Capítulo 4

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Eliza ficou parada no canto, observando a ruiva andar entre fileiras de roupas enquanto balançava a cabeça.

— Não... Não... argh... essa não... o que minha mãe pensou pra por isso aqui? Ou mau gosto ficou popular agora? Sinto muito pelas próximas gerações — murmurou Bianca para si.

A garota conteve o impulso de perguntar por que as duas estavam lá. De novo. Não aguento mais ouvir ela dizer "comprar roupas" mais uma vez. A cara de "não é óbvio? Não dá pra ver?" é irritante demais, pensou Eliza, fechando os olhos e respirando fundo.

— Ah, esse aqui é interessante. — Eliza ouviu a voz de Bianca e abriu os olhos. A ruiva veio até ela com um sorriso no rosto e um vestido em mãos. — Experimente este.

Eliza olhou nos olhos de Bianca por um bom tempo antes de suspirar e voltar sua atenção para o vestido verde escuro sem alças.

— Não sei... — Ciente do quão persistente a ruiva era, a garota suprimiu sua resposta imediata, um não, e tentou imaginar-se usando as roupas. Não vai ficar bom. — Não é minha cara...

— Já tentou algo assim antes? — perguntou Bianca, inclinando a cabeça, os olhos verdes cheios de entusiasmo.

— Na minha festa de quinze anos — murmurou. Bianca nada disse, apenas observando a garota. Sob seu olhar, Eliza suspirou e aceitou o vestido. Não foi assim que imaginei que seria meu dia, pensou, caminhando até o vestiário.

Quando Eliza acordou, ela se sentia melhor que o habitual. Falar sobre meus poderes e o que aconteceu nos últimos meses pra alguém, ainda que fosse Bianca, foi ótimo. Ainda assim... talvez eu não devesse ter dito tanto. Embora a ruiva mal pudesse causar qualquer problema, por um instante, a garota pensou em faltar aula. Mas, quando imaginou o rosto da mãe, Eliza desistiu da ideia. A mãe e o pai se esforçam muito, pensou, saindo da cama.

Seus medos eram infundados, no entanto. Quando chegou à escola, tudo estava como sempre. Os alunos sussurravam os mesmos velhos boatos sobre ela quando a viram, e os professores a trataram como se fosse ter uma decaída a qualquer instante.

Acho que... isso é bom... quem sabe. Pode significar que a Bianca é confiável. Ou quem sabe está tramando uma, considerou Eliza. Não importa se estiver planejando algo ou não, não posso me esconder no banheiro o dia todo. Ela foi para a sala, mas parou na porta, suas mãos suando. Por que estou nervosa? Eliza balançou a cabeça e entrou.

Bianca não estava na sala. Acho que ela não chega cedo. Pensando nisso, eu mal chego na hora e não me lembro de vê-la aqui antes de mim. Eliza sentou-se na cadeira e descansou a cabeça na mesa, mas, em vez de fechar os olhos e descansar, ela prestou atenção. Quando escutou a porta se abrindo e o barulho aumentando na direção das garotas, sabia, mesmo sem ver, quem era a recém-chegada.

Se ela falar comigo aqui, será que minha reputação vai cair mais ainda? Aposto que vão inventar que estou chantageando ela pra conseguir dinheiro pra mais drogas. Qual foi a última? Ah, cocaína, pensou Eliza, virando a cabeça na direção da porta. Ela estava certa. Era mesmo a Bianca, mas a ruiva conversava com suas amigas e sentou em sua cadeira, sem se virar uma única vez na direção de Eliza.

Ela tá me ignorando? Por algum motivo, aquilo a irritou, mas ela suprimiu seus sentimentos. Respirando pelo nariz, Eliza fechou os olhos. Porém, em vez de descansar, a garota os abriu quase imediatamente e encarou a ruiva.

Coincidência ou não, Bianca olhava para Eliza no mesmo instante. Quando seus olhares se encontraram, a ruiva sorriu e voltou-se para seus amigos. Estou me importando demais com ela, pensou, estalando a língua.

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