Capítulo 20

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O dia havia sido agitado, Elijah estava cansado e precisava de mais do que uma noite de sono para poder colocar a sua cabeça de volta no lugar. A guerra estava vindo e Garret não tardaria em revidar.

Todos os guerreiros são preparados para uma batalha, mas só se sabe a sua força quando ela realmente acontece. Por isso, Elijah estava ansioso. Mesmo sem ter medo de se colocar na linha de frente, receava que não soubesse liderar os homens de forma satisfatória.
Evelyn poderia ser a rainha e dar as ordens, mas o General sentia como se todas as vidas estivessem também em suas mãos. Se não fosse o mais esperto, mais forte e mais astuto, muitos morreriam. Ele era o Rochedo, grande guerreiro de Ílac e líder do exército, todos esperavam que fosse o salvador.

Não havia procurado a guerra, mas, ainda assim, ela o achou e, agora, a vida dos homens e do seu povo estava em sua responsabilidade.

Precisava beber alguma coisa, pelo menos por uma noite para que pudesse alvejar a sua mente. Mas estar embriagado em meio a um tempo incerto não seria sábio, por isso, optou apenas por um suco, que lhe foi entregue no próprio aposento em que estava localizado.

Derramou o líquido no copo e levou-o até a cama, onde sentou-se para descansar. Virou o líquido de uma vez em sua garganta, sentindo o frio escorrer da sua boca até o estômago, não dando-lhe nem tempo para cuspir o gosto amargo que sentiu em seu paladar. Levou o copo até as suas narinas, cheirando o líquido com cuidado, e percebeu um odor estranho, um aroma levemente conhecido, mas que não conseguia lembrar de onde lhe vinha à memória.

Não demorou muito e o guerreiro sentiu o seu corpo ficar mole. Sua mão não seguia o seu comando, o copo caiu ao chão derramando o líquido pelo tapete e o corpo dele pendeu sobre a cama, impossibilitado de se mexer. Sua visão começava a ficar turva, tentou gritar por socorro, mas não sabia se alguém lhe escutava devido às paredes grossas do castelo.

Aos poucos, percebeu a presença de alguém em sua frente. Os cabelos dourados chegavam à cintura, o olhar feroz o analisava enquanto chegava cada vez mais perto. A mulher curvou um pouco a cabeça, olhando para Elijah sem piscar. Passou os olhos pelo líquido no chão e depois para o corpo dele jogado sobre a cama e sorriu.

O guerreiro tentava se mexer, mas era inútil, a visão estava cada vez mais borrada e quando tentou perguntar quem era ela, a língua embolou-se dentro da boca e não soube se havia soado algo audível.

A loira ajoelhou-se ao lado dele e ergueu a mão para os cabelos do General, acariciando-o lentamente com suas unhas cobertas de terra.

― Deixe-nos em paz! – sussurrou no ouvido de Elijah.

Ele tentou balbuciar, não compreendia o que ela queria dizer, mas agora sabia de quem se tratava, as marcas azuis pela pele eram frescas em sua memória. A pele de urso cobrindo os seus ombros, as tranças no cabelo e o corpo aparentemente esguio e pequeno, porém forte. Já havia visto antes.

― A ganância atrai, cega e destrói os homens. Você viveu para impedi-la, grande guerreiro. Não deixe que cheguem até nós ou lutaremos como bravo contra vocês. Estamos em nossa terra, mas destruiremos a sua se precisarmos. – Prosseguiu, pairando a sua boca por cima da dele.

Lentamente abaixou-se e colou os seus lábios no guerreiro e ele remexeu os olhos em desaprovação. Não tinha controle do seu corpo, sentia-se inanimado. Era como uma alma dentro de uma estátua, sem poder mexer um mísero músculo sequer.

A mulher pousou os seus dedos no queixo dele, forçando para que ele abrisse a boca. Mordiscou os lábios de Elijah e logo em seguida enfiou a sua língua por entre eles, mesmo que não estivesse sendo correspondida. Para finalizar, afastou-se um pouco e cheirou a pele do guerreiro até chegar ao seu pescoço e deixar uma pequena lambida no local.

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