim falamos de como sentiríamos falta daquele mundo que nos abrigou e acolheu, viramos uma espécie de marco por lá, e claro que deixamos mulheres infelizes por nossa partida.

A noite chega, ainda estamos contando nossas histórias, o salão está quieto ouvindo atentamente a tudo, fora algumas exclamações o silencio se sobressai para que apenas nós sejamos ouvidos. Nossa mãe Justiça nos abraçou, e tomou o lugar ao lado do nosso pai. Ela nos olha com orgulho.

Enfim reparo na única mudança realmente notável naquele salão. Meus olhos aterrissam numa beldade que reconheço de imediato.

Terna.

Sim a soberana da paixão tornou-se bela. Seus cabelos estão cheios e encaracolados, são selvagens e vivos, mas ela esconde seu corpo em demasia num vestido verde, apesar disto notam-se suas curvas e a singelidade de seus movimentos, até a maneira como ela respira é recatada. Então ela sorri, seus olhos se grudam em Doriam, para só depois irem para mim, fico um pouco rubro, e não entendo o porquê, seus olhos são imensos como de uma animal assustado e seus longos cílios me deixam brevemente com falta de ar.

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